RN é o segundo colocado em número de projetos eólicos

O Rio Grande do Norte é o segundo estado do Brasil com maior número de projetos para leilão eólico e fotovoltaico no Brasil registrados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dos 1.260 projetos que somam 35.147 MW de potência habilitável entre 14 estados, o RN tem 281 projetos que vão gerar 7.195 MW, atrás da Bahia com 350 projetos e geração de 9.535 MW de potência de energia.

Segundo informações divulgadas na última sexta-feira (23) pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vão a leilão 223 projetos eólicos no RN que devem gerar 5.555 MW de potência e 58 voltaicos com 1.640 MW. A Bahia, primeiro em número de projetos, apresentou  249 projetos eólicos (6.380 MW) e 101 fotovoltaicos (3.155 MW).

A Aneel aprovou na sexta (23) a abertura de audiência pública por intercâmbio documental para receber contribuições ao edital do 2º Leilão de Energia de Reserva – 2º LER de 2016, destinado à contratação de energia elétrica proveniente de novos empreendimentos de geração, a partir das fontes solar fotovoltaica e eólica, com início de suprimento de energia elétrica dia 1º de julho de 2019.

O documento da Aneel segue as diretrizes da Portaria104/2016, do Ministério de Minas e Energia – MME. O leilão está previsto para o dia 16 de dezembro deste ano, na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), em São Paulo e serão negociados Contratos de Energia de Reserva (CER) na modalidade por quantidade de energia, com prazo de suprimento de vinte anos por fonte.

Recorde

No dia 10 de setembro passado, o Rio Grande do Norte bateu a marca recorde dos 3GW de potência eólica instalada. Isso aconteceu depois que o parque eólico Vila Pará I, localizado no município de Serra do Mel, entrou em operação. O estado foi o primeiro no país de organizar seu setor eólico.

O parque eólico Vila Pará I é de propriedade da empresa francesa Voltalia. Os dados são do Departamento de Pesquisas do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE).

Com a marca, o estado chega a uma capacidade efetiva de 3.008,76 MW, o que representa 31,86% de toda a capacidade eólica instalada no Brasil, segundo o Cerne.  No total, o RN tem 1.562 aerogeradores em funcionamento, distribuídos em 110 usinas instaladas por todo o Estado.

Os municípios de João Câmara e Parazinho são os que mais concentram atividade eólica e, juntos, geram mais de 1000MW em 46 parques eólicos.Ao todo, a energia eólica representa entre 10 e 12 bilhões de dólares em investimentos somente no Estado. Aproximadamente 1/3 desse valor é formado por investimentos locais.

Leilão será sinal de alerta, diz Jean-Paul Prates

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jeal-Paul Prates, disse que a marcação do leilão para dezembro e o fato de a Bahia estar na frente do Rio Grande do Norte em número de projetos não é motivo de preocupações maiores. “Esta é mais uma oportunidade de colocar a energia eólica em posição importante na matriz energética brasileira”, comemorou.

A Bahia estar na frente faz parte de uma preparação deles para atrair mais projetos, ressaltou Jean-Paul Prates, e espera-se que mais à frente, a concorrência entre os estados aumente, o que é uma situação normal de mercado, explicou. O Ceará e o Piauí também começam a se organizar para apresentar mais projetos. “São as novas fronteiras para o setor”, complementou. No caso da Bahia, segundo ele, os projetos são localizados mais para o interior do estado e, geralmente, são mais baratos que os que se concentram no litoral como no RN, comparou.

Agora, o Rio Grande do Norte tem que começar a enfrentar desafios dentro do próprio estado para garantir competitividade e atrair mais projetos, disse o diretor-presidente do Cerne. Segundo ele, o estado tem que acompanhar os projetos já implantados, desburocratizar problemas como a cobrança de taxas cartoriais que por aqui ainda são díspares e as empresas terminam arrendamento as áreas para instalação a preços mais elevados que os estados vizinhos, principalmente, nesta fase de prospecção dos projetos.

A EPE exige que todo projeto para ir a leilão tenha a área definida e, por causa das tarifas cartoriais, as empresas acabam arrendando áreas menores para averbação.  Não existe no RN parâmetros definidos para as medidas e isso leva empresas a procurarem os estados onde os preços são definidos.

Termômetro

Um dos termômetros sobre a competitividade serão os leilões em dezembro. Dependendo do número de projetos comercializados. Caso o volume do RN seja baixo, aí sim, é hora de ligar o sinal de alerta e ver o que está acontecendo, apontou Jean-Paul Prates. Segundo ele, além das questões cartoriais, é preciso acompanhar e manter a vigilância sobre o cumprimento de prazos para instalação das linhas de transmissão e atuar ativamente no planejamento de novas linhas. “Isso é fundamental para o estado não ser descartado”, avaliou.

A Energia de Reserva é a demanda destinada a aumentar a segurança no fornecimento de energia elétrica ao Sistema Interligado Nacional – SIN. Esta energia adicional é contratada por meio de Leilões de Energia de Reserva – LER e busca restaurar o equilíbrio entre as garantias físicas atribuídas às usinas geradoras e a garantia física total do sistema, sem que haja impacto nos contratos existentes e nos direitos das usinas geradoras. A contratação desta energia tem por objetivo, ainda, reduzir os riscos de desequilíbrio entre a oferta e demanda de energia elétrica. Tais riscos decorrem, principalmente, de atrasos imprevisíveis de obras, ocorrência de hidrologias muito críticas e indisponibilidade de usinas geradoras.

Fonte: Novo Jornal