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BNDES capta US$ 1 bi para apoiar projetos de energia eólica e solar

O BNDES concluiu nesta terça-feira captação de US$ 1 bilhão em títulos “verdes” (green bonds) no mercado internacional, informou o banco em nota. O montante será usado para financiar projetos de energia limpa — eólica e solar — e faz parte da estratégia da instituição de ampliar o apoio a investimentos sustentáveis. É a primeira vez que um banco brasileiro faz uma emissão externa de green bonds.

A expectativa inicial era levantar US$ 500 milhões com a operação. Como a demanda atingiu US$ 5 bilhões, o banco resolveu dobrar o volume da emissão. Foram contemplados pouco mais de 250 investidores, dos quais 94% nos Estados Unidos e na Europa. A última vez que o banco fez uma emissão no exterior foi em 2014.

O título terá juro de 4,8% ao ano, o que representa prêmio de 2,7 pontos percentuais sobre a referência de mercado, que é o título do Tesouro americano, e 0,6 ponto pencentual sobre os títulos públicos brasileiros emitidos no exterior. O vencimento dos papéis será de sete anos.

Os green bons são papéis com características similares aos bonds convencionais, porém os recursos obtidos devem ser destinados a financiar projetos ambientalmente sustentáveis, atestados por uma empresa verificadora, especializada na área ambiental. No caso do BNDES, os recursos irão para novos projetos ou já existentes na carteira do banco.

A diretora da área de energia, gestão pública e socioambiental do BNDES, Marilene Ramos, disse que, considerando média de R$ 500 milhões em financiamento por projeto, o montante captado pode ser usado para apoiar seis projetos. Entre 2003 e 2016, somente no setor de energia eólica, o BNDES aprovou 87 operações de crédito, num total de R$ 28,5 bilhões de crédito, proporcionando aumento de capacidade instalada de cerca de 10,7 gigawatts (GW).

— Os projetos de energia eólica e solar são, em boa parte, no semiárido brasileiro, regiões pobres que não têm muita alternativa de geração de renda — ressaltou Marilene.

O BNDES tem sobra de caixa e vem sendo acusado por alguns empresários de estar represando a concessão de crédito. O diretor financeiro do banco, Claudio Coutinho Mendes, disse que o objetivo da operação é reforçar a imagem do banco no apoio a projetos verdes e manter os canais abertos com investidores internacionais para eventuais captações futuras. Ele afirmou, porém, que não há intenções de fazer novas emissões externas no curto prazo.

— Os green bonds acessam um perfil diferente de investidor, que não está preocupado apenas com o retorno financeiro. Além disso, o BNDES estava fora do mercado de captações externas desde 2014. É preciso manter os canais azeitados — afirmou Coutinho.

Fonte: O Globo

Fusões e aquisições no setor elétrico brasileiro movimentaram US$ 7,7 bilhões

No ano passado, as operações de fusões e aquisições no setor elétrico e de serviços de utilidade pública nas Américas movimentaram US$ 99 bilhões, de acordo com relatório da E&Y. Para a consultoria, o Brasil e a Argentina despontaram como mercados aquecidos para receber os investimentos. Só o Brasil movimentou US$ 7,7 bilhões, em 18 operações.

O nível das atividades só aumentou ao longo do ano: de US$ 809 milhões (duas operações) no primeiro trimestre, para US$ 954 milhões (duas operações) no segundo, US$ 1,935 bilhão (três operações) no terceiro e, finalmente, US$ 4,062 milhões no último trimestre do ano (de dez operações).

Entre os negócios fechados estão, por exemplo, a venda de ativos hidrelétricos da Duke Energy para a China Three Gorges e de participação na CPFL para a State Grid, além da compra da Celg D pela Enel.

Em 2017…

Para a E&Y, algumas das tendências de fusões e aquisições para o setor de energia elétrica e prestação de serviços públicos (como a distribuição) são: a maior atividade envolvendo ativos renováveis, o ingresso de empresas e fundos de investimento chineses, que continuam buscando diversificar seus portfólios, e a saída de companhias para seus mercados domésticos, como ocorreu com a Duke.

Além disso, a consultoria avaliou, em relatório sobre o terceiro trimestre, que “a instabilidade política, as flutuações cambiais, a seca e baixa demanda de energia tornam os negócios no Brasil desafiadores”. Mais uma vez, a saída da Duke é citada como exemplo.

Por outro lado, avalia a consultoria, as empresas de serviços públicos chinesas, com uma dívida barata dos bancos domésticos e uma clara intenção de expansão para mercados emergentes, estão agressivas no mercado brasileiro.

Fonte: Brasil Energia | Lívia Neves

Financiamento e oportunidades dão novo fôlego para energia solar no Brasil

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou em 2016 um aumento de até 80% no financiamento para projetos de energia solar, em Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), disse o executivo do BNDES, Adriano Zanetti.

“Esse reforço no apoio às fontes alternativas vai aumentar ainda mais a participação da fonte solar na matriz energética brasileira e vai extinguir apoio a investimentos em usinas com maior emissão de poluentes como termelétricas a carvão e óleo combustível”, explicou Zanetti durante o Solar Invest 2017, realizado nesta quarta-feira (8) em Natal/RN.

Os investimentos internacionais também tiveram espaço para debate durante o evento. A representante da Agência Brasileira de Promoção a Exportação e Investimentos (Apex), Aline Oliveira, afirmou que no ano passado grandes players estrangeiros apostaram seus investimentos no mercado brasileiro, sobretudo no segmento das energias renováveis.

“A Canadian Solar, uma das maiores empresas globais no ramo das renováveis, anunciou investimentos de 2 bilhões em projetos de geração fotovoltaica no Brasil”, salientou a executiva.

O potencial econômico da cadeia produtiva foi discutido pelo diretor da empresa de consultoria Eolus, Rafael Valverde. Para ele, os fabricantes tem interesse no mercado solar brasileiro, mas é preciso vencer algumas barreiras: “É necessário mais oportunidades para os fornecedores, em especial no Nordeste. Também é importante que a questão tributária seja aperfeiçoada para a cadeia de valor”, frisa.

Paulo Morais, diretor de energia solar do CERNE e CEO da New Energy, e Helder Ferreira, diretor da empresa Enerbras, mostraram cases de projetos de sistemas fotovoltaicos como oportunidade para consumidores residenciais e empreendimentos reduzirem seus gastos na conta de energia. “Apesar do custo elevado para aquisição do sistema, o consumidor pode ter a certeza que, a médio e longo prazo, terá um retorno satisfatório do valor investido”, enfatiza.

A geração distribuída foi o assunto trazido pelo professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Augusto Fialho. O docente mostrou os sistemas fotovoltaicos instalados nos Campi em todo o Estado. “Temos 12 usinas fotovoltaicas em operação e gerando cerca de 1.203MW de energia ao todo. Só o sistema instalado no Campus Central, em Natal, gera 197KW de potência. Teremos mais nove usinas solares instaladas em unidades localizadas no interior até março deste e que irão produzir mais 744,12KW de energia limpa”.

Fonte: CERNE Press

Brasil pode estar entre o clube dos 1GW, afirma presidente da Absolar

A energia solar está conquistando seu espaço aos poucos no Brasil e as previsões parecem ser animadoras para o setor. O presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar), Rodrigo Sauaia, afirmou em entrevista à Recharge que o país se unirá ao clube das nações com 1GW de capacidade este ano.

De acordo com as projeções estimadas pelo Governo Federal, a geração fotovoltaica em grande escala deve atingir 7GW em 2024, enquanto a geração distribuída poderá alcançar 4,5GW.

A publicação também afirma que o calcanhar de Aquiles da política energética no Brasil, no âmbito das renováveis, tem sido a falta de um planejamento contínuo e exemplifica tal fato citando o recente cancelamento do leilão de energia de reserva, que estava marcado para acontecer no fim do ano passado.

Diante desta situação, a Absolar tem se reunido com o governo para que novos leilões aconteçam. “A indústria solar gera emprego e pode ajudar o país a voltar ao crescimento, para o qual precisa de visibilidade de cinco a dez anos, mas hoje nosso horizonte é de apenas dois anos”, disse Sauaia.

O setor fotovoltaico, no entanto, está crescendo a uma taxa de 300%, impulsionado pela queda dos custos de instalação e aumento da tarifa de energia. Mas a falta de financiamento, de medidas de isenção fiscal e outras políticas governamentais dificultam o crescimento pleno do setor.

Mesmo com este panorama, o presidente da Absolar é otimista. A matéria destaca que alguns governos estaduais estão implementando programas solares para fomentar novos empregos, incluindo medidas para suprir edifícios públicos com energia solar.

Sauaia afirma que a Absolar, juntamente com a Agência Alemã de Desenvolvimento (GIZ), a Associação Brasileira de Geração Distribuida (ABGD) e universidades, estão pesquisando o desenvolvendo de padrões para instaladores, enquanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) está preparando um programa de pesquisa e desenvolvimento de novos modelos de negócios e desenvolvimento de armazenamento.

Fonte: CERNE Press

BNDES: desembolso para energia elétrica cai 56% em 2016

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desembolsou R$ 9,6 bilhões para investimento em projetos no setor de energia elétrica em 2016. Na comparação com 2015, houve retração nominal de 56% nos desembolsos totais do banco para o segmento. Aprovações, enquadramentos e consultas tiveram queda nominal de 32%, 37% e 28%, respectivamente. Os dados foram divulgados na última terça-feira, 31 de janeiro.
Considerando o desempenho do setor de infraestrutura, que inclui além de energia, construção, transporte, telecomunicações e outros, o banco desembolsou um total de R$ 25,9 bilhões, retração de 53% em relação aos desembolsos realizados em 2015. As aprovações somaram R$ 22,9 bilhões, queda de 44%.
Considerando o desempenho total do banco, o BNDES desembolsou R$ 88,3 bilhões para investimento em 2016. O destaque foi a atuação no curto prazo no financiamento do capital de giro das empresas brasileiras através do Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacidade de Geração de Emprego e Renda (BNDES Progeren). No contexto de retração do investimento e manutenção do cenário recessivo no 2º semestre de 2016, o programa desembolsou R$ 2,7 bilhões, com alta de 68% em relação ao ano anterior.
“Para 2017, espera-se uma conjuntura mais favorável, com expectativa de recuperação gradativa da economia e da demanda por recursos do BNDES ao longo do ano”, escreveu o banco em nota à imprensa. “Sinais macroeconômicos recentes, como a queda da inflação oficial, a redução do endividamento das famílias, a perspectiva de queda da taxa de juros e a melhora no nível de confiança no final de 2016 compõem este cenário.”
Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Investimentos e Finanças

Primeira cidade inteligente para população de baixa renda está sendo construída no Ceará

Em Croatá, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, está sendo construída a primeira smart city social do país, uma cidade inteligente que atenderá área com forte déficit habitacional e de outros serviços. Será o primeiro protótipo real de uma cidade inteligente para população de baixa renda. O empreendimento terá 330 hectares. As moradias possuem preços similares aos da faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), entre R$ 99 mil e R$ 145 mil, e tamanhos entre 45 m² a 65 m², dependendo de um dos cinco modelos oferecidos. Os lotes estão à venda por R$ 23,4 mil e podem ser pagos em até 120 meses.

A nova cidade se chama Croatá Laguna Ecopark e é uma iniciativa conjunta de duas organizações italianas, Planeta Idea e SocialFare – Centro para Inovação Social, com a StarTAU, Centro de Empreendedorismo da Universidade de Tel Aviv.

O habitante estará imerso num sistema social integrado, com sinal wi-fi liberado, aplicativos específicos para serviços de transporte alternativo, compartilhamento de bicicletas e motos, pagamentos via smartphone, além de reaproveitamento das águas residuais, controle computadorizado da iluminação pública e praças dotadas de equipamentos esportivos que geram energia. A tecnologia também oferecerá ajuda para desenvolver programas sociais, como cursos de prevenção médica, nutrição, alfabetização digital e hortas compartilhadas. O projeto deve ficar pronto no final de 2017, segundo os idealizadores.

Smart City

A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços.

Veja vídeo sobre o projeto.

Fonte: CERNE Press com informações do jornal O Povo e Confereração Israelita do Brasil

Relatório Rethinking Energy é lançado durante assembleia geral em Abu Dhabi

A terceira edição do Rethinking Energy da Agência internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), foi lançado no último domingo, 15 de janeiro, durante a sétima assembleia geral da entidade, realizada em Abu Dhabi. Na publicação o destaque ficou para a queda de custos das fontes, movimento impulsionado pela inovação tecnológica e políticas que vêm estimulando a implantação de energias renováveis, associadas a uma miríade de benefícios sócio econômicos.

A publicação destaca como os investimentos globais em renováveis vêm crescendo constantemente por mais de uma década, passando de menos de US$ 50 bilhões em 2004 para um recorde de US$ 305 bilhões em 2015. E, apesar deste enorme crescimento, aponta a entidade os atuais níveis de aportes e implantação de projetos estão a avançar ainda mais para cumprir as metas internacionais de redução de carbono.
Segundo avaliação do diretor geral da Irena, Adnam Amim, as renováveis estão ganhando terreno em qualquer tipo de comparação e que acelerar o ritmo dessa transição energética, bem como expandir seu alcance para além do setor de energia não só reduzirá as emissões de carbono, bem como melhorará a vida das pessoas, criará empregos, atingirá as metas de desenvolvimento e assegurará um futuro mais limpo.
Mas alertou ainda que à medida que avança em direção a um novo paradigma de energia, o mundo precisa continuar a acelerar os esforços de descarbonização. E nesse sentido, políticas públicas continuam a ser cruciais para este fim. E apontou que os segmentos de aquecimento, refrigeração e o potencial das renováveis para o transporte são áreas onde os esforços futuros são necessários.
O relatório lançado pela entidade traz a perspectiva de que a fonte solar fotovoltaica crescerá rapidamente em capacidade instalada e geração e que as novas formas de armazenamento representarão uma aliada importante para o crescimento das fontes intermitentes. “A Irena estima que o armazenamento poderá crescer do atual status de menos de 1 GW para 250 GW até 2030”, indicou.
Além disso, as renováveis que não estão conectadas à rede proveem energia para cerca de 90 milhões de pessoas. O relatório da entidade aponta como essa tecnologia pode proporcionar o acesso de energia moderna a centenas de milhões de pessoas e assim levá-las a alcançar os objetivos de desenvolvimento.
Ainda durante a sétima assembleia da Irena, foi anunciado que quatro projetos em países em desenvolvimento foram selecionados para receberem US$ 44,5 milhões em recursos destinados pelo Abu Dhabi Fund for Development e Irena. São eles Ilhas Marshall, Níger, Seychelles e Ilhas Salomão.
Ambos os assuntos foram abordados na assembleia que ocorreu em 14 e 15 de janeiro em Abu Dhabi, que contou com representantes de mais de 150 países e lideres de organizações internacionais. Os destaques desse ano foram duas mesas redondas que abrangeram a inovação no setor de energia e catalisaram a implantação de fontes renováveis off-grid para o desenvolvimento. E ainda, discussões pragmáticas sobre como a captação do setor privado para investimentos em renováveis bem como a descarbonização por meio da inovação.
Fonte: Agência CanalEnergia, Investimentos e Finanças

Energia eólica deu certo no Brasil, mas corre risco de recuar

No dia 11 de outubro, 48% da energia elétrica consumida na Região Nordeste foi gerada por usinas eólicas — um recorde. Em meio à pior crise hídrica da história da região, a energia produzida pelo vento está ajudando a abastecer milhões de nordestinos, evitando, por ora, o risco de racionamento. Em 2013, essa fonte era responsável por menos de 5% da energia da região. No Brasil, a energia eólica já representa 7% da matriz elétrica — fatia superior à soma das participações da energia nuclear e da gerada por carvão mineral.

Apesar do rápido crescimento das eólicas nos últimos anos, os empresários do setor nunca estiveram tão pessimistas em relação ao futuro. “O setor vive um nível de incerteza inédito. Devido à pouca demanda nos leilões, o mercado pode ter uma grande queda em 2019 e 2020”, afirma o consultor Brian Gaylord, da dinamarquesa Make, especializada em energias renováveis. “Isso causa muita preocupação em toda a cadeia produtiva.”

Desde que começou a ganhar força no país, em 2009, a energia eólica entrou na agenda positiva do governo. É fácil entender o motivo: ela é limpa, competitiva e sua implantação é mais rápida do que quase todas as outras fontes. Sua capacidade de geração cresceu de 600 megawatts para os atuais 10 gigawatts — expansão de mais de 1 000% em sete anos. Foram mais de 48 bilhões de reais de investimento no período.

Com as exigências de conteúdo nacional do BNDES para conceder financiamentos de longo prazo, uma grande cadeia produtiva cresceu em torno das encomendas para a implantação dos 741 parques eólicos previstos no país até 2020. O impulso ao setor foi dado pela crise financeira que derrubou mercados mundo afora em 2008. No ano seguinte, quando ocorreu o primeiro leilão no Brasil exclusivo para a eólica, a baixa demanda energética nos países desenvolvidos gerou ociosidade nas fábricas de componentes eólicos.

Sem muitas alternativas, gigantes multinacionais aceitaram os termos do BNDES e investiram bilhões de reais para nacionalizar sua produção no Brasil. Hoje há seis fabricantes de turbinas eólicas no país, entre elas a dinamarquesa Vestas, a americana GE e a espanhola Gamesa, e quatro fabricantes de pás, como a brasileira Tecsis. Juntas, elas têm capacidade anual para produzir equipamentos para gerar 3 gigawatts de energia, ou 20% da potência da usina hidrelétrica de Itaipu.

Com a desaceleração da economia, no entanto, a demanda energética caiu — e as empresas quebram a cabeça agora para encontrar uma saída para o excesso de capacidade produtiva. Para funcionar bem, o mercado de energia elétrica exige previsibilidade e planejamento. A razão é simples: o setor trabalha com antecedência de três a cinco anos. Ou seja, os projetos contratados em 2016 serão entregues, no mínimo, em 2019.

Por isso, a maioria dos fabricantes de componentes tem encomendas até o início de 2018 e a capacidade instalada ainda crescerá nos próximos dois anos como reflexo, em grande medida, das contratações de 7 gigawatts em leilões realizados em 2013 e 2014 — as maiores até agora. No ano passado, porém, a contratação caiu para 1,1 gigawatt. E, neste ano, está marcado para 19 de dezembro o único leilão para eólicas de 2016.

“Se a contratação continuar baixa por mais dois anos, corremos o risco de um colapso na cadeia de fornecedores”, diz João Paulo Gualberto, diretor de novas energias da catarinense WEG. “Quem veio atender ao conteúdo local com fábricas de baixo investimento pode facilmente ir embora.”

Vacas magras

Entre empresários do setor, a expectativa é que a contratação deste ano fique no mesmo patamar de 2015. “O cenário é desafiador, mas não catastrófico”, diz Élbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica. Para o governo, é preciso tomar cuidado para não inflar artificialmente o setor. “Não vai haver ruptura da cadeia, mas será um período de vacas magras”, afirma Eduardo Azevedo, secretário de Planejamento Energético do Ministério de Minas e Energia.

A crise atual, segundo especialistas, poderá acelerar o movimento de concentração do setor. Na área de turbinas, é consenso que há excesso de fabricantes — apenas quatro teriam espaço para atuar no país. Entre as produtoras de pás eólicas, a Tecsis já fechou duas fábricas neste ano e demitiu 1 500 funcionários.

Segundo fontes do mercado, a Tecsis teria ajustado sua produção não somente pela diminuição da demanda mas também em consequência da compra da francesa Alstom e da fabricante de pás LM pela GE, maior fabricante de turbinas do país. A incorporação dessas duas empresas pela GE já gerou o cancelamento de pedidos para a Tecsis.

Além da desaceleração da demanda, o setor enfrenta dificuldade para financiar seus empreendimentos. Falta de recursos, ao que parece, não é problema. Desde 2015 o BNDES destinou mais de 14 bilhões de reais a projetos eólicos. O problema é o hiato entre a contratação no leilão e a liberação dos recursos, o que pode demorar até 24 meses. Com isso, muitas usinas entram em operação sem o financiamento do banco.

Para contornar o problema, investidores costumam contratar empréstimos-ponte — a um custo maior — em bancos comerciais até conseguir a liberação do BNDES. Neste ano, com a transição do comando do banco e o aperto no mercado de crédito, a situação ficou mais difícil. “Se o recurso demora a chegar, há desaceleração ou até paralisação das obras”, diz José Roberto de Moraes, presidente da Atlantic Energias Renováveis, que investe em parques eólicos no país.

Apesar das incertezas, no longo prazo o Brasil é visto como um dos mercados mais promissores do mundo. Em setembro, o país ratificou seu compromisso com o Acordo de Paris de cortar 37% das emissões até 2025, o que incentiva as energias renováveis. Além disso, o plano decenal do governo prevê ampliar a energia eólica para 24 gigawatts até 2024. “É ingênuo acreditar que a queda de demanda ocorra sem dores”, diz Mauro Cruz, executivo da área de renováveis da GE. “Mas essa é uma oportunidade para melhorar a produtividade e diminuir o custo da energia.” Com um cenário de ajuste no horizonte, resta saber quem vai sobreviver para tocar esses projetos.

Fonte: Luciano Pádua | Exame

COP 21: Compromisso pode trazer R$ 125 bi em investimentos para solar no Brasil

Os compromissos assumidos pelo Brasil na COP21 podem trazer R$ 125 bilhões em investimentos para o setor solar no Brasil até 2030, calculou a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). A projeção teve como base os resultados de estudos realizados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para definir as metas nacionais de redução de emissões de gases de efeito estufa, conforme os compromissos assumidos pelo Brasil no Acordo de Paris, que entrou em vigor em novembro de 2016.

Segundo a nota técnica da EPE, intitulada “O Compromisso do Brasil no Combate às Mudanças Climáticas: Produção e Uso de Energia”, o país precisaria inserir na matriz energética 25 GW de energia solar fotovoltaica, sendo 17 GW de geração centralizada e 8,2 GW de geração distribuída. O estudo considerou um crescimento médio do PIB de 3,7% a.a. entre 2016 e 2030. Esse é o primeiro estudo que inclui a energia solar no planejamento energético brasileiro.

De acordo com presidente-executivo da Absolar, Rodrigo Sauaia, o planejamento do governo para cumprir os compromissos do Acordo de Paris apontam para 10% da matriz elétrica abastecida por energia solar fotovoltaica em 2030. Para ele, as projeções divulgadas pela EPE são positivas, na medida em que sinalizam um esforço concreto de diversificar a matriz elétrica nacional por meio do aumento da participação de fontes renováveis com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE).

Para Sauaia, o grande destaque no estudo da EPE vai para a fonte solar fotovoltaica, cuja participação na matriz elétrica brasileira será fortemente ampliada de 0,01% em 2015 para mais de 10% em 2030, um crescimento de mil vezes em um horizonte de 15 anos, maior crescimento relativo do período. “Apesar de representar um avanço considerável frente às projeções anteriores, a Absolar recomenda uma meta nacional de 30 GW em energia solar fotovoltaica até 2030, levando em consideração o envolvimento tanto do governo federal, quanto de governos estaduais e municipais”, disse Sauaia.

De acordo com dados da Absolar, o segmento de micro e minigeração distribuída solar fotovoltaica, que registrou crescimento de 320% em 2015, conta atualmente com mais de 6 mil sistemas em todo o país, representando mais de 42 MW em potência instalada, o equivalente a mais de R$ 375 milhões em investimentos privados. Já no segmento de geração centralizada, o país conta atualmente com 3,3 GW em projetos da fonte solar fotovoltaica contratados via leilões de energia, o que deverá movimentar mais de R$ 13,5 bilhões até 2018. Para ler a nota técnica da EPE, clique aqui.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de Salvador (BA)*, Investimentos e Finanças

Leilões de transmissão devem movimentar R$ 26 bilhões em 2017

Para 2018, está sendo estudado mais R$ 16 bilhões em infraestrutura de linhas

A Agência Nacional de Energia Elétrica estimou que os leilões de transmissão em 2017 devem exigir R$ 26 bilhões em novos investimentos, informou o diretor geral da agência, Romeu Rufino, em evento realizado nesta quinta-feira, 10 de novembro, em São Paulo. O primeiro certame está previsto para março, com mais lotes do que o realizado em outubro, com expectativa de movimentar investimentos da ordem de R$ 12 bilhões.

“Para o próximo ano, temos uma expectativa de um leilão a ser realizado em março, em termos de volume de investimento parecido com esse que nós realizamos no mês passado, da ordem de R$ 12 bilhões… E teremos no curso de 2017 outros leilões, que na nossa melhor estimativa aponta para investimentos da ordem de R$ 26 bilhões”, disse Rufino durante abertura do Workshop On Power Transmission Business in Brazil, promovido pela Aneel em parceria com Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

“O Brasil, pelas suas características em termos territoriais, em questão de geração, centro de carga, tente a depender fortemente dessa infraestrutura de transmissão de energia elétrica. Por isso, estamos empenhado em fortalecer esse ambiente de negócio”, completou Rufino. Para 2018, está sendo estudado mais R$ 16 bilhões em investimentos em infraestrutura de transmissão de energia. Em 2016, foram contratados pelos leilões de transmissão R$ 18 bilhões.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia