Governo brasileiro assina decreto que autoriza leilão de descontratação de energia

O presidente Michel Temer autorizou realização de um leilão para descontratar projetos de energia de reserva, que deverá seguir diretrizes do Ministério de Minas e Energia, segundo decreto publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira.

Poderão participar do leilão de descontratação usinas contratadas em leilões de energia de reserva que ainda tenham contratos vigentes e que ainda não tenham iniciado operação em teste. O edital para a licitação será elaborado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O decreto não cita uma data para a licitação.

Segundo o decreto, as empresas interessadas em cancelar seus projetos de energia de reserva deverão apresentar propostas de descontratação segundo critérios a serem definidos pelo Ministério de Minas e Energia, que deverá avaliar a vantagem de cancelar as usinas. As empresas também deverão pagar um prêmio no leilão.

Os empreendimentos que forem escolhidos como os elegíveis à descontratação terão a rescisão automática de seus contratos, ou redução de montantes contratados, sem aplicação de multa rescisória. Os projetos também terão liberadas garantias financeiras que depositaram referentes a essas usinas e terão as outorgas extintas pela Aneel.

As empresas que descontratarem projetos no leilão terão depois que ficar sem participar dos próximos dois leilões de energia de reserva que sejam realizados, segundo o decreto.

O decreto também aponta que os recursos arrecadados com o pagamento do prêmio no leilão serão direcionados para a Conta de Energia de Reserva (Coner), um fundo setorial administrado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O montante de energia de reserva a ser descontratado será definido pelo ministério com base em estudos da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Fonte: Reuters | Luciano Costa

 

Especialistas do setor elétrico se reúnem em Brasília para debater pesquisa e inovação em eólica

O Diretor-Presidente do CERNE, Jean-Paul Prates, participou, à convite do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), de uma reunião realizada na manhã desta terça-feira (31) em Brasília com empresários e especialistas do setor elétrico brasileiro para debater a prospecção de tecnologias no setor de energia.

O encontro integra o projeto “Prospecção Tecnológica em Energia Elétrica”, realizado pelo CGEE a pedido da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A iniciativa tem como proposta de elaborar metas estratégicas, otimizar a distribuição dos recursos do P&D da Aneel e direcionar o investimento das empresas para o setor elétrico.

O ciclo de reuniões com especialistas é distribuído entre cinco grandes grupos temáticos: geração, transmissão, distribuição, eficiência energética e economia de energia. Hoje foram tratados assuntos a respeito da energia eólica, uma das 48 macrotemáticas caracterizadas no projeto.

Nesta etapa, foi tratada a visão de futuro para as eólicas – planejamento estratégico dos objetivos a médio e longo prazo – a caracterização do nível de maturidade das rotas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) associadas a macrotemática e, por fim, e a priorização dessas rotas.

O CERNE contribuiu para o debate propondo a utilização mais efetiva das ferramentas de regulação e legislação como elemento indutivo das políticas de incentivo ao PD&I no setor. “Também sugerimos que fossem incorporadas linhas de pesquisa no sentido de simplificar tecnologias para o uso e manutenção através de empresas locais, que estão mais próximas dos projetos de geração de energia”, disse Jean-Paul Prates.

CGEE

É uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em setembro de 2001, no âmbito da 2ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia. No encontro, em que se elegeu a inovação como tema crucial para o desenvolvimento científico e tecnológico do país, 273 pesquisadores e especialistas, vinculados a aproximadamente 100 instituições de 22 estados, endossaram a proposta do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) de criar um órgão que subsidiasse a Política Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e as decisões de longo prazo dos setores público e privado em temas relacionados. Em 2002, foi classificado como organização social, por meio do Decreto nº 4.078, de 9 de janeiro daquele ano.

Fonte: CERNE Press

Empregos do futuro estão na energia renovável

Em um momento em que o presidente americano Donald Trump promove o desmonte das políticas energéticas ambientalmente limpas do ex-presidente Barack Obama, o norueguês Erik Solheim, 62 anos, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o Pnuma, reafirma o que vem sendo dito por analistas: que os empregos do futuro estão na indústria da energia renovável. “Se criar empregos é prioridade, energias renováveis fazem todo sentido”, diz.O estímulo aos combustíveis fósseis pode ameaçar os próprios EUA com risco de “perder grande volume de empregos que irá acontecer em outras partes do mundo”, diz Solheim, ex-ministro do Desenvolvimento e do Meio Ambiente da Noruega. A transformação rumo à economia verde é um movimento que “não pode ser contido por decreto”, diz. “As oportunidades de emprego no setor de energia solar crescem 12 vezes mais rápido que o resto da economia dos EUA”, compara.

Solheim foi um dos arquitetos do Fundo Amazônia, chefiou o comitê de assistência ao desenvolvimento da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e agora está em cruzada mundial no combate à poluição – vetor que mais causa mortes prematuras no mundo. Nos EUA são ao menos 200 mil ao ano, mais que o dobro do total das vítimas de Alzheimer. Os cortes no orçamento da agência ambiental americana, a EPA, tendem a piorar o quadro já que transportes são a grande fonte de poluição do ar.

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Solheim: “Se o que queremos é crescimento econômico e mais e melhores empregos, então a resposta está em um futuro de baixo carbono” (Foto: Valor Econômico)

Outra previsão perturbadora é que a estima que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes. Solheim defende uma “nova economia do plástico” em que se garanta que sejam recicláveis e degradáveis. “E que o plástico, que é um material muito útil, seja usado apenas onde necessário”, diz.

Pragmático, mudou o nome Pnuma para ONU Ambiente (UN Environment), para ampliar a compreensão de suas mensagens. Em visita ao Brasil, deu esta exclusiva ao Valor, onde comenta a agenda ambiental em cenário global de governos populistas: “Não é uma questão da esquerda ou da direita”. Aqui, trechos da entrevista:

Valor: O que o senhor pensa da decisão “Energy Independence” tomada por Donald Trump ontem?

Erik Solheim: Esta não é a hora para nenhum país mudar de rota diante das ameaças muito sérias e muito reais da mudança do clima. A ciência nos diz que precisamos de ações mais ambiciosas e fortes. Se o que queremos são energias limpas e confiáveis, crescimento econômico e mais e melhores empregos, então a resposta está em um futuro de baixo carbono energizado com renováveis. Quando se discute carvão temos que olhar para os números. As oportunidades de emprego no setor de energia solar crescem 12 vezes mais rápido que o resto da economia dos EUA. Eram 300 mil empregos em 2015 e chegaram a 374 mil em 2016, ultrapassando os da extração de petróleo e gás [187 mil] ou carvão [68 mil]. Solar também gera mais empregos por dólar investido – mais que o dobro do que os empregos criados pelos investimentos em fósseis. Então, se criar empregos é prioridade, energias renováveis fazem todo sentido. E também tem que se considerar o setor privado e dos Estados. Mais de 24 Estados nos EUA estão fazendo esforços para reduzir as emissões.

Valor: Mas os movimentos do governo Trump até agora são de privilegiar os combustíveis fósseis.

Solheim: Ninguém, nem mesmo a pessoa mais poderosa do mundo, pode parar as marés da História. Todos podem ver qual é a direção: é a economia verde e as energias renováveis. Todos vemos os avanços da tecnologia, e muitas das tecnologias que estão fazendo a virada verde vêm dos Estados Unidos. Isso não pode ser detido por um decreto político. E mesmo que pudesse, a China, o Brasil, a Europa seguiriam adiante, o que seria uma grande ameaça para os próprios EUA. Porque vão perder um grande volume de empregos que irá acontecer em outras partes do mundo. Se você encontrar um investidor que pense que o futuro dos EUA está mais nas minas de carvão da Virginia Ocidental do que na enorme mudança tecnológica que ocorre na Califórnia, me diga onde o encontrou.

Valor: As decisões de Trump podem contaminar os negócios?

Solheim: A mudança pode ficar mais vagarosa, mas não pode ser detida porque as forças são fortes, inclusive nos EUA. A China tem trazido tecnologias a preços bem mais baixos, o que ajuda muito. Entre 30% e 50% do mercado de energia eólica mundial está na China, o mesmo para solar. Estão acontecendo movimentos enormes na China, que as pessoas de fora ainda não conseguem perceber.

Valor: Quais?

Solheim: A China saiu da postura em que dizia “Só iremos agir quando os EUA e outros o fizerem também”, para “Estamos fazendo isso porque a mudança do clima é muito danosa para a China e porque a poluição é tão forte em Pequim e Xangai que precisamos mudar para o nosso próprio bem.”

Valor: Mas a China ainda depende muito de carvão.

Solheim: É verdade. Mas os chineses decidiram reduzir o impacto do carvão na economia e migrar para renováveis. Acabam de decidir construir usinas gigantes de energia solar e eólica, são grandes investimentos. Acredito que veremos mudanças rápidas por lá.

Valor: Os chineses podem ocupar o espaço de liderança dos EUA?

Solheim: Podem. Mas nada é melhor do que ver a associação de esforços entre China e EUA. E veja, precisamos da liderança dos EUA agora mais do que nunca. A porta irá se fechar para o objetivo de limitar emissões a 1,5° C a menos que os países aumentem sua ambição antes de 2020. Temos uma pequena janela de oportunidade.

Valor: A proposta de corte no orçamento enviada por Trump ao Congresso zera o envio de recursos dos EUA ao Green Climate Fund e a outros fundos do gênero. Quais as implicações disso?

Solheim: As ameaças ao nosso planeta, incluindo a mudança do clima, são um desafio global que nenhum país pode resolver sozinho. É por isso que uma resposta internacional coordenada é necessária. O papel das Nações Unidas é de enfrentar este e outros problemas globais com o apoio e o interesse dos Estados-membros. Este é um esforço de equipe em que todos precisam ajudar da melhor maneira que puderem.

Valor: Como o senhor vê o grande corte no orçamento da agência ambiental americana, a EPA?

Solheim: Proteger o ambiente não é algo que pode ser feito de graça. Exige compromisso e, claro, dinheiro. Ao mesmo tempo temos que ver que os dividendos excedem de longe os investimentos na área. Por exemplo, combater a poluição traz enormes benefícios à saúde pública e reduz a tensão sobre os sistemas de saúde. Investir em energias renováveis ajuda a melhorar a segurança energética e cria empregos melhores.

Valor: Como vê a decisão de Trump para que a EPA revise os padrões de emissão e eficiência dos veículos nos EUA?

Solheim: Entendemos que o governo dos EUA irá fazer uma revisão completa para garantir o melhor negócio aos consumidores e ao ambiente. Fixar objetivos rigorosos de emissões -não apenas para veículos, mas também para a indústria- irá beneficiar ambos. Poluição é tema de preocupação de saúde pública, causa milhões de mortes prematuras todos os anos no mundo. São pelo menos 200 mil mortes prematuras por ano nos EUA, mais que o dobro do total de pessoas que morrem de Alzheimer. Transporte é a maior causa da poluição do ar, e é vital que os cidadãos estejam protegidos.

Valor: Se Trump recuar no Acordo de Paris, há sentido em se seguir adiante sem os EUA?

Solheim: Se isso acontecer, acredito que o maior dano será para os próprios EUA, com o risco de novos empregos migrarem para outro lado do mundo. A experiência histórica mostra que os que se prendem ao velho são os perdedores e os que abraçam o novo são os vencedores da economia global. Por isso os EUA foram tão bem-sucedidos na última década, sempre foram capazes de abraçar o novo.

Valor: Falando em novo: o Pnuma mudou de nome?

Solheim: Mudamos para ONU Ambiente pela simples razão que temos que alcançar um grupo maior de pessoas além das já convertidas ao ambientalismo. Temos que falar com todo mundo e falar uma língua que as pessoas possam entender, de modo a encorajar as pessoas a se engajar na causa ambiental. Não mudamos em termos formais porque aí precisamos da aprovação da Assembleia Geral. Mas todo mundo fala Brasil e não República Federativa do Brasil, é a mesma ideia. Francamente, vou a muitas reuniões das Nações Unidas e as pessoas falam de um jeito que nem eu consigo entender.

Valor: Uma de suas prioridades é combater a poluição. Por quê?

Solheim: Por duas razões. Primeiro porque é o vetor que mais mata no mundo. Fomos bem sucedidos com o que mais matava no passado, como malária e varíola, e agora é a poluição que encurta a vida. Em segundo lugar, porque é uma boa maneira de enfrentar a mudança do clima. Poluição é algo mais próximo às pessoas. Quando há muita poluição as pessoas logo sentem impactos na saúde. Então também é um jeito de fazermos o que tem que ser feito para o planeta. Queremos tornar isso um movimento de cidadãos, ajudar governos a fazer políticas para reduzir a poluição e auxiliar o setor privado a ter novas tecnologias para que isso aconteça rápido. Não só na poluição do ar, também da água, os plásticos, todo tipo.

Valor: O senhor defende uma “nova economia do plástico”. O que quer dizer?

Solheim: As previsões dizem que em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes, se continuarmos a colocar mais e mais plásticos dentro do mar. Temos que garantir que os plásticos que produzimos sejam recicláveis e degradáveis. Que possamos embalar nossa comida em algo que possa ser comido. E que o plástico, que é um material muito útil, seja usado apenas onde for necessário.

Valor: Como a mudança pode ocorrer? A resposta é tecnológica?

Solheim: Com a ação de cidadãos pedindo mudança, pedindo que limpem suas praias e seu bairro. Em Ruanda as sacolas plásticas são proibidas e Kigali [a capital] é de longe a cidade mais limpa da África. No Reino Unido colocou-se uma taxa na sacola plástica, o que reduziu o uso em 90%. A mudança é fruto de liderança política, movimento dos cidadãos e novos produtos. Se os políticos regularem os mercados, será muito rápido. A habilidade do setor privado de inventar novos produtos é fantástica.

“Em 2050 haverá mais plásticos nos oceanos do que peixes, se continuarmos a colocar mais e mais plásticos dentro do mar”

Valor: Como avança o debate dos produtos químicos e o ambiente?

Solheim: Produtos químicos estão em basicamente tudo o que usamos, mas não se pode destruir a natureza. Se produzimos plásticos não podemos simplesmente jogá-los por aí. As substâncias químicas não podem ser venenosas, quando algum produto faz mal à saúde temos que desenvolver algo novo. E ter em mente que tudo que entra na economia tem de circular, para que possamos usar de novo os mesmos recursos. Temos recursos limitados no planeta.

Valor: A ONU Ambiente tem pesquisado como o setor financeiro pode financiar a economia verde e não seguir na infraestrutura antiga. Como se pode mudar o fluxo de dinheiro nas grandes economias?

Solheim: Trabalhamos perto do G-7 [grupo que reúne as economias mais desenvolvidas] e do G-20 [grupo das maiores economias do mundo] em como regulamentar mercados financeiros para que entrem mais rápido na economia verde. Como promover a transparência das empresas para que fiquem claros seus ativos financeiros, quais os riscos ambientais e climáticos dos produtos. Outro tema que discutimos com o setor financeiro é Fintech [termo que, em inglês, funde finanças e tecnologia]. São produtos financeiros da nova economia digital que permitem que se compre greenbonds, mandar dinheiro para a família, comprar um carro, tudo na internet. Trata-se de uma completa mudança e quebra a tradição de como operam os bancos. Queremos ver como se pode deixar a economia mais verde.

Valor: O setor privado anda mais rápido que os governos?

Solheim: Sim. Ministérios de Finanças parecem ser as instituições mais conservadoras do mundo. O Google, por exemplo, terá 100% de energias renováveis em suas operações. O Walmart prometeu reduzir suas emissões em algo equivalente à de 220 milhões de carros. Na Europa, Nestlé e Unilever estão muito a frente dos governos quando se trata de proteção ambiental.

Valor: A seca no Quênia, onde fica a ONU Ambiental, é terrível. Como vê a crise dos refugiados?

Solheim: Creio que a crise surge de uma mistura de motivos, de conflitos de guerra à pobreza e degradação ambiental. Frequentemente é difícil distinguir qual a razão principal, é uma mistura disso tudo. No Quênia temos um grande número de refugiados somális que se deslocam por causa do terrorismo do movimento extremista Al-Shabab [grupo afiliado à rede Al-Qaeda]. Eles vêm por causa da guerra na Somália, da seca, da falta de condições de vida, dos impactos da mudança climática e degradação ambiental. O ambiente amplifica este quadro de conflito. A concorrência por recursos naturais é um dos fatores principais de muitos confrontos.

Valor: E as pessoas se deslocam.

Solheim: Sim. Os dez países que mais recebem refugiados no mundo são todos em desenvolvimento. A Turquia é de longe o país que mais recebe refugiados no mundo. Depois vem Etiópia, Quênia, Paquistão, Irã e Jordânia.

Valor: Como a ONU Ambiental vai trabalhar com o tema da paz?

Solheim: Somos parte do sistema da ONU para prevenir conflitos quando possível. Na América Latina fomos convidados pelo presidente Manoel Santos para ser parceiro-chave na reconstrução da Colômbia no pós-conflito, ajudando pessoas que têm que voltar ao seu local de origem e considerando que há muita destruição no campo e na floresta.

Valor: Como o senhor, um dos arquitetos do Fundo Amazônia, observa a tendência de alta no desmatamento no Brasil?

Solheim: Tenho uma visão otimista. No meio desta grande crise política e econômica que o Brasil atravessa, ainda há apoio às principais políticas ambientais. Houve grande esforço em conter o desmatamento da Amazônia, embora nos últimos dois anos tenha aumentado novamente. Acho que o Brasil irá sair da crise, restaurar o crescimento e continuar com boas políticas ambientais.

Valor: Como se pode mudar o descompasso em que a floresta só tem valor quando está no chão?

Solheim: Este é um assunto muito importante. Houve um progresso fantástico no longo prazo com rápida queda no desmatamento, o Brasil mostrou que pode ser feito. Acho que poderia se ter uma mistura de turismo, que não destrói a floresta, com aumento de produtividade na agricultura além de prover modo de vida às populações da Amazônia, ao mesmo tempo em que se fortalece a proteção da floresta. Tenho total confiança que isso pode ser feito. Vejo com prazer que o Brasil, mesmo no meio da crise, conseguiu ratificar o Acordo de Paris. Foi muito positivo.

Valor: No quadro atual da política mundial, com governos populistas ganhando o poder, como ficam as questões ambientais?

Solheim: É injusto dizer que temas ambientais pertencem aos partidos de esquerda. Alguns partidos conservadores são tão fortes nesta agenda quanto os outros. Não é uma questão da esquerda ou direita. Alguns atacam a crise migratória, não em ambiente. A proteção da natureza está na agenda de partidos conservadores.

Fonte: Valor Econômico | Daniela Chiaretti

Água e estiagem: os desafios da gestão e abastecimento no nordeste

Os desafios para o suprimento de água na região semiárida do Nordeste foi o tema do primeiro Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE, realizado nesta quarta-feira (29), no mini auditório do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN). Autoridades, estudantes e pesquisadores estiveram reunidos para discutir as soluções para o cenário hidrológico e os enfrentamentos que envolvem os recursos hídricos no Nordeste e Rio Grande do Norte.

“Uns dos papéis do CERNE é trazer as instituições de ensino e pesquisa pautarmos questões importantes, dentre eles a questão da água”, afirmou o presidente da entidade , Jean-Paul Prates, na abertura do evento, explicando o trabalho do Conselho Técnico Científico. Ele disse que o ponto importante para discussão atualmente é a inovação tecnológica como ferramenta de gestão do abastecimento de água em regiões semiáridas.

O Diretor-Geral do Campus Natal-Central do IFRN, Jose Arnóbio, elogiou a ação do CERNE em promover o debate e também a criação do Conselho Técnico Científico como articuladora da aproximação entre pesquisadores, empresas e a sociedade, ao qual a instituição de ensino inclusive faz parte.

O professor Neilton Fidélis (IFRN/UFRJ) falou sobre as iniciativas acadêmicas na área de recursos hídricos e citou como exemplo um projeto integrativo socioambiental realizado no semiárido nordestino voltado para a área de energia. “Nesse projeto, trabalhamos com tecnologia para propor alternativas de uso e produção de energia que contribuam para questões referentes a segurança hídrica e energética nessas regiões como, por exemplo, construção de fogões solares”, explicou.

No Rio Grande do Norte, a média de armazenamento de água nas principais bacias hidrográficas  é de 17,8%, volume  considerado baixo, avaliou Gilmar Bristot, representante da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado (Emparn). “A previsão para os próximos 5 meses é de poucas chuvas na região do Trairi e uma melhora no nível das precipitações nas regiões leste e agreste do Estado”, conclui.  Para Bristot, o monitoramento das chuvas é importante como parte do planejamento da gestão hídrica .

Já o representante da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Franklin Rocha, apresentou as ações do órgão estadual, dentre eles, o Programa Água Doce, que é responsável por levar água potável, através de sistemas de dessalinização, para a população das regiões semiáridas do Rio Grande do Norte.  “As regiões do Seridó e Alto Oeste estão em situação hídrica bastante frágil. Nessas áreas, o foco do trabalho do governo estadual é maior”, destacou Rocha.

O Ciclo de Debates do Conselho Técnico Científico do CERNE terá outras edições ao longo do ano com temas que abordam recursos naturais e energia. A programação completa está disponível no site www.cerne.org.br.

CTC-CERNE

O Conselho Técnico Científico do CERNE (CTC-CERNE) é composto por pesquisadores e professores de diversas instituições de pesquisas e universidades do país e visa dinamizar ainda mais as ações do CERNE e dar um suporte técnico-científico nas discussões das estratégias, projetos e dos seus programas. O O evento tem como proposta debater os principais problemas do setor de recursos naturais e energia, buscando encontrar  soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor.

 

Fonte: CERNE Press

 

 

 

Brasil desponta como terceiro maior produtor de eletricidade das Américas

O Brasil é o terceiro maior gerador de eletricidade das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá, de acordo com relatório da EIA (Energy Information Administration). Em 2016, a capacidade instalada total de geração de energia elétrica atingiu 137 GW, gerando 560 bilhões de kWh.

As hidrelétricas se mantêm como principal fonte de geração da matriz elétrica brasileira, representando mais de 70% do total (87 GW), seguida pelos combustíveis fósseis (30 GW), biomassa (12 GW) e de uma pequena parte vinda das fontes eólicas e nucleares. O Brasil é o segundo maior produtor de energia hidrelétrica do mundo, perdendo apenas para a China.

O gás natural é o principal combustível fóssil usado no Brasil, correspondendo a mais da metade do potencial de combustíveis fósseis, sendo a outra parte ocupada pelo carvão mineral. A atual aposta do setor é o projeto da termelétrica do Porto de Sergipe, com entrega prevista para o final de 2019. A usina terá uma geração de 1,5 GW, a maior da América Latina.

Visando aumentar a parcela de fontes de energia renováveis não-hidrelétricas na matriz, o governo anunciou em 2015 o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). A ideia é ampliar e aprofundar as ações de estímulo à geração de energia pelos próprios consumidores, estimulando, por exemplo, o uso de energia solar fotovoltaica. A estimativa é que o programa movimente cerca de R$ 100 bilhões em investimentos, até 2030.

Fonte: Brasil Energia | Amanda Magalhães

Governo vai anunciar no 2º semestre leilões de óleo e gás de 2018 e 2019

“Queremos anunciar no segundo semestre deste ano os leilões de óleo e gás de 2018 e 2019 porque isso dá previsibilidade para que as empresas possam se organizar”, disse o ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia) à coluna, sem informar quais serão as áreas.

Coelho Filho afirmou estar confiante que a extensão do Repetro (regime aduaneiro especial do setor) saia ainda neste mês ou nos primeiros dias de abril.

“Não podemos escolher a empresa A ou B. Torcemos pela Petrobras, mas a prioridade do governo é gerar emprego, renda e arrecadação para o país”, disse sobre dar preferência à estatal.

O ministro comentou também que o preço da energia deverá subir neste ano.

“Vai ter ao longo de 2017 o acionamento de bandeira tarifária amarela, ou possivelmente, vermelha, pelo custo da geração”, afirmou.


Óleo e gás

Queremos anunciar neste ano os leilões de 2018 e 2019, porque isso dá uma previsibilidade para que as empresas possam se organizar. Agora há a possibilidade de companhias serem operadoras, precisam de um esforço financeiro maior. Em abril, vamos anunciar o leilão de novembro. E daí teremos todas as áreas deste ano anunciadas.

Repetro

A expectativa é que saísse em março. O atual regime está vigente até 2019. As empresas querem que os leilões ocorram com o prazo de mais vinte anos anunciados. Isso dá segurança e tranquilidade maiores às companhias que vão participar do leilão.

O primeiro, em maio, é de área terrestre, não há tanta necessidade do Repetro porque tem alto percentual de conteúdo local. Ele será importante para o de junho -segunda rodada do pré-sal.

Conteúdo local

Sabíamos que a nova política de conteúdo local geraria alguma insatisfação. No nosso entendimento, pode ser que nem todos concordem, a nova política local tem benefícios para a indústria de óleo e gás e outros [segmentos]. Teremos um percentual mais exequível do que no passado, nossas empresas têm como atender a preços competitivos e acabamos com o waiver [pedido de perdão pelo não cumprimento da regra], que soma hoje cerca de R$ 80 milhões.

Libra [na Bacia de Santos]está na pauta. A diferença entre a contratação com o conteúdo local e a compra no exterior é de quase 40% -de R$ 800 milhões para mais de R$ 1,1 bilhão. Com o barril a US$ 50, a exploração se inviabiliza. O presidente Pedro Parente diz que sem uma solução, paralisa o projeto, pois deixa de ser interessante.

A política [de conteúdo] é importante, mas se for por prazo indeterminado não fortalece a indústria. Queremos que forneça equipamentos também a outros países.

O percentual de conteúdo local está dado -a grosso modo se reduz a 50%.

Continua com a multa alta, mas com incentivo para pagamento. Não adianta ter R$ 20 bilhões de multas e ninguém pagar, mas também não pode ser baixa demais que compense o desembolso.

Angra

A ideia do governo é concluir a obra. Já foram investidos cerca de R$ 8 bilhões. Precisa de R$ 7 bilhões que a Eletrobras não tem para colocar, nem o governo federal. É energia importante, dá segurança ao sistema.

Uma alternativa talvez fosse buscar um parceiro. A legislação não proíbe que empresa privada toque usinas nucleares? A Eletronuclear seria a responsável por gestão e manuseio do combustível, e o parceiro seria o acionista majoritário, responsável pelo funcionamento.

Estamos estudando. Não vejo no curto prazo o governo investindo em novas usinas -nuclear ou hídrica.

O Brasil está voltando a crescer, precisa de investimentos em energia e se não dermos o sinal econômico correto, a iniciativa privada não investirá.

Bandeira vermelha

Não temos risco de desabastecimento. O problema é que pelo sexto ano vivemos uma seca severa, e neste ano uma chuva que não foi lá essas coisas no Sudeste.

A energia hídrica, que é a mais barata e a que tem maior percentual do sistema, não será suficiente. Isso faz com que a gente tenha de gerar térmica, que é mais cara.

Belo Monte/Abengoa

A energia de Belo Monte está paga, mas não tem como tirar de lá. A empresa enfrenta dificuldade, não tocou as suas obrigações. [Em recuperação judicial, a Abengoa é responsável pelo pré-linhão, que vai escoar energia para o Nordeste].

A Aneel tenta decretar a caducidade das linhas e devolver os lotes à União. Há uma decisão na Justiça do Rio de Janeiro. Quando conseguirmos, colocaremos os lotes de volta ao mercado. Não sei quando. Está judicializado, não está no nosso controle.

Leilão de transmissão

O primeiro foi completamente diferente dos leilões que tinham pouca adesão [obteve 92% dos R$ 12,6 bilhões que o governo esperava contratar]. No dia 24, deverá se realizar outro -mais R$ 13 milhões de investimentos.

Para o próximo, poderemos seguir regra que se pensa para o de rodovias: se o deságio for muito grande, tem de aumentar a garantia -para evitar outro caso Abengoa, de dar um deságio de 40%, e depois não conseguir executar. Possivelmente no segundo semestre, deveremos ter novos leilões de renováveis, térmicas, a gás e outras fontes.


Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. (FOTO Alan Marques/ Folhapress)

Ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. (FOTO Alan Marques/ Folhapress)

Raio-x

Nascimento
28 de fevereiro de 1984, em Recife (PE)

Formação

Administração de empresas

Carreira
Filho do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), foi o deputado federal mais jovem eleito em 2006, com 22 anos. Reeleito por dois mandatos, assumiu a liderança do PSB em 2015, até se tornar ministro de Minas e Energia

 

Fonte: Folha de São Paulo | Maria Cristina Frias | Coluna Mercado Aberto

Empresas de petróleo investem em energia eólica offshore

As grandes empresas de petróleo estão começando a desafiar as maiores concessionárias de energia elétrica na corrida para construir turbinas eólicas no mar.

A Royal Dutch Shell, a Statoil e a Eni estão investindo em parques eólicos offshore de bilhões de dólares no Mar do Norte e outras partes. Elas estão começando a obter vitórias contra as principais fornecedoras de energia, entre elas a Dong Energy e a Vattenfall, que se especializaram na ancoragem de turbinas enormes no fundo do mar, em leilões competitivos para contratos de aquisição de eletricidade.

As empresas de petróleo têm muitos motivos para mudar para o setor. Elas passaram décadas construindo projetos de petróleo offshore, negócio que está caindo em certas áreas onde os poços mais antigos se esgotaram. Os retornos de parques eólicos são previsíveis e sustentados por preços de eletricidade regulados pelo governo. Além disso, os executivos de combustíveis fósseis querem uma fatia do negócio da energia limpa porque existem projeções de que as energias renováveis irão abocanhar seus mercados.

“Essa é, certamente, uma área de interesse para nós porque há sinergias óbvias com o setor tradicional de petróleo e gás”, disse Luca Cosentino, vice-presidente de soluções de energia da empresa italiana de petróleo Eni, que está trabalhando com a General Electric em energias renováveis. “Como conhecemos o setor de petróleo e gás, nós não podemos ficar parados onde estamos e esperar que outro dê esse salto.”

Ventos favoráveis

A Shell está explorando novas oportunidades com a energia eólica offshore em toda a Europa após obter contratos do governo holandês para construir os parques eólicos Borssele III e IV em dezembro. O lance da Shell foi o segundo custo mais baixo da tecnologia em todo o mundo, de acordo com Sinead Lynch, presidente da empresa para negócios no Reino Unido, que disse que a grande vantagem da empresa na energia renovável pode ser sua experiência em marketing.

As grandes empresas de petróleo também estão transformando o setor eólico offshore baixando custos, escreveu por e-mail Stephen Bull, vice-presidente sênior da Statoil.

Dudgeon, o parque eólico da grande empresa de petróleo norueguesa na costa leste da Inglaterra, será 40 por cento mais barato do que uma planta vizinha construída há seis anos, disse Bull. A Statoil também está criando alicerces flutuantes para turbinas eólicas offshore que eliminam a cara etapa de ancorar os mastros dos moinhos de vento no fundo do mar. Além do Reino Unido, a empresa está desenvolvendo projetos na Alemanha e na Noruega e em dezembro ganhou um leilão para construir um parque eólico offshore em Nova York.

“Eu acho que eles não estão fazendo isso apenas para fins de relações com investidores”, disse Gunnar Groebler, chefe de energia eólica da sueca Vattenfall, uma das cinco maiores desenvolvedoras de energia eólica offshore, que recebeu bem a maior concorrência. “Como esses projetos são investimentos de bilhões de euros, eu suponho que eles fizeram avaliações minuciosa”

 

Fonte: Bloomberg

CERNE e UnP oferecem curso de capacitação em energia solar fotovoltaica

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), em parceria com a Universidade Potiguar (UnP), está com inscrições abertas até sexta-feira (24) para o Curso de Capacitação em Energia Solar Fotovoltaica – Tecnologia, Projetos e Aplicações. As aulas terão início no sábado, 25 de março, na UnP Unidade Nascimento de Castro.

Com duração de 20 horas, os conteúdos vão abordar a introdução à energia solar, características da fonte, fundamentos e tecnologias, componentes dos sistemas fotovoltaicos, conexões à rede elétrica e eficiência energética, dentre outros temas.

Ao final do curso, será realizada uma visita técnica onde os alunos poderão conhecer de perto o funcionamento de usina solar fotovoltaica do Instituto Federal de Educação Tecnológica do RN (IFRN). Poderão se inscrever estudantes de graduação e profissionais interessados no setor.

As inscrições podem ser feitas pelo endereço da plataforma e-Labora: sistemas.unp.br/hub/unp/sicoe/site/elabora. A ementa com todos os detalhes está disponível na área de cursos do site do CERNE pelo link: www.cerne.org.br/cursos. Outras informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 4009-1410 ou (84) 2010-0340.

Sem título

Fonte: CERNE Press

Complexo solar de 114 MW consegue aprovação para licença

Foi aprovado no dia 9 de março o parecer da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará favorável ao licenciamento prévio do complexo de usinas de energia fotovoltaica Solar Res Moreira, do consórcio Russas Energia Solar SPE Ltda. O complexo formado por quatro unidades deverá ser instalado no município de Russas, numa área de 337 hectares.

As usinas gerarão juntas 114 MW de energia, o equivalente à demanda de 50 mil casas. Entre as vantagens apresentadas pelo consórcio está a localização do empreendimento, a aproximadamente seis quilômetros da subestação da Chesf. Outro aspecto destacado é a taxa de irradiação solar, considerada satisfatória para dar sustentabilidade econômica ao empreendimento, mesmo em períodos de chuva.

Segundo estudos da empresa, 600 empregos serão gerados na fase de instalação do empreendimento.

Fonte: Governo do Ceará | Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace)

Piauí atinge 1GW de energia eólica

Conforme previsão divulgada em fevereiro pelo Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), o estado do Piauí atingiu esta semana a marca dos 1 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia eólica. O resultado foi alcançado com a instalação e início de operação em teste dos parques Ventos de Santo Augusto I, VI e VII,  somando 66,7 MW de potência.

Os empreendimentos estão localizados no município de Simões e foram comercializados no leilão A-5/2013 pela empresa Casa do Ventos. As usinas adiantaram a sua operação que em contrato estava prevista apenas para início em maio de 2018.

Com o resultado, o estado é o 5º a superar a marca no país.

Fonte: CERNE Press com informações da Abeeólica