Posts

Câmara debate incentivos para geração de energias renováveis no Brasil

Debatedores pediram mais incentivos para a produção de energia solar no Brasil, além da manutenção dos leilões previstos para a contratação de energia eólica (do vento), em audiência pública na Comissão de Minas e Energia. A comissão debateu as políticas de incentivos à geração de energias renováveis nesta quarta-feira (7).

O deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES), que propôs o debate, destacou que o Brasil é referência mundial em energias renováveis, mas observou que mais de 60% da matriz energética vêm de usinas hidrelétricas. Segundo ele, a geração de energia a partir de outras fontes limpas, como a solar, não tem crescido como desejado no País. “O impacto ambiental hoje de implantar novas hidrelétricas é muito grande”, disse.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, também ressaltou que o avanço da energia solar tem ficado aquém das expectativas do setor. Ele defendeu apoio do Congresso, do Ministério de Minas e Energia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que essa fonte de energia avance no Brasil. A projeção da entidade é que a energia solar, que hoje representa 0,02% da matriz energética brasileira, chegue a 10% da matriz em 2025. “Precisamos de arcabouço legal, regulatório e de incentivos para atingir esses objetivos”, afirmou.

Ele defendeu, por exemplo, a aprovação de projeto de lei que permite ao trabalhador investir recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em sistemas fotovoltaicos em suas residências; a inclusão de energia solar nos imóveis financiados pelo Programa Minha Casa, Minha vida; o uso desse tipo de energia em prédios públicos; e uma política industrial para acelerar a produção de equipamentos fotovoltaicos no País.

Energia eólica

Já o representante da Associação Brasileira de Energia Eólica, Francisco Silva, ressaltou o grande crescimento na geração desse tipo energia no Brasil desde 2009. Hoje o País ocupa a 9ª posição do mundo na capacidade instalada de energia gerada pelo vento. Segundo ele, o grande incentivo foram os leilões regulares do governo para a contratação desse tipo de energia. Ele criticou, porém, o cancelamento do único leilão previsto para o ano passado, gerando insegurança nos investidores.

“Muitas das empresas não sabem se ficam no Brasil ou se vão embora”, afirmou Silva. Na visão dele, o governo precisa emitir “sinais adequados para que os investimentos em eólica continuem sendo realizados”. Ele pediu que seja mantida a previsibilidade dos leilões.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) lamentou o cancelamento do leilão, no ano passado, às vésperas de sua realização, e pediu a retomada dos certames. “Foi no mínimo um desrespeito e vai trazer consequências gravíssimas”, disse. O deputado José Rocha (PR-BA) também pediu que o governo realize mais leilões para a contratação de energia eólica.

Iniciativas em curso

O representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Hélvio Guerra, salientou que a geração de energia eólica está tendo avanço extraordinário no Brasil, mas admitiu que o País caminha “a passos tímidos” na geração de energia solar.

Ele defendeu que haja mais incentivos para essa fonte de energia, e explicou as iniciativas da agência nesse sentido. “Uma delas é essa chamada geração distribuída, que pode ser colocada na casa das pessoas, nas indústrias. A energia é gerada para consumo próprio, e uma parte não consumida na unidade pode ser disponibilizada para a rede elétrica. A Aneel regulamentou isso e tem tido um avanço extraordinário, especialmente na fotovoltaica”, afirmou.

Já o representante do BNDES, Alexandre Esposito, anunciou que o financiamento do banco para a energia solar deve crescer a partir deste ano. Conforme ele, pessoas físicas também poderão ser beneficiadas pelos financiamentos do banco para esse tipo de energia.

Fonte: Agência Câmara Notícias

Energia eólica e solar recebem duas vezes mais financiamento do que combustíveis fósseis

As energias eólica e solar estão prestes a se tornarem invencíveis, a produção de gás natural e petróleo está se aproximando do pico e os carros elétricos e baterias para as redes de eletricidade esperam o momento de assumir o controle. Este é o mundo que Donald Trump herdou como presidente dos EUA. E ainda assim o plano energético dele é eliminar restrições para ressuscitar um setor que nunca voltará: o de carvão.

As instalações de energia limpa quebraram novos recordes em todo o mundo em 2016 e as energias eólica e solar estão recebendo duas vezes mais financiamento que os combustíveis fósseis, segundo novas informações divulgadas pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF). Isso se deve em grande parte ao fato de os preços continuarem caindo. A energia solar está se tornando, pela primeira vez, a forma mais barata de gerar eletricidade nova no mundo.

Mas com os planos de desregulamentação de Trump, o que “vamos ver é a era da abundância — turbinada”, disse o fundador da BNEF, Michael Liebreich, durante apresentação em Nova York. “É uma boa notícia economicamente, mas há um pequeno senão: o clima.”

Queda nos custos

Os subsídios governamentais têm ajudado as energias eólica e solar a garantirem presença nos mercados globais de energia, mas as economias de escala são o verdadeiro motor por trás da queda dos preços. As energias eólica e solar não subsidiadas estão começando a ganhar a concorrência contra o carvão e o gás natural em um grupo cada vez maior de países.

Os EUA podem não liderar o mundo em energias renováveis enquanto porcentagem da produção de sua rede, mas vários estados estão superando as expectativas.

As energias eólica e solar decolaram — a tal ponto que as operadoras de rede da Califórnia estão enfrentando alguns dos mesmos desafios de regular as oscilações das energias renováveis de alta densidade que têm afetado a revolução energética da Alemanha. A expansão nos EUA não é a primeira, mas tem sido notável.

A demanda por eletricidade nos EUA vem caindo, em grande parte devido à eficiência energética maior em tudo, de lâmpadas e TVs à indústria pesada. Em um ambiente como esse, o combustível mais caro perde, e este perdedor, cada vez mais, tem sido o carvão.

Com a entrada das energias renováveis na matriz, até mesmo as usinas de combustíveis fósseis que ainda estão em operação estão sendo usadas com menor frequência. Quando o vento está soprando e o sol está brilhando, o custo marginal dessa eletricidade é essencialmente gratuito, e energia gratuita sempre ganha. Isso significa também lucros menores para usinas de energia baseadas na queima de combustível.

A má notícia para as produtoras de carvão fica ainda pior. Os equipamentos de mineração dos EUA se tornaram maiores, melhores e muito mais eficientes. Talvez o que mais afeta os empregos na indústria do carvão sejam os equipamentos de mineração melhores. O estado da Califórnia atualmente emprega mais gente na indústria de energia solar do que a indústria do carvão em todo o país.

Fonte: Bloomberg | Tom Randall

Empregos do futuro estão na energia renovável

Em um momento em que o presidente americano Donald Trump promove o desmonte das políticas energéticas ambientalmente limpas do ex-presidente Barack Obama, o norueguês Erik Solheim, 62 anos, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma, reafirma o que vem sendo dito por analistas: que os empregos do futuro estão na indústria da energia renovável. “Se criar empregos é prioridade, energias renováveis fazem todo sentido”, diz.O estímulo aos combustíveis fósseis pode ameaçar os próprios EUA com risco de “perder grande volume de empregos que irá acontecer em outras partes do mundo”, diz Solheim, ex-ministro do Desenvolvimento e do Meio Ambiente da Noruega. A transformação rumo à economia verde é um movimento que “não pode ser contido por decreto”, diz. “As oportunidades de emprego no setor de energia solar crescem 12 vezes mais rápido que o resto da economia dos EUA”, compara.

Solheim foi um dos arquitetos do Fundo Amazônia, chefiou o comitê de assistência ao desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e agora está em cruzada mundial no combate à poluição – vetor que mais causa mortes prematuras no mundo. Nos EUA são ao menos 200 mil ao ano, mais que o dobro do total das vítimas de Alzheimer. Os cortes no orçamento da agência ambiental americana, a EPA, tendem a piorar o quadro já que transportes são a grande fonte de poluição do ar.

foto29esp-101-erik-a16

Solheim: “Se o que queremos é crescimento econômico e mais e melhores empregos, então a resposta está em um futuro de baixo carbono” (Foto: Valor Econômico)

Outra previsão perturbadora é que a estima que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes. Solheim defende uma “nova economia do plástico” em que se garanta que sejam recicláveis e degradáveis. “E que o plástico, que é um material muito útil, seja usado apenas onde necessário”, diz.

Pragmático, mudou o nome Pnuma para ONU Ambiente (UN Environment), para ampliar a compreensão de suas mensagens. Em visita ao Brasil, deu esta exclusiva ao Valor, onde comenta a agenda ambiental em cenário global de governos populistas: “Não é uma questão da esquerda ou da direita”. Aqui, trechos da entrevista:

Valor: O que o senhor pensa da decisão “Energy Independence” tomada por Donald Trump ontem?

Erik Solheim: Esta não é a hora para nenhum país mudar de rota diante das ameaças muito sérias e muito reais da mudança do clima. A ciência nos diz que precisamos de ações mais ambiciosas e fortes. Se o que queremos são energias limpas e confiáveis, crescimento econômico e mais e melhores empregos, então a resposta está em um futuro de baixo carbono energizado com renováveis. Quando se discute carvão temos que olhar para os números. As oportunidades de emprego no setor de energia solar crescem 12 vezes mais rápido que o resto da economia dos EUA. Eram 300 mil empregos em 2015 e chegaram a 374 mil em 2016, ultrapassando os da extração de petróleo e gás [187 mil] ou carvão [68 mil]. Solar também gera mais empregos por dólar investido – mais que o dobro do que os empregos criados pelos investimentos em fósseis. Então, se criar empregos é prioridade, energias renováveis fazem todo sentido. E também tem que se considerar o setor privado e dos Estados. Mais de 24 Estados nos EUA estão fazendo esforços para reduzir as emissões.

Valor: Mas os movimentos do governo Trump até agora são de privilegiar os combustíveis fósseis.

Solheim: Ninguém, nem mesmo a pessoa mais poderosa do mundo, pode parar as marés da História. Todos podem ver qual é a direção: é a economia verde e as energias renováveis. Todos vemos os avanços da tecnologia, e muitas das tecnologias que estão fazendo a virada verde vêm dos Estados Unidos. Isso não pode ser detido por um decreto político. E mesmo que pudesse, a China, o Brasil, a Europa seguiriam adiante, o que seria uma grande ameaça para os próprios EUA. Porque vão perder um grande volume de empregos que irá acontecer em outras partes do mundo. Se você encontrar um investidor que pense que o futuro dos EUA está mais nas minas de carvão da Virginia Ocidental do que na enorme mudança tecnológica que ocorre na Califórnia, me diga onde o encontrou.

Valor: As decisões de Trump podem contaminar os negócios?

Solheim: A mudança pode ficar mais vagarosa, mas não pode ser detida porque as forças são fortes, inclusive nos EUA. A China tem trazido tecnologias a preços bem mais baixos, o que ajuda muito. Entre 30% e 50% do mercado de energia eólica mundial está na China, o mesmo para solar. Estão acontecendo movimentos enormes na China, que as pessoas de fora ainda não conseguem perceber.

Valor: Quais?

Solheim: A China saiu da postura em que dizia “Só iremos agir quando os EUA e outros o fizerem também”, para “Estamos fazendo isso porque a mudança do clima é muito danosa para a China e porque a poluição é tão forte em Pequim e Xangai que precisamos mudar para o nosso próprio bem.”

Valor: Mas a China ainda depende muito de carvão.

Solheim: É verdade. Mas os chineses decidiram reduzir o impacto do carvão na economia e migrar para renováveis. Acabam de decidir construir usinas gigantes de energia solar e eólica, são grandes investimentos. Acredito que veremos mudanças rápidas por lá.

Valor: Os chineses podem ocupar o espaço de liderança dos EUA?

Solheim: Podem. Mas nada é melhor do que ver a associação de esforços entre China e EUA. E veja, precisamos da liderança dos EUA agora mais do que nunca. A porta irá se fechar para o objetivo de limitar emissões a 1,5° C a menos que os países aumentem sua ambição antes de 2020. Temos uma pequena janela de oportunidade.

Valor: A proposta de corte no orçamento enviada por Trump ao Congresso zera o envio de recursos dos EUA ao Green Climate Fund e a outros fundos do gênero. Quais as implicações disso?

Solheim: As ameaças ao nosso planeta, incluindo a mudança do clima, são um desafio global que nenhum país pode resolver sozinho. É por isso que uma resposta internacional coordenada é necessária. O papel das Nações Unidas é de enfrentar este e outros problemas globais com o apoio e o interesse dos Estados-membros. Este é um esforço de equipe em que todos precisam ajudar da melhor maneira que puderem.

Valor: Como o senhor vê o grande corte no orçamento da agência ambiental americana, a EPA?

Solheim: Proteger o ambiente não é algo que pode ser feito de graça. Exige compromisso e, claro, dinheiro. Ao mesmo tempo temos que ver que os dividendos excedem de longe os investimentos na área. Por exemplo, combater a poluição traz enormes benefícios à saúde pública e reduz a tensão sobre os sistemas de saúde. Investir em energias renováveis ajuda a melhorar a segurança energética e cria empregos melhores.

Valor: Como vê a decisão de Trump para que a EPA revise os padrões de emissão e eficiência dos veículos nos EUA?

Solheim: Entendemos que o governo dos EUA irá fazer uma revisão completa para garantir o melhor negócio aos consumidores e ao ambiente. Fixar objetivos rigorosos de emissões -não apenas para veículos, mas também para a indústria- irá beneficiar ambos. Poluição é tema de preocupação de saúde pública, causa milhões de mortes prematuras todos os anos no mundo. São pelo menos 200 mil mortes prematuras por ano nos EUA, mais que o dobro do total de pessoas que morrem de Alzheimer. Transporte é a maior causa da poluição do ar, e é vital que os cidadãos estejam protegidos.

Valor: Se Trump recuar no Acordo de Paris, há sentido em se seguir adiante sem os EUA?

Solheim: Se isso acontecer, acredito que o maior dano será para os próprios EUA, com o risco de novos empregos migrarem para outro lado do mundo. A experiência histórica mostra que os que se prendem ao velho são os perdedores e os que abraçam o novo são os vencedores da economia global. Por isso os EUA foram tão bem-sucedidos na última década, sempre foram capazes de abraçar o novo.

Valor: Falando em novo: o Pnuma mudou de nome?

Solheim: Mudamos para ONU Ambiente pela simples razão que temos que alcançar um grupo maior de pessoas além das já convertidas ao ambientalismo. Temos que falar com todo mundo e falar uma língua que as pessoas possam entender, de modo a encorajar as pessoas a se engajar na causa ambiental. Não mudamos em termos formais porque aí precisamos da aprovação da Assembleia Geral. Mas todo mundo fala Brasil e não República Federativa do Brasil, é a mesma ideia. Francamente, vou a muitas reuniões das Nações Unidas e as pessoas falam de um jeito que nem eu consigo entender.

Valor: Uma de suas prioridades é combater a poluição. Por quê?

Solheim: Por duas razões. Primeiro porque é o vetor que mais mata no mundo. Fomos bem sucedidos com o que mais matava no passado, como malária e varíola, e agora é a poluição que encurta a vida. Em segundo lugar, porque é uma boa maneira de enfrentar a mudança do clima. Poluição é algo mais próximo às pessoas. Quando há muita poluição as pessoas logo sentem impactos na saúde. Então também é um jeito de fazermos o que tem que ser feito para o planeta. Queremos tornar isso um movimento de cidadãos, ajudar governos a fazer políticas para reduzir a poluição e auxiliar o setor privado a ter novas tecnologias para que isso aconteça rápido. Não só na poluição do ar, também da água, os plásticos, todo tipo.

Valor: O senhor defende uma “nova economia do plástico”. O que quer dizer?

Solheim: As previsões dizem que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes, se continuarmos a colocar mais e mais plásticos dentro do mar. Temos que garantir que os plásticos que produzimos sejam recicláveis e degradáveis. Que possamos embalar nossa comida em algo que possa ser comido. E que o plástico, que é um material muito útil, seja usado apenas onde for necessário.

Valor: Como a mudança pode ocorrer? A resposta é tecnológica?

Solheim: Com a ação de cidadãos pedindo mudança, pedindo que limpem suas praias e seu bairro. Em Ruanda as sacolas plásticas são proibidas e Kigali [a capital] é de longe a cidade mais limpa da África. No Reino Unido colocou-se uma taxa na sacola plástica, o que reduziu o uso em 90%. A mudança é fruto de liderança política, movimento dos cidadãos e novos produtos. Se os políticos regularem os mercados, será muito rápido. A habilidade do setor privado de inventar novos produtos é fantástica.

“Em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes, se continuarmos a colocar mais e mais plásticos dentro do mar”

Valor: Como avança o debate dos produtos químicos e o ambiente?

Solheim: Produtos químicos estão em basicamente tudo o que usamos, mas não se pode destruir a natureza. Se produzimos plásticos não podemos simplesmente jogá-los por aí. As substâncias químicas não podem ser venenosas, quando algum produto faz mal à saúde temos que desenvolver algo novo. E ter em mente que tudo que entra na economia tem de circular, para que possamos usar de novo os mesmos recursos. Temos recursos limitados no planeta.

Valor: A ONU Ambiente tem pesquisado como o setor financeiro pode financiar a economia verde e não seguir na infraestrutura antiga. Como se pode mudar o fluxo de dinheiro nas grandes economias?

Solheim: Trabalhamos perto do G-7 [grupo que reúne as economias mais desenvolvidas] e do G-20 [grupo das maiores economias do mundo] em como regulamentar mercados financeiros para que entrem mais rápido na economia verde. Como promover a transparência das empresas para que fiquem claros seus ativos financeiros, quais os riscos ambientais e climáticos dos produtos. Outro tema que discutimos com o setor financeiro é Fintech [termo que, em inglês, funde finanças e tecnologia]. São produtos financeiros da nova economia digital que permitem que se compre greenbonds, mandar dinheiro para a família, comprar um carro, tudo na internet. Trata-se de uma completa mudança e quebra a tradição de como operam os bancos. Queremos ver como se pode deixar a economia mais verde.

Valor: O setor privado anda mais rápido que os governos?

Solheim: Sim. Ministérios de Finanças parecem ser as instituições mais conservadoras do mundo. O Google, por exemplo, terá 100% de energias renováveis em suas operações. O Walmart prometeu reduzir suas emissões em algo equivalente à de 220 milhões de carros. Na Europa, Nestlé e Unilever estão muito a frente dos governos quando se trata de proteção ambiental.

Valor: A seca no Quênia, onde fica a ONU Ambiental, é terrível. Como vê a crise dos refugiados?

Solheim: Creio que a crise surge de uma mistura de motivos, de conflitos de guerra à pobreza e degradação ambiental. Frequentemente é difícil distinguir qual a razão principal, é uma mistura disso tudo. No Quênia temos um grande número de refugiados somális que se deslocam por causa do terrorismo do movimento extremista Al-Shabab [grupo afiliado à rede Al-Qaeda]. Eles vêm por causa da guerra na Somália, da seca, da falta de condições de vida, dos impactos da mudança climática e degradação ambiental. O ambiente amplifica este quadro de conflito. A concorrência por recursos naturais é um dos fatores principais de muitos confrontos.

Valor: E as pessoas se deslocam.

Solheim: Sim. Os dez países que mais recebem refugiados no mundo são todos em desenvolvimento. A Turquia é de longe o país que mais recebe refugiados no mundo. Depois vem Etiópia, Quênia, Paquistão, Irã e Jordânia.

Valor: Como a ONU Ambiental vai trabalhar com o tema da paz?

Solheim: Somos parte do sistema da ONU para prevenir conflitos quando possível. Na América Latina fomos convidados pelo presidente Manoel Santos para ser parceiro-chave na reconstrução da Colômbia no pós-conflito, ajudando pessoas que têm que voltar ao seu local de origem e considerando que há muita destruição no campo e na floresta.

Valor: Como o senhor, um dos arquitetos do Fundo Amazônia, observa a tendência de alta no desmatamento no Brasil?

Solheim: Tenho uma visão otimista. No meio desta grande crise política e econômica que o Brasil atravessa, ainda há apoio às principais políticas ambientais. Houve grande esforço em conter o desmatamento da Amazônia, embora nos últimos dois anos tenha aumentado novamente. Acho que o Brasil irá sair da crise, restaurar o crescimento e continuar com boas políticas ambientais.

Valor: Como se pode mudar o descompasso em que a floresta só tem valor quando está no chão?

Solheim: Este é um assunto muito importante. Houve um progresso fantástico no longo prazo com rápida queda no desmatamento, o Brasil mostrou que pode ser feito. Acho que poderia se ter uma mistura de turismo, que não destrói a floresta, com aumento de produtividade na agricultura além de prover modo de vida às populações da Amazônia, ao mesmo tempo em que se fortalece a proteção da floresta. Tenho total confiança que isso pode ser feito. Vejo com prazer que o Brasil, mesmo no meio da crise, conseguiu ratificar o Acordo de Paris. Foi muito positivo.

Valor: No quadro atual da política mundial, com governos populistas ganhando o poder, como ficam as questões ambientais?

Solheim: É injusto dizer que temas ambientais pertencem aos partidos de esquerda. Alguns partidos conservadores são tão fortes nesta agenda quanto os outros. Não é uma questão da esquerda ou direita. Alguns atacam a crise migratória, não em ambiente. A proteção da natureza está na agenda de partidos conservadores.

Fonte: Valor Econômico | Daniela Chiaretti

Em meio à recessão histórica, renováveis tem crescimento galopante

A depressão econômica que sufoca o Brasil não arrefeceu o investimento em energias renováveis. Em 2016, a produção de energia eólica disparou impressionantes 55,1%.

Os dados fazem parte de um estudo exclusivo feito pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo o relatório, no ano passado os 402 empreendimentos eólicos em operação no Sistema Nacional Elétrico alcançaram 10.221 MW em capacidade instalada, um recorde.

O Rio Grande do Norte é o principal produtor de energia eólica no Brasil. As usinas potiguares produziram 1.206 MW médios no período, aumento de 50% em relação a 2015.

Fonte: Veja | Radar Online

Primeira cidade inteligente para população de baixa renda está sendo construída no Ceará

Em Croatá, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, está sendo construída a primeira smart city social do país, uma cidade inteligente que atenderá área com forte déficit habitacional e de outros serviços. Será o primeiro protótipo real de uma cidade inteligente para população de baixa renda. O empreendimento terá 330 hectares. As moradias possuem preços similares aos da faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), entre R$ 99 mil e R$ 145 mil, e tamanhos entre 45 m² a 65 m², dependendo de um dos cinco modelos oferecidos. Os lotes estão à venda por R$ 23,4 mil e podem ser pagos em até 120 meses.

A nova cidade se chama Croatá Laguna Ecopark e é uma iniciativa conjunta de duas organizações italianas, Planeta Idea e SocialFare – Centro para Inovação Social, com a StarTAU, Centro de Empreendedorismo da Universidade de Tel Aviv.

O habitante estará imerso num sistema social integrado, com sinal wi-fi liberado, aplicativos específicos para serviços de transporte alternativo, compartilhamento de bicicletas e motos, pagamentos via smartphone, além de reaproveitamento das águas residuais, controle computadorizado da iluminação pública e praças dotadas de equipamentos esportivos que geram energia. A tecnologia também oferecerá ajuda para desenvolver programas sociais, como cursos de prevenção médica, nutrição, alfabetização digital e hortas compartilhadas. O projeto deve ficar pronto no final de 2017, segundo os idealizadores.

Smart City

A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços.

Veja vídeo sobre o projeto.

Fonte: CERNE Press com informações do jornal O Povo e Confereração Israelita do Brasil

Consumo de renováveis vai crescer 4,8% ao ano até 2035

O consumo de energias renováveis no Brasil vai mais que dobrar de 2015 até 2035, aumentando 4,8% ao ano, de acordo com o relatório BP Energy Outlook, divulgado nesta quarta-feira, 25 de janeiro. A projeção dele é que o país vai se tornar um exportador líquido de energia, com o crescimento das produções de petróleo, gás e energias hidroelétrica, nuclear e renováveis superando o crescimento da demanda por energia. A produção de energia no Brasil vai passar de 94% do consumo em 2015 para 112% em 2035.

O BP Outlook mostra que o único combustível que vai sofrer retração no seu consumo é o carvão, com queda de 16%. Os renováveis, incluindo biocombustíveis, vão crescer 157%; a hidrelétrica vai aumentar 37%; o petróleo cresce 16%, o gás natural, 43% e o nuclear, 149%. O relatório mostra ainda que o consumo de energia vai crescer 2,2% entre 2015 e 2035. O consumo de gás cresce 1,8% ao ano, mais que a média mundial, que vai ficar em 1,6%. Já a produção de gás natural sobe 1,7% ao ano no período, crescendo cerca de 1 Bcf/d até 2035.

O consumo de energia elétrica crescerá 2,2% a.a. entre 2015 e 2035. A fonte hidrelétrica continuará a ter posição de liderança, mas vai ter a participação reduzida de 63% para 56%, na medida em que as renováveis dobram no período. Outra revelação importante do relatório é que até o final da projeção, a fonte eólica vai ultrapassar o gás natural e vai ser a segunda maior fonte de geração de energia.

Vai ocorrer um aumento de 41% no consumo de energia no país e a intensidade energética, que é quantidade de energia necessária para gerar uma unidade do PIB, vai recuar 2% até 2035. O número é considerado baixo na comparação com a queda global, de 33%.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

União abre crédito suplementar de R$ 1,1 bilhão para estatais de energia

O Governo Federal abriu um crédito suplementar ao Orçamento de Investimento da União de 2016 no valor de R$ 1,13 bilhão em favor de oito empresas, entre elas estão a concessionária goiana Celg-D – que foi comprada recentemente pela multinacional italiana Enel – e a Eletroacre, distribuidora que atende ao Estado do Acre. A maior parte dos recursos, R$ 1,1 bilhão, será disponibilizada para a Petrobras, segundo portaria publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira, 9 de dezembro, pelo ministro do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Dyogo Henrique de Oliveira.

As demais empresas beneficiadas são: Ativos S.A – Securitizadora de Créditos Financeiros, Banco do Nordeste, Companhia de Docas do Espírito Santo, Companhia de Docas do Rio de Janeiro, Companhia Integrada Têxtil de Pernambuco. O crédito suplementar é um crédito adicional destinado ao reforço de dotação orçamentária já existente no orçamento. É autorizado por lei e aberto por decreto do executivo.

Fonte: Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Regulação e Política

47 países mais pobres do mundo querem viver só de energia limpa

A parte mais pobre do planeta pode estar prestes a dar um baile ecológico nos mais ricos. As 47 nações com menos dinheiro no mundo pretendem, até 2050, usar apenas energias 100% renováveis.

A meta surgiu durante a Conferência sobre Mudanças Climáticas da ONU, que terminou no último dia 18, no Marrocos. O evento discutiu quais serão os próximos passos depois que o mundo inteiro se comprometeu a reduzir as emissões de carbono, por meio do Acordo de Paris – que tem como objetivo não deixar a temperatura da Terra subir mais do que 2ºC até o fim do século.

A ideia é aprender com os erros do restante do mundo – e pular a parte poluente da história das nações. Os países que se comprometeram com o projeto ainda estão em uma fase embrionária da industrialização – e evitariam que suas fábricas sejam construídas dependendo de combustíveis fósseis. As indústrias já se formariam utilizando energia solar ou eólica, por exemplo.

Apesar de nunca ter sido feito algo nessas proporções, não é a primeira vez que a ideia de salto tecnológico aparece. Um dos casos mais famosos aconteceu na parte mais rural da África. Até a virada do século 21, o número de linhas de telefone fixo por lá era escasso – assim as operadoras telefônicas resolveram investir diretamente em celulares, sem passar pelos fixos. Com isso, o número de linhas móveis em continente africano saltou de 7,5 milhões em 1999 para 76,8 milhões em 2004.

Para que dê tempo, os 47 países (entre eles, Palestina, Sudão do Sul e Afeganistão) têm quatro anos para enviar à ONU seu planejamento. Até 2030 as coisas devem estar começando.

A ideia vai contra as ações que algumas das nações mais ricas estão tomando. “Não sabemos o que os países estão esperando para avançar rumo à neutralidade de carbono e ter 100% das energias renováveis”, afirmou à BBC Edgar Gutierrez, primeiro ministro da Costa Rica. “Todos deveriam começar a transição, ou todos sofreremos”, completou.

Enquanto isso, nos EUA, o presidente eleito Donald Trump já declarou não acreditar no aquecimento global – e o governo Obama, que se comprometeu a doar US$ 3 bilhões para a ONU no combate ao aquecimento global, até agora, entregou “apenas” US$ 500 milhões.

Fonte: Felipe Germano | Super Interessante

As tendências mundiais da transição para as energias renováveis

Com a recente entrada em vigor do Acordo de Paris, documento que sela um compromisso global de combate às mudanças climáticas,  deveremos testemunhar uma expansão sem precedentes de fontes de energias mais limpas e sustentáveis nas próximas décadas.

Um estudo do Instituto de Economia e Análise Financeira de Energia (IEEFA) mostra que a transição para as energias renováveis está acelerando, e a um ritmo mais rápido que o previsto. Quem ficar para trás enfrentará riscos financeiros cada vez maiores.

As transformações ocorridas no setor ao longo deste ano dão o tom do que se pode esperar, conforme o estudo 2016: Year in Review – Three Trends Highlighting the Accelerating Global Energy Market Transformation, que identifica as tendências em energia que marcaram o ano.

Com base em projeções recentes, o estudo afirma que o Brasil tem potencial para 880 GW de geração a partir de energia eólica. O país se beneficia dos recursos eólicos ao longo de seu extenso litoral, o que o coloca em quarto lugar mundial em termos de potencial para expandir a geração por essa fonte, atrás de Estados Unidos, China e Alemanha.

O relatório assinala ainda que “os enormes e subdesenvolvidos recursos solares do país” também têm potencial para dar um grande impulso às energias renováveis por aqui, especialmente com a realização do 2º Leilão de Energia de Reserva, que acontece em dezembro.

Segundo a Empresa de Pesquisa Energética, até agosto foram cadastrados 1.260 projetos no leilão, sendo 419 deles de fonte solar fotovoltaica e  841 de projetos eólicos. O início de suprimento dos contratos das duas fontes será em 1º de julho de 2019, com prazo de vinte anos.

Veja abaixo algumas tendências em renováveis que marcaram 2016, conforme a pesquisa.

A transição global para as energias renováveis está se acelerando 

Em 2016, mais países tiveram períodos nos quais 100% do consumo de eletricidade foi atendido pelas energias renováveis. O Reino Unido, berço da Revolução Industrial a carvão, por exemplo, registrou uma maior geração de eletricidade por painéis solares do que por carvão nos seis meses entre abril e setembro deste ano.

A Escócia foi ainda mais longe. Em 7 de agosto, seus ventos produziram eletricidade suficiente para alimentar todo o país. Portugal, por sua vez, foi inteiramento suprido por energia solar, eólica e hidroelétrica durante quatro dias no mês de maio.

Poucos dias depois, um evento semelhante na Alemanha levou os preços da eletricidade a cifras negativas em 15 de maio, com a energia limpa suprindo toda a necessidade energética do país.

Além desses avanços, o relatório destacou o imenso potencial do continente africano na revolução energética. Segundo o estudo, a África tem tudo para se tornar o primeiro continente onde a energia renovável será o principal motor do desenvolvimento.

Em grande medida, a expansão da energia solar tem passado ao largo da região, lar da maioria das nações menos desenvolvidas do mundo – mais de metade das 1,3 bilhão de pessoas sem acesso à eletricidade vivem lá. Isto apesar dos países africanos terem de 52% a 117% mais radiação solar que a líder dessa fonte de energia entre os países desenvolvidos, a Alemanha.

Mas isso deve mudar, segundo o relatório, com as melhorias tecnológicas, as reduções de custos e o crescente interesse em micro-redes. Pelas previsões da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), a África poderia ter 70GW de geração solar em vigor até 2030.

O ritmo da mudança é muito mais rápido do que o previsto

O relatório também aponta importantes mudanças em níveis institucionais que ajudam a gerar vantagens significativas para o desenvolvimento de novas fontes limpas.

O rápido crescimento do mercado dos chamados títulos verdes (ou green bonds) — títulos de dívida emitidos por empresas e instituições  financeiras para viabilizar projetos com impacto ambiental positivo — é uma indicação de que o capital privado está saindo dos combustíveis fósseis para a energia renovável.

Ser um líder em energias limpas agora pode ser aplicado como um modelo de negócio sustentável que proporciona retornos superiores aos acionistas. Tesla, BYD, Nextera Energia, Softbank, ENEL, China Longyuan e Brookfield Renewable Partners todos demonstram isso.

Ainda segundo a pesquisa, o consumo de petróleo poderá atingir o pico em 2030, com o crescimento exponencial e continuado dos veículos elétricos, eficiência energética e energia renovável.

Quem fica para trás enfrenta crescentes riscos financeiros

Ao contribuir para reduzir as taxas de utilização, as energias renováveis continuarão a comprometer a viabilidade da produção a carvão.  De acordo com o estudo, o consumo mundial de carvão está em declínio, tendo atingido um pico em 2013 e declinado em 2016 pelo terceiro ano consecutivo. Um crescimento da demanda abaixo do esperado, em conjunto com o aumento da oferta de gás natural, deverá golpear ainda mais forte esse mercado.

Fonte: Vanessa Barbosa | Exame.com

Setor de energias renováveis emprega 8,1 mi de pessoas no mundo

O setor de energias renováveis empregou mais de 8,1 milhões de pessoas no mundo no ano passado, um aumento de 5% que vai na direção contrária da tendência geral de queda do mercado, segundo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA, sigla em inglês) durante a 11º reunião do Conselho.

Na sua revisão anual do setor, a IRENA  atribuiu o aumento do emprego à queda dos custos de tecnologia e ao aumento das políticas energéticas.

No setor de energia tradicional, os produtores de petróleo vêm registrando perdas de receita desde que o preço do barril começou a cair, em meados de 2014.

China, Brasil, Estados Unidos, Índia, Japão e Alemanha foram os países que mais ofereceram empregos em energias renováveis em 2015, segundo o relatório, acrescentando que o setor de energia solar fotovoltaica continua sendo o maior empregador, com 2,8 milhões de vagas.

O setor de biocombustíveis líquidos foi o segundo maior empregador mundial, com 1,7 milhão de empregos, seguido pela energia eólica, que empregou 1,1 milhão de pessoas.

irena2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: Future Energy Web