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Eólica já é a segunda fonte da matriz elétrica brasileira com 15 GW de capacidade instalada

Os ventos passaram a ser o segundo recurso mais utilizado no Brasil para a geração de energia elétrica e já temos 15GW de capacidade instalada. São mais de 7 mil aerogeradores, em 601 parques eólicos, em 12 estados. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, 11 de abril, pela ABEEólica – Associação Brasileira de Energia Eólica, instituição que reúne cerca de cem empresas da indústria eólica, incluindo fábricas de aerogeradores, de pás eólicas, operadoras de parques eólicos, investidores e diversos fornecedores da cadeia produtiva.

“Se considerarmos que a energia eólica tinha cerca de 1 GW instalado em 2011 é um feito realmente impressionante chegarmos a ocupar este lugar de destaque na matriz elétrica. Acho fundamental destacar que há diferentes formas de observar a matriz elétrica de um País e uma das possibilidades é considerar a fonte primária de geração, ou seja, qual é o recurso utilizado para a geração elétrica. Acredito que esta é uma forma de apresentação que nos dá uma visão interessante e detalhada do que estamos utilizando para produzir energia no Brasil e, neste caso, o vento é a segunda fonte do País”, explica Elbia Gannoum. Veja, abaixo, a matriz elétrica brasileira por fonte. Os valores abaixo têm como fonte dados da ANEEL. Veja, no final deste release, um quadro explicativo sobre a construção dessa matriz.

Dos 15 GW de capacidade instalada, 86% estão no Nordeste. Veja abaixo a distribuição desse montante por região:

Estado Potência (MW) Nº de parques
RN 4.066,15 151
BA 3.934,99 153
CE 2.045,46 79
RS 1.831,87 80
PI 1.638,10 60
PE 781,99 34
MA 328,80 12
SC 238,50 14
PB 157,20 15
SE 34,50 1
RJ 28,05 1
PR 2,50 1
Total 15.088,10 601

Além dos 15 GW de capacidade instalada, há outros 4,6 GW já contratados ou em construção, o que significa que, ao final de 2023, serão pelo menos 19,7 GW considerando apenas contratos já viabilizados em leilões e com outorgas do mercado livre publicadas e contratos assinados até agora. Novos leilões e novos contratos no mercado devem aumentar os números projetados consideravelmente. A evolução de capacidade instalada da energia eólica ao longo dos anos pode ser vista abaixo:

“No caso do Brasil, além deste crescimento consistente nos últimos anos, existe um fator que tem que ser destacado sempre, que é a qualidade de nossos ventos. Enquanto a média mundial do fator de capacidade está em cerca de 25%, o Fator de Capacidade médio brasileiro em 2018 foi de 42%, sendo que, no Nordeste, durante a temporada de safra dos ventos, que vai de junho a novembro, é bastante comum parques atingirem fatores de capacidade que passam dos 80%. Isso faz com que a produção dos aerogeradores instalados em solo brasileiro seja muito maior que as mesmas máquinas em outros Países. Somos abençoados não apenas pela grande quantidade de vento, mas também pela qualidade dele”, resume Elbia.

 

Segundo dados da CCEE, em 2018, foram gerados 48,4 TWh de energia elétrica, o que representou 8,6% de toda a geração injetada no Sistema Interligado Nacional no período. Em relação a 2017, foi registrado um crescimento de 14,6% na geração de energia eólica, enquanto a geração como um todo cresceu 1,5% no mesmo período. “Se quisermos trazer isso para uma compreensão mais próxima da nossa realidade, dá para dizer que o que as eólicas produziram de energia no ano passado, em média, seria o suficiente para abastecer 25,5 milhões de residências ou cerca de 80 milhões de pessoas”, explica Elbia.

 

RECORDES

 

“Daqui a uns dois meses vamos começar a ver de novo notícias de recordes de geração de energia eólica e isso começa a acontecer porque no finalzinho de maio já estaremos entrando no período que chamamos de safra dos ventos, quando os ventos estão em sua produção máxima”, avisa Elbia.

 

No ano passado, durante a Safra dos Ventos, a energia eólica chegou a atender quase 14% do Sistema Interligado Nacional – SIN[1]. O Boletim Mensal de Dados do Operador Nacional do Sistema – ONS, referente ao mês de setembro de 2018, por exemplo, mostra que, no dia 19 de setembro, uma quarta-feira, a energia eólica chegou ao percentual de 13,98% de atendimento recorde nacional na média do dia.

 

No caso específico do Nordeste, os recordes de atendimentos a carga já ultrapassam 70% em uma base diária, mas o dado mais recente de recorde da região é do dia 13 de novembro de 2018, um domingo às 09h11, quando todo o Nordeste foi atendido por energia eólica e ainda houve exportação dessa fonte, já que o volume de 8.920 MW atendou 104% daquela demanda com 86% de fator de capacidade. Nesta mesma data, além do recorde instantâneo é importante mencionar que, por um período de duas horas, o Nordeste foi abastecido em 100% por energia eólica. Vale mencionar também que, por diversos períodos, o Nordeste assume a figura de exportador de energia, uma realidade totalmente oposta ao histórico do submercado que é por natureza importador de energia.

 

CONTRATAÇÕES EM 2018 E PREVISÕES PARA 2019

 

Em 2018 foram realizados dois leilões de energia nova, denominados  A-4 e A-6. Ambos os leilões contaram com a participação da fonte eólica. No leilão A-4, realizado em 04 de abril, foram viabilizados 4 projetos (114,4 MW de potência e 33,4 MW médios de garantia física contratada), que deverão iniciar o fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2022. Já o leilão A-6, realizado em 31 de agosto, teve uma contratação mais expressiva e foram 44 projetos eólicos (1.136,30 MW de potência e 420,10 MW médios de garantia física contratada). Neste certame, as usinas devem iniciar a operação comercial a partir de 1º de janeiro de 2024. Ao todo, foram contratados 1,25 GW de capacidade instalada, em 48 parques[2], nos leilões regulados de 2018.

Vale mencionar, ainda, que também tivemos um bom ano no mercado livre, considerando que foram realizados ao menos três grandes leilões promovidos pela CEMIG (2 certames) e Casa dos Ventos destinados à comercialização de energias renováveis. “Embora os números dessas operações não tenha sido divulgado por fontes, estimamos que, de uma forma geral, as empresas de energia eólica venderam cerca de 2 GW de capacidade instalada para o mercado livre em 2018, o que demonstra que este mercado vem se expandindo consideravelmente para o setor eólico. Considerando, portanto, os contratos de leilão e a estimativa de venda no mercado livre, tivemos uma contratação estimada de 3,2 GW em 2018”, explica Elbia.

Para 2019, já há dois leilões agendados, sendo o primeiro um A-4 no dia 28 de junho e um A-6 no dia 26 de setembro.

 

“Sempre que falamos de contratações e do futuro da fonte eólica no Brasil, gosto de reiterar um conceito muito importante: nossa matriz elétrica tem a admirável qualidade de ser diversificada e assim deve continuar. Cada fonte tem seus méritos e precisamos de todas, especialmente se considerarmos que a expansão da matriz deve se dar majoritariamente por fontes renováveis. Do lado da energia eólica, o que podemos dizer é que a escolha de sua contratação faz sentido do ponto de vista técnico, social, ambiental e econômico, já que tem sido a mais competitiva nos últimos leilões”, resume Elbia Gannoum.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE CÁLCULOS DA MATRIZ ELÉTRICAPara calcular a matriz por fonte, a ABEEólica utiliza os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica, à disposição no BIG – Banco de Informações de Geração da ANEEL.

http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/Combustivel.cfm (Se você clicar em cada fonte verá detalhes específicos de cada caso).

Na matriz apresentada acima, no texto do release, nós detalhamos os fósseis por considerar que é importante sabermos que tipos de combustíveis estamos usando. Seria possível, no entanto, fazer uma matriz ainda mais detalhada, abrindo também os tipos de insumo da biomassa, ou ainda, apresentar o potencial hídrico detalhado, separando as Grandes Usinas e as Pequenas Centrais Hidrelétricas.

O fato é que não há uma única forma de se mostrar uma matriz. É importante reiterar isso.

Poderíamos, por exemplo, juntar todas as térmicas, independente do recurso utilizado como fonte primeira, e então as térmicas estariam em segundo lugar. Poderíamos, ainda, fazer uma matriz que separasse apenas o que é recurso renovável e o térmico. No caso do Brasil, por exemplo, teríamos 83,2% da matriz renovável e 16,7% térmica.

[1] O SIN atende praticamente todo o País e é constituído por quatro subsistemas: Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte.

[2] O total se restringe à 48 parques, pois 4 parques comercializaram apenas parte de sua garantia física e, portanto, participaram dos dois leilões.

 

Fonte: http://abeeolica.org.br/noticias/eolica-ja-e-a-segunda-fonte-da-matriz-eletrica-brasileira-com-15-gw-de-capacidade-instalada/

 

Em meio à seca, vento move mais de 50% da energia no Nordeste

No dia 18 de outubro, até as 18h, a energia hidráulica respondia por 62,5% da geração do Brasil, as térmicas, por 24%, e eólicas, 9,6%, segundo dados do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico. O acumulado à mesma hora, no Nordeste, revelava uma surpresa: eram as eólicas as responsáveis por mais da metade da geração (51%) na região, seguidas pelas térmicas (32%) enquanto a energia hídrica aparecia com modestos 14%. Este perfil energético único no país, provocado pela forte seca que deprime os reservatórios pelo quinto ano consecutivo e pela forte entrada de projetos eólicos na região, chamou a atenção da direção da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que observa que o Nordeste tornou-se um laboratório de introdução de energias renováveis na matriz brasileira.

“O Nordeste tornou-se um espelho do futuro do Brasil”, disse Luiz Augusto Barroso, presidente da EPE, durante o workshop “O Futuro do Setor Elétrico – segurança e flexibilidade nos contextos de Brasil e Alemanha”, no Rio.

O desenvolvimento clássico do setor, baseado em projetos de envergadura, como os 11 mil MW da usina de Belomonte, “deixam o sistema pouco robusto a atrasos”. Projetos de energias renováveis por seu lado, com algumas centenas de MW, comprometem menos o sistema e são mais acessíveis a investidores. “O futuro é renovável e temos que permitir que a regulamentação não seja obstáculo para que isso ocorra. É um salto grande de onde estamos para onde queremos chegar”, prosseguiu Barroso.

Nos últimos anos, a escassez hídrica contribuiu para modelar o perfil energético do Nordeste. “Um sistema como o nosso está adequado aos desafios do futuro?”, questionou Marcelo Prais, assessor da diretoria geral do ONS. Há grande potencial solar nas proximidades da usina de Sobradinho, na bacia do rio São Francisco, por exemplo. Da produção eólica no Nordeste, 70% está na costa, com ventos constantes, e 30% ao sul, com ventos em rajadas.

É por isso que, no Nordeste, adiantou Barroso ao Valor, estão em curso estudos sobre os impactos da mudança climática e da vazão dos rios, em cooperação com o ONS, a Agência Nacional de Águas (ANA) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Um esforço também é aprender com a experiência de países que estão na dianteira da descarbonização, como Alemanha, Espanha, Itália e Dinamarca. “Temos ainda muitos desafios na Alemanha. Podemos estar um passo adiante em algumas questões, mas ainda não temos todas as respostas”, disse Markus Steigenberger, vice-presidente da Agora Energiewende, “think tank” alemão que atua na transição energética do país.

“Se se olhar o mapa da irradiação solar na Alemanha, dá vontade de chorar. Em novembro não há Sol nem venta muito”, seguiu Steigenberger, para quem a concepção de que energia solar e eólica são intermitentes e instáveis é conceito antigo. “Acontece uma mudança de mentalidade, mesmo na Alemanha. Se antes o operador tinha que interferir no sistema apenas uma vez ao dia, hoje tem que interferir três. Mas não há problema. Aprendeu-se como fazer isso.”

Um dos pontos em debate agora na Alemanha é o fato de o país continuar dependente de carvão. O país da “Energiewende” eliminará o nuclear e impulsiona as renováveis, mas não conseguirá cumprir a meta climática de reduzir emissões em 40% até 2020, em relação a 1990. O sistema alemão é baseado no preço das diferentes fontes de energia. Por isso, o carvão, mais barato e poluente, tem prioridade sobre o gás

O mercado europeu de crédito de carbono está com preços muitos baixos (EUR 5 por tonelada de CO2) e falha na regulação, diz o especialista. O Reino Unido estabeleceu preço mínimo para o carbono (cerca de EUR 30 a tonelada de CO2) e consegue reverter a tendência. A França propõe algo similar. Mas na Alemanha, o lobby da indústria e dos sindicatos de trabalhadores do setor de carvão resiste a mudanças.

No Brasil, a mudança climática tem outros agravantes. Um deles é a quantidade de água para resfriar termelétricas em instalação, disse André Ferreira, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). Uma usina pode consumir tanta água quanto uma cidade de 100 mil habitantes. “O futuro é de baixo carbono e a questão é como vamos chegar lá”, disse Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Fonte: Daniela Chiaretti | Valor Econômico

Energia eólica e solar recebem duas vezes mais financiamento do que combustíveis fósseis

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

RN mantém liderança nacional com 3,1GW eólicos de produção

Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) indicam que o Rio Grande do Norte tem atualmente 3,1 GW eólicos em potência instalada, ao passo que a Bahia ocupa a segunda colocação no ranking nacional, com 1,7 GW.

Para o Diretor Setorial de Infraestrutura e Engenharia Elétrica do CERNE, Milton Pinto, apesar da disputa entre os dois Estados pela primeira colocação, o RN segue a liderança com folga. “Temos uma diferença de 1,3 GW do RN para a BA, de 1,55 GW para o segundo lugar, que é o estado do Rio Grande do Sul e mais que o dobro de parques eólicos do terceiro lugar, ocupado pelo Ceará”, analisa.

O Rio Grande do Norte tem 600,4 MW em projetos com construção já iniciada e a Bahia detém 1025 MW. “Quando se analisa os projetos já contratados, mas com obras ainda não iniciadas, a Bahia tem 2.616,4 MW, contra apenas 918,4 MW do RN. Mesmo assim, pelo menos a curto e médio prazo, a Bahia não deve superar o RN”, conclui Milton Pinto.

Fonte: CERNE Press

Governo muda data de leilão para contratar energia solar e eólica

O Ministério de Minas e Energia decidiu adiar a data de realização do leilão para a contratação de energia solar e eólica. A licitação, que estava marcada para o dia 16 de dezembro, deve ser feita no dia 19 de dezembro. Segundo o ministério, a alteração da data teve o objetivo de ajustar o dia do leilão com o cronograma de eventos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

No 2º Leilão de Energia de Reserva de 2016 serão negociados contratos na modalidade por quantidade de energia elétrica para empreendimentos de fontes eólica e solar fotovoltaica, com início de suprimento em 1° de julho de 2019 e prazo de suprimento de vinte anos.

Fonte: Sabrina Craide – Agência Brasil

Preço para leilão de energia em dezembro é considerado bom para investidores, dizem analistas

O leilão de reserva para contratação de novas usinas de energia solar e eólica agendado pelo governo para 16 de dezembro deverá ter sucesso em atrair investidores mesmo em meio à conjuntura econômica ainda adversa do Brasil, afirmaram especialistas à Reuters.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu na sexta-feira os preços teto para a licitação, que foram vistos como suficientes inclusive para acomodar algum risco cambial, após a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas levar a uma desvalorização do real contra o dólar.

A geração das usinas solares será negociada a um máximo de 320 reais por megawatt-hora, enquanto as eólicas terão teto de 247 reais por megawatt-hora. Os vencedores do leilão fecharão contratos com duração de 20 anos e início do suprimento em julho de 2019.

“O preço está bom, é satisfatório”, disse à Reuters o presidente do conselho da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Lauro Fiúza.

A avaliação é semelhante entre os investidores de geração solar, de acordo com o presidente da Absolar, Rodrigo Sauaia. “O valor foi bem recebido… atrairá um volume importante de empreendedores para participar do certame… com esta sinalização positiva ao mercado, haverá forte competição.”

Os leilões de reserva são realizados pelo governo com o objetivo contratar energia extra para garantir a segurança no atendimento à demanda. Assim, o certame acontecerá mesmo em um cenário de sobreoferta de eletricidade devido à crise, o que faz com que a expectativa não seja de uma contratação muito expressiva.

Além disso, os especialistas observaram que as restrições de financiamento ainda existentes em meio à recessão brasileira limitam a entrada de empresas no certame.

“Os fundos de investimento saem favorecidos, porque já possuem dinheiro levantado, e os estrangeiros também”, afirmou o diretor da consultoria Excelência Energética, Erik Rêgo.

Ele listou entre as favoritas na concorrência elétricas com capital estrangeiro e boa posição de caixa, como Engie e AES Tietê.

EFEITO TRUMP?

Apesar dos preços atrativos, o mercado deverá acompanhar atentamente a evolução do câmbio até o leilão, uma vez que a vitória do republicano Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas levou a uma desvalorização do real, que é negociado a 3,44 reais por dólar nesta segunda-feira, ante 3,15 reais na última terça-feira.

A diretora da consultoria Thymos Energia, Thais Prandini, disse que a alta do dólar impacta mais os projetos solares, que têm maior parcela de componentes importados, mas não deverá afastar o interesse do investidor a não ser que apareçam novas surpresas no radar.

“Tem muito investidor que está olhando… isso encarece o investimento nas plantas, claro… mas não acredito que vá atrapalhar o leilão”, disse.

Erik, da Excelência Energética, também disse acreditar que a atual taxa de câmbio não afeta a competição, mas ressaltou que esse será um ponto de atenção dos empreendedores.

“Um câmbio até 3,50 (reais por dólar) não vai mudar (o cenário para o leilão)… mas é um fator de incerteza que entrou… tem um mês ainda para ver como o dólar vai se comportar, se continuar oscilando muito o investidor pode tirar o pé”, disse.

NOVOS ESTADOS

As regras da licitação de dezembro deverão favorecer Estados até então menos visados para usinas eólicas e solares, uma vez que haverá limitação para participação na concorrência de projetos em regiões com falta de capacidade para conexão à rede de transmissão, como o Rio Grande do Norte, a Bahia e o Rio Grande do Sul.

“Posso imaginar que o Piauí vai ter parques em uma situação bastante favorável… Paraíba, Pernambuco. Maranhão tem alguma coisa também, então esses parques podem ser beneficiados nesse leilão”, disse o consultor Odilon Camargo, da certificadora de projetos Camargo Schubert.

Lauro Fiúza, da Abeeólica, também apontou o Ceará entre os Estados que devem atrair investimentos no leilão.