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Potencial mapeado de geração eólica no interior da Paraíba chega a 2 GW

A cerca de 700 metros acima do nível do mar, em pleno sertão paraibano há uma mina de ouro quase inexplorada, mas que é encontrada na forma de ventos. Mapeamento feito pela Iberdrola aponta que ali naquela região há um enorme potencial no melhor estilo do polo de João Câmara (RN). Segundo estimativas da companhia são 2 GW que podem ser viabilizados nessa região, mas o investimento nessa área encontra duas barreiras, a primeira é a atual ausência de leilões, uma situação que deverá ser revertida com o tempo, a outra é estrutural, pois não há uma linha de transmissão para o escoamento desse potencial.

A primeira e única empresa a aportar na região é a Força Eólica do Brasil, joint venture que entre a Iberdrola e a Neoenergia. A companhia constrói três parques na região (Canoas, Lagoa 1 e 2) que juntos possuem 94,5 MW em capacidade instalada. Com esses empreendimentos a única forma de escoamento de energia existente, em duas subestações da distribuidora local, a Energisa, foram totalmente ocupadas. O escoamento será feito via duas linhas de transmissão de 69 kV com 57 km de extensão.

Com isso, novos aportes na região só devem ser feitos quando a transmissão estiver assegurada para a área que se encontra próximo à divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, em pleno sertão nordestino. “Em cinco anos acredito que essa região poderá se comparar com a de João Câmara, no Rio Grande do Norte, que é um polo de geração eólica, com muitos outros parques, não somente nossos por aqui”, comentou a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto.

Somente a companhia possui cerca de 500 MW em projetos desenvolvidos na região. Contudo, novos aportes só sairão do papel caso haja a capacidade de transmissão por meio de linhas da Rede Básica. “Temos 94 MW de capacidade, mas fizemos um estudo e temos desenvolvidos 500 MW em projetos que serão analisados para futuros leilões”, comentou a executiva. “Antes precisamos de capacidade de escoamento, pois o que tinha foi utilizado. A EPE já fez a previsão e o projeto para ter uma linha que passe por aqui está encaminhado”, destacou.

Dos investimentos em energia eólica feitos pela FEB, a maior parte está no interior do Nordeste nos estados da Bahia, em Caetité, que está localizado a 1.200 metros acima do nível do mar, bem como na região de Currais Novos (RN). Ainda há outros parques no litoral potiguar. No total a empresa possuirá 466,5 MW em capacidade instalada ao final de 2017 com os três projetos em construção na Paraíba. Em sua carteira de ativos ainda consta o desenvolvimento de 1.500 MW dos quais 117 MW solares fotovoltaicos, que, por conta de sua característica, não serão feitos na Paraíba, mas podem ser construído no Piauí, por exemplo.

A previsão da FEB é de que os três parques estejam em operação em outubro de 2017, uma antecipação de 15 meses em relação ao cronograma oficial. Os três parques foram negociados no Leilão de Energia Nova A-5 realizado em 28 de novembro de 2014, a um lance de R$ 136,24/MWh que atualizado está na casa de R$ 167/MWh. Essa energia antecipada, comentou Laura, será comercializada no mercado livre junto à comercializadora do grupo.

investimento total dos projetos está em R$ 604 milhões, sendo que R$ 331 milhões serão por meio de empréstimos de longo prazo junto ao BNDES, e R$ 46 milhões via debêntures e o resto é equity da companhia. Ao final da obra serão 45 aerogeradores Gamesa com 80 metros de altura e 2,1 MW de capacidade de geração. Até o momento Canoas está em fase mais adiantada de execução, Lagoa 1 e 2 estão em fase de concretagem. As obras deverão ser finalizadas em setembro para que a companhia cumpra os prazos indicados.

A região conhecida como Seridó está a cerca de 350 km de distância da capital João Pessoa em direção ao interior do estado. É composta por montanhas com solo rochoso e escassez de água. Outro ponto que ainda afeta pelo menos a área de duas máquinas no parque Lagoa 2 são questões arqueológicas, com isso a empresa precisa aguardar para iniciar a montagem dos aerogeradores. Mas conta que apesar de estarmos no início de junho é fatível o prazo para a finalização da obra.

Outro plano da empresa é de ter um centro de operações no país, o quarto da companhia. Atualmente os aerogeradores são operados pelo centro espanhol em Toledo, próximo a Madri e por operadores nos sítios onde estão instalados. Além de Toledo ainda há centros nos Estados Unidos e Reino Unido. Quanto ao local do centro não há decisão sobre onde será. “A decisão está tomada mas não sabemos onde instalaremos o centro”, acrescentou Laura Porto.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

Indústria eólica nacional quer expandir atuação e se tornar hub exportador

A indústria nacional dedicada à energia eólica esta em busca de uma nova forma de atuação, a de colocar a capacidade instalada local como um polo exportador, principalmente para a América do Sul e Caribe. Um dos motivadores para esse movimento é a dificuldade em se ter os 2 GW anuais de demanda para a manutenção da indústria local e a busca por manter-se atualizado tecnologicamente ante os equipamentos que são encontrados em outros países, resultado dos investimentos de fabricantes que investem em seu desenvolvimento.

Segundo a avaliação da presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica, Élbia Gannoum, o Brasil apresentou um plano de nacionalização ambicioso e implementou-o com competência para cumprir as metas no tempo em que foram estabelecidos esses marcos. Mas, a questão agora que enfrenta é a volatilidade de demanda. Por isso que o setor precisa minimizar as variações e buscar novos mercados quando se pensa no fornecedor de aerogeradores.

“Do lado de quem compra essas máquinas é importante que as empresas estejam prontas para fornecer a tecnologia mais recente e uma política de nacionalização como a nossa tende a ter um bloqueio de desenvolvimento por fechar o mercado nacional”, comentou a executiva em um workshop que a Casa dos Ventos promoveu em São Paulo. A entidade, comentou, formou um grupo de trabalho no sentido de buscar alternativas para o produto nacional ganhar competitividade e nesse caminho a adoção do PPA em dólar poderia trazer benefícios importantes para a cadeia.

Hoje, continuou a representante do segmento, os fabricantes não veem mais como uma barreira a questão cambial desde que haja um processo de transição para que se adaptem. Com o PPA em dólar abre-se uma janela de oportunidade de importação de alguns componentes para serem montados localmente e com vistas a uma política de apoio à exportação. Dessa forma, continuou, poderia ser alcançada maior competitividade e o país tornar-se o hub de exportação em função de toda a cadeia que existe por aqui com as seis fabricantes que somam 4 GW de capacidade de produção anual.

Élbia lembrou que a política dolarizar passou ao largo do setor por conta desse processo de nacionalização da indústria eólica. Contudo, o BNDES não tem mais os recursos que teve no passado e que a atuação dos últimos 14 anos em termos de incentivar os investimentos não deverá se repetir. Por isso, os investidores tem que buscar no exterior esses recursos e aí vem a importância dessa ideia de ter o PPA em dólar. E ainda, da parte dos produtores, a maior competitividade vem da redução do custo Brasil. E que esse conceito de ficar fechado para a tecnologia não traz evolução nem escala para o mercado.

Esse posicionamento de abertura parcial encontra ressonância na Casa dos Ventos, que já defendeu essa alteração. Recentemente a empresa vendeu seus dois últimos projetos operacionais à britânica Actis para buscar fôlego financeiro e assim não depender do BNDES para implantar novos projetos. À época, o diretor de Negócios Lucas Araripe, afirmou que capitalizada a empresa consegue recorrer a linhas de financiamento mais baratas que a oferecido pelo banco de fomento federal uma vez que essas se encontram no exterior. E, ao mesmo tempo, trazer máquinas mais eficientes e a um valor menor que o encontrado localmente.

De acordo com o patriarca da família e fundador da Casa dos Ventos, Mário Araripe, hoje as máquinas nacionais estão em um degrau tecnológico mais abaixo do que o estado da arte que se encontra no exterior em função desse fechamento nacional, que associado à baixa demanda por equipamentos leva as fabricantes a postergarem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico.

“Precisamos ver se vale a pena restringir o conteúdo nacional. A evolução tecnológica é grande e, cada vez mais rápido, os aerogeradores estão sendo aperfeiçoados. No Brasil as máquinas ofertadas estão em degrau tecnológico menor por não ter a escala que tínhamos alguns anos atrás. Assim, há uma janela de oportunidade de desenvolver a eólica a colocar o PPA em dólar como Chile e Argentina e ter acesso ao que está sendo produzido no mundo”, afirmou o executivo.  Araripe destacou que a companhia já analisou mais de 50 máquinas para uma mesma área e relatou que é possível obter ganhos de produtividade de até 10%, o que ajudaria a baratear a energia.

Élbia, da ABEEólica, disse que a avaliação de que adotar uma parcela do PPA atrelado ao dólar já não é mais um tema que preocupa economistas, inclusive alguns ligados ao Plano Real e que afastavam a indexação como forma de proteção da moeda nacional. Mas ainda assim, admite e necessário que se realize encontros com BNDES, Ministério da Fazenda e de Minas e Energia para mudar essa situação. Por isso, em um leilão de reserva que se espera para meados do segundo semestre não seria possível de implementar a novidade, mas que para um eventual A-5 em dezembro seria possível.

Fonte: Canal Energia

Energia eólica e solar recebem duas vezes mais financiamento do que combustíveis fósseis

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

RN amplia capacidade instalada de energia solar

Em quatro anos, o Rio Grande do Norte ampliou em mais de 4000% sua capacidade instalada de geração em energia solar fotovoltaica distribuída – aquela que é feita em sistemas instalados, em casas, prédios públicos, comércios e indústrias. Passou de 56 kilowatts em 2013 para 2.219 kw neste primeiro semestre de 2017, que ainda tem dois meses para acabar. As quatro unidades consumidoras instaladas naquele ano transformaram-se em atuais 168 – a grande maioria na zona urbana.

De acordo com a Absolar – Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica – o crescimento segue a tendência nacional. Nos últimos levantamentos, as taxas de avanço superam os 300% anuais. E ainda tem muito espaço para crescer, já que a fonte representa menos de 1% da matriz energética brasileira. O estado sequer figura entre os principais geradores no país.

Apesar da evolução do setor ser animadora para a indústria, ela está abaixo das projeções da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), explica o diretor-executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia. O Brasil encerrou o ano com cerca de 7,5 mil sistemas instalados, quando o governo federal esperava ter 14 mil no mesmo período. A projeção para 2017 era de 40 mil, mas as empresas do setor preveem 21 mil sistemas instalados até o final do ano.

As razões para isso são simples, aponta Sauaia: a falta de alternativas de financiamento a juros baratos e a alta tributação sobre o setor.

Rodrigo Sauaia, diretor-executivo da Absolar. (Foto: Fábio Cortez)

Rodrigo Sauaia, diretor-executivo da Absolar. (Foto: Fábio Cortez)

“A maior parte das linhas de crédito que existem é voltada para pessoas jurídicas. Falta opção para pessoa física. Isso é importante quando a gente repara que 70% dos entrevistados em uma pesquisa do Datafolha com o Greenpeace, feita no início do ano, investiriam nesses sistemas se houvesse financiamento a juros baixos. Esses consumidores representam uma demanda reprimida”, assinala o presidente da Absolar.

De acordo com ele, a associação tem tentado dialogar com o governo federal na expectativa de que bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica forneçam esse tipo de opção aos consumidores.

O outro ponto da pauta, a tributação, é dividido pelo representante do setor em duas áreas. A primeira é a tributação sobre os equipamentos utilizados para geração e distribuição de energia. “A fonte solar fotovoltaica não precisa de incentivos diferenciados. A gente só quer o mesmo tratamento que já é dado a outras fontes renováveis, que têm uma carga tributária muito menor que a nossa. É preciso equalizar isso”, argumenta.

Do outro lado, está a taxação sobre a energia gerada. A maior parte dos estados brasileiros já assinou o convênio do ICMS 16/2015, com exceção do Amazonas, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina. O acordo isenta a energia gerada pelas unidades do imposto estadual. Sauaia argumenta que, por mais que o estado perca uma parte pequena de sua arrecadação – a geração ainda é irrisória – a isenção é compensada pelo aumento da arrecadação na fabricação, distribuição e instalação dos equipamentos. “Antes de terminar a instalação, o governo já ganhou”, aponta.

Rodrigo Sauaia esteve em Natal na última sexta-feira (8), participando de um encontro promovido pelo Conselho Técnico e Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) no campus central do IFRN, em Natal. A reunião foi a segunda de uma série de cinco que serão realizadas ao longo do ano. “É um evento voltado para a interação entre a academia, a parte científica, e as empresas. Faz parte das atividades do conselho que é justamente onde estão professores, orientadores e pesquisadores que são convidados por nós para se juntarem a nós, com várias universidades do país na área de energia e recursos naturais. Esse conselho visa essa interação entre essas universidades e delas com as empresas”, explica Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Cerne.

SETOR TEM PREJUÍZO SEM LEILÕES

Nove bilhões de reais deixaram de ser investidos ano passado no Brasil, por causa do cancelamento dos dois leilões de compra de energia que foram anunciados pelo governo federal e eram aguardados pelos investidores. O dado é da Absolar. Desse total, o setor não sabe quanto poderia ter vindo para o Rio Grande do Norte. A certeza é que seria pouco. Esse tipo de compra é o de energia concentrada, fornecida por grandes usinas construídas pelas empresas contratadas para fornecer energia ao sistema nacional.

Rodrigo Sauaia explica que o Rio Grande de Norte, assim como outras unidades federativas do Nordeste, encontra dificuldade na atração deste tipo de investimento por falta de infraestrutura, como disponibilidade de linhas de transmissão – diferente de São Paulo e Minas Gerais. Embora os estados do Sul e Sudeste tenham menos disponibilidade de sol, contam com infraestrutura, logística e demanda de consumo.

Para Jean-Paul Prates, do Cerne, a região nordestina precisa criar um ambiente favorável, como foi feito no caso da energia eólica. Nesse sentido, ele aponta que o estado está caminhando positivamente.

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Jean-Paul Prates,diretor-presidente do Cerne. (Foto: Fábio Cortez)

“Quando nós começamos o trabalho em relação à eólica, havia um deserto de circunstância e tivemos que criar um ambiente favorável para a energia eólica. É a mesma coisa com a solar”, pontua Prates. Ele salienta que o estado não pode esperar apenas pelos leilões e pelo investimento do governo federal em linhas de transmissão. O diretor do Cerne considera que, sem um calendário de leilões, os fabricantes tendem a não investir no país. Isso poderia inclusive ter afastado o investimento da chinesa Chint Eletrics, que anunciou instalação de fábrica de placas fotovoltaicas no município de Extremoz, Região Metropolitana de Natal. “Os leilões são cruciais para indicar o caminho, principalmente para os fabricantes”, pondera. Sem geração concentrada e sem fornecedores, a expansão do sistemas de geração distribuída (aqueles instalados individualmente pelo consumidor final) também têm maior dificuldade de crescimento, pois se torna mais caro.

Prates atribui a garantia do investimento chinês ao trabalho da administração do estado e de instituições como da Federação das Indústrias (Fiern). “Os estados também podem se mover. E temos feito coisas acertadas. No caso da solar, é importante atrair fabricantes. Tivemos o anúncio da fábrica da Chint. É um agente muito importante e sério no mercado internacional, nessa área de fabricação de painéis e de equipamentos em geral. É um gigante na fabricação de equipamentos elétricos. Não foi dada a devida importância a esse anúncio, porque caso essa fábrica venha se viabilizar, tem um enorme potencial de geração de empregos, contratação de outros subcontratados e fornecedores que vão gravitar no entorno dela”, aponta.

Prates lembrou que, diferente da energia eólica, a matriz solar tem uma gama maior de modelos de geração e que a atração de empresas, mesmo internacionais, também pode fortalecer o parque tecnológico do estado, tornando-o referência no país.

Se na eólica o desafio era primeiro ter uma melhor infraestrutura de portos para poder atrair fabricantes, no caso da solar, o estado deve primeiro se concentrar em atrair esses fornecedores. Criando uma “massa crítica”, o Rio Grande do Norte teria maior poder de atração de infraestrutura de linhas de transmissão, destaca Prates. “Quando você tem uma tecnologia competitiva, fabricada no Brasil, você passa a dominar essa tecnologia e ter controle sobre isso. A política é diferente”.

USINAS MENORES

Para Rodrigo Sauaia, mesmo sem leilão, o estado pode aproveitar  o sol para geração concentrada.   “O estado tem dados mais granulares (mais detalhados) a respeito da sua estrutura de transmissão e distribuição, de modo que existem espaços potenciais em que usinas podem ser instaladas para atender uma demanda local. Para isso é preciso que o governo faça um mapeamento, e ajude a indicar para o setor onde existem esses espaços”, explica. De acordo com ele, a Cosern (Companhia Energética do RN) também pode ser uma base de dados para que o governo faça um mapeamento na área de distribuição: “Ele pode receber usinas de porte menor, por exemplo, de cinco megawatts. Já é um porte significativo. Essas usinas não participam de leilão, portando o fornecedor não está competindo com o custo de geração, mas com a tarifa cheia, incluindo impostos e encargos. Nesse sentido, a energia solar se mostra bastante competitiva, barata”.

Fonte: Igor Jácome | Novo Jornal

Chineses confirmam fábrica para energia solar no Rio Grande do Norte

O grupo chinês Chint Electrics Co. deverá iniciar até o fim de 2018 a operacionalização de uma fábrica de placas fotovoltaicas para geração de energia solar no Rio Grande do Norte, cuja instalação foi confirmada ontem para o município de Extremoz, na Região Metropolitana de Natal (RMN).

O governador Robinson Faria (PSD) informou que a fábrica de placas fotovoltaicas será a primeira do grupo chinês a ser instalada na América Latina. Na primeira fase o investimento será de R$ 112 milhões e vai demandar 1.300 empregos diretos e indiretos, conforme informaram os diretores da companhia chinesa Jackie Xiang e Charles Zang.

A confirmação da instalação da fábrica numa área de 25 hectares, próximo à praia de Pitangui, em Extremoz, ocorre após encontro  de representantes do Governo do Estado com o grupo, na China.  Em fevereiro desta ano o governador Robinson Faria e auxiliares da administração visitaram o país para manter contatos com os investidores e consolidar a atração da indústria. Na ocasião, foi assinado um protocolo de intenções com a empresa.

“Foi muito produtiva a nossa missão comercial à China, porque fizemos contatos importantes e apresentamos as potencialidades do Rio Grande do Norte, não só na área de energia, mas também em relação às exportações de frutas, peixes, camarão”, afirmou o governador, que ainda enxerga a chegada da Chint como a abertura de um grande mercado para as empresas do RN.

A unidade da Chint no Rio Grande do Norte atenderá o mercado brasileiro e das Américas. “Faremos todo o esforço para instalar a unidade o mais breve possível aqui no estado, aproveitando esse ambiente economicamente favorável”, disse Jackie Xiang.

Robinson Faria destacou: “O nosso Governo trabalha para recuperar a economia, para criar oportunidades de emprego e renda. Hoje iniciamos uma nova etapa para o desenvolvimento do Estado com a confirmação dos investimentos da Chint, que é a segunda maior fabricante de placas fotovoltaicas do mundo e que vai atrair outros investimentos, inclusive no fornecimento de produtos e peças à Chint”.

À solenidade na sede da Governadoria em Natal também participaram os secretários de Estado do Gabinete Civil, Tatiana Mendes Cunha, do Desenvolvimento Econômico, Flávio Azevedo, da Comunicação, Juliska Azevedo, os diretores do Idema, Rondinelli Oliveira, da Potigás, Carlos Alberto Santos, os dirigentes da FIERN, Pedro Terceiro e Vilmar Pereira, os prefeitos de Extremoz, Joaz Oliveira e de Macau, Túlio Lemos.

Fonte: Tribuna do Norte

Desconto na conta de luz estimula popularização de usinas domésticas

Cresce no país o número de casas, comércios e indústrias que têm suas próprias usinas de produção de energia a partir de fontes renováveis.

De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), desde que a geração distribuída (feita por consumidores independentes) foi regulamentada, em 2012, saltou de 4 para 9.819 o total de usinas próprias.

Arte - Folhapress

Arte – Folhapress

A maior parte delas (99%) é construída com painéis fotovoltaicos. O 1% restante é repartido entre as demais fontes renováveis, como a eólica. “É uma geração que reduz as perdas na distribuição e alivia a rede”, diz Marco Aurélio Castro, especialista em regulação da Aneel.

As casas tem o maior número (79%) de usinas. O comércio aparece com 15%. Fazendas e órgãos públicos reúnem 4%, e a indústria, 2%. Essa produção sustentável já é capaz de abastecer o consumo residencial de uma cidade como Santos (SP), de 434 mil habitantes. Mas ainda há muito a avançar. Toda a produção a partir de painéis fotovoltaicos representa hoje 0,02% da matriz elétrica nacional, diz a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O preço dos equipamentos é um dos entraves do setor.

Para o mercado, o consumidor que procura o serviço tem consciência ambiental. “Mas também é um público que não quer ficar refém dos aumentos feitos pelas distribuidoras”, diz Rodrigo Sauaia, presidente da Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica).

O valor médio da conta de energia no país, incluindo todas as classes de consumo e os impostos, cresceu 6,4% em 2016 em relação ao ano anterior, segundo a Aneel.

Quem quer aderir ao sistema precisa solicitar uma autorização da concessionária, que pode levar até 60 dias. O projeto precisa ser assinado por um engenheiro eletricista, e a instalação deve ser feita por uma empresa do ramo.

Além de sair da dependência tarifária, esse tipo de geração possibilita produzir energia num lugar e consumi-la em outro. Ou ainda usar o excedente em créditos para pagar uma conta futura.

Aluguel

Se comprar uma usina ainda pesa no bolso, já é possível contratar uma assinatura mensal de energia limpa.

A start-up Renova Green, de Curitiba, fornece o serviço, no momento, apenas para quem vive na cidade. Com R$ 19,90 por mês, o cliente aluga dois painéis fotovoltaicos que serão instalados em sua casa. “A economia pode chegar a R$ 40 na conta”, diz o sócio Reinaldo Cardoso. A empresa cobra a instalação dos equipamentos (R$ 299).

O bancário Nelson Lubas, 46, optou pelo plano mínimo. Ele diz que tem economizado entre 15% e 20% na fatura. “Quero mais três placas para economizar 60%.”

O governo prevê que 2,7 milhões de consumidores devam gerar energia até 2030, equivalente a uma geração de meia usina de Itaipu. “O preço dos equipamentos está menor agora, as empresas têm isenção fiscal, e o consumidor está mais consciente”, afirma Sauaia.

Fonte: Dhiego Maia | Folha de São Paulo

Revolução da energia barata chegou e o carvão está de fora

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas na terça-feira (25) pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

EDP Renováveis aumenta produção no Brasil em 170%

A EDP Renováveis produziu no Brasil um total de 147 gigawatts hora (GWh) durante o primeiro trimestre, a partir dos seus parques eólicos, mais 170% do que no mesmo período do ano passado, segundo as informações publicadas pela empresa do grupo EDP.

O Brasil foi o mercado no qual a EDP Renováveis teve o maior crescimento de produção em termos relativos, beneficiando de um aumento do fator de utilização dos parques eólicos de 30% para 33% e também de um acréscimo da capacidade instalada.

No final de março a EDP Renováveis tinha ainda em construção 127 megawatts (MW) de nova potência, nos projetos Jau e Aventura, que se irão somar aos 203 MW que a empresa já tem em operação no mercado brasileiro.

A companhia terminou o primeiro trimestre com 10.410 MW de capacidade instalada a nível mundial, mais 702 MW do que em março do ano passado.

Globalmente a produção da EDP Renováveis subiu 2%, para 7.719 GWh. O aumento da capacidade instalada acabou por compensar a descida que o grupo registou no fator médio de utilização dos seus parques, com a empresa a lembrar que o primeiro trimestre de 2016 teve um recurso eólico especialmente elevado.

EDP Brasil aumenta número de clientes

No mercado brasileiro o grupo EDP também divulgou alguns dos seus dados operacionais, revelando que no negócio de distribuição de energia fechou o primeiro trimestre com 3,34 milhões de clientes, mais 2,3% do que no mesmo período do ano passado.

Em volume de energia distribuída a EDP Brasil teve um ligeiro aumento de 0,2%, para 6.268 GWh, informou a companhia num comunicado ao mercado.

A distribuidora EDP Espírito Santo registou um decréscimo de 1,4% no volume de energia distribuída, enquanto a EDP São Paulo teve um crescimento de 1,4% em termos homólogos.

Fonte: Portugal Digital

Gigante chinesa compra parques eólicos no Brasil

A gigante chinesa State Power Investment Corporation (SPIC) comprou os ativos da Pacific Hydro Brasil, uma companhia australiana com atividades de geração elétrica na Austrália, no Brasil e no Chile, incluindo dois parques eólicos no País: Millenium e Vale dos Ventos. O valor do negócio não foi divulgado.

Os parques eólicos brasileiros envolvidos na transação totalizam 58 MW de capacidade instalada no estado da Paraíba, no Nordeste, sendo que o grupo chinês já anunciou ter interesse em ativos de geração hidrelétrica de grande porte, ativos eólicos e a participação nos próximos leiloes eólicos a serem promovidos pelo governo brasileiro, como parte do seu plano de expansão no país e na América Latina  com foco em energias renováveis.

A SPIC possui ativos totais de US$ 113 bilhões pelo mundo e sua capacidade instalada total ultrapassa 110 GW, com cerca de 140 mil empregados ao redor do mundo. Seus negócios incluem geração, carvão, alumínio, logística, finanças, proteção ambiental e indústrias de alta tecnologia, e têm presença em 36 países e regiões no exterior, incluindo Malta, Japão, Turquia e Vietnã.

Já a Pacific Hydro opera há mais de 20 anos no desenvolvimento, construção e operação de projetos de energia renovável, trading de energia elétrica e créditos de carbono, possuindo projetos de energia eólica, solar e geotérmica, com mais de 850 MW de ativos hidrelétricos e eólicos em operação e mais de 2.000 MW em desenvolvimento de projeto.

Fonte: PetroNotícias

Workshop internacional discute mercados sustentáveis para o setor energético

Recife sedia, entre os dias 4 e 6 de abril, o primeiro workshop internacional “Energia Renovável e Inovações Interconectadas: Mercados Sustentáveis do Século XXI”. Especialistas em energia, empresários e gestores públicos do Brasil e dos Estados Unidos tem espaço para trocar experiências visando gerar modelos de negócios e projetos comerciais entre os dois países para atender as necessidades de um setor energético em evolução.

A iniciativa é uma parceria do Governo de Pernambuco com o Consulado Geral dos Estados Unidos no Recife e com o Governo da Califórnia, estado americano considerado referência no uso de novas tecnologias para as energias renováveis.

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual  de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco,  Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e o Secretário Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Sérgio Xavier. (Foto: CERNE)

O Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Olavo Oliveira, participa do evento, que reúne empresas como a americana Tesla, conhecida mundialmente por desenvolver tecnologia de ponta para veículos elétricos.

“No primeiro dia tivemos debates com palestrantes nacionais incluindo o Rodrigo Sauaia (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica) e o David Hochschild e Angelina Galiteva, ambos membros do comitê de energia da Califórnia”, disse Olavo.

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Olavo Oliveira e a Consulesa Americana para Assuntos Comerciais, Paloma Gonzalez. (Foto: CERNE)

Durante o workshop foi lançado o projeto “Noronha Carbono Zero”, que pretende transformar o arquipélago de Fernando de Noronha em um local que gera 100% de sua energia através de fontes renováveis e o primeiro território livre de emissão de carbono do país.

O evento segue até esta quinta-feira (06) com uma discussão sobre políticas públicas pelo Ministério de Minas e Energia, a questão da água em relação às energias renováveis e, finalizando a programação, serão formados grupos de trabalho para a elaboração de propostas para o projeto sustentável em Noronha.

Fonte: CERNE `Press