Linha de crédito vai financiar energia solar “no campo”

Agricultores familiares atendidos pelo Banco do Nordeste dispõem de nova linha de crédito voltada para implantação de sistemas de micro e minigeração de energia solar. Os recursos serão liberados por meio do programa de crédito Agroamigo Sol, lançado ontem no Rio Grande do Norte e em outros nove estados. Com a metodologia do microcrédito orientado, os financiamentos beneficiarão principalmente pequenas propriedades rurais, com operações de até R$ 15 mil, com direito a bônus de adimplência e vantagens especiais para empreendimentos localizados em regiões do Semiárido. A taxa de juros varia de 1% a 2% ao ano.

Detalhes da linha de crédito foram apresentados ontem em videoconferência no Banco do Nordeste. (Foto: Tribuna do Norte)

Detalhes da linha de crédito foram apresentados ontem em videoconferência no Banco do Nordeste. (Foto: Tribuna do Norte)

O superintendente do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte, Fabrizzio Leite Feitosa, elencou vantagens financeiras e social para os produtores que adquirirem o crédito. “Do ponto de vista financeiro é não elevar o endividamento, é trocar uma dívida. O produtor deixa de pagar pela energia elétrica tradicional e paga a prestação do banco, com um diferencial que o equipamento adquirido terá uma vida útil de até 40 anos e o financiamento bancário vai se encerrar com o término do contrato. Em 10 anos ele quita a dívida com o banco, e ainda tem um equipamento que dura mais 30 anos”, disse.

A geração de energia limpa foi a principal vantagem social destacada por ele. “Estamos com uma dedicação especial ao setor de infraestrutura, especialmente energia limpa. Hoje (ontem) teremos a assinatura de um contrato em que a pessoa pagava a energia e agora ele vai fazer uma mini usina para gerar a energia solar, será o primeiro cliente desse programa especificamente”, disse Feitosa.

O gerente de micro finanças do Banco do Nordeste no estado, Evandro Sousa explicou que a taxa de juros é variável, e vai até 2% ao ano. “A taxa varia de acordo com a atividade e é possível colocar uma carência. O prazo para financiamento vai até 10 anos, mas a gente faz uma análise    para cada cliente e vê qual a necessidade dele”, disse.

As exigências ao cliente que quiser adquirir o crédito são baseadas na necessidade e viabilidade. “Um agricultor que usa pouca energia não necessita (do crédito). Mas se ele for um trabalhador familiar e trabalhar na zona rural e necessitar, é trazer a documentação, bem como a declaração de aptidão ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), que é o documento que comprova que ele é agricultor familiar”, disse Sousa.

Os recursos podem ser aplicados em obras de melhorias nas propriedades, como sistemas de bombeamento, irrigação e dessalinização de água, além de eletrificação de cercas, por exemplo. Além de beneficiar as propriedades rurais, a micro e minigeração de energia limpa também beneficia a economia das cidades do Interior do Nordeste, segundo o BNB, porque reduz os gastos de comerciantes com energia.

Microcrédito
O Agroamigo Sol encaixa-se na família de produtos do programa de microcrédito rural do Banco do Nordeste, o Agroamigo, lançado em 2005. O programa já beneficiou 1,7 milhão de produtores em todo a região Nordeste e norte dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. No Rio Grande do Norte, atende cerca de 65 mil pessoas.

Foram mais de 3,7 milhões de operações contratadas desde a criação do programa, que totalizam R$ 10,3 bilhões em crédito concedido. Atualmente, o Agroamigo dispõe de 1,1 milhão de clientes ativos e carteira ativa de R$ 3,7 bilhões com taxa de adimplência de 94,7%. A maioria das operações (69%) beneficia produtores rurais localizados em áreas de Semiárido.

Fonte: Tribuna do Norte | Aura Mazda