CERNE contribui em ação educativa no Rio Grande do Norte

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) contribuiu com informações sobre energia eólica para uma feira de ciências realizada em uma escola pública localizada no município de Nísia Floresta, distante cerca de 30km de Natal.

A professora do 5º ano da Escola Estadual Camilo de Souza, Marilza Vieira, entrou em contato com o CERNE para solicitar informações sobre os maiores parques eólicos em operação no Brasil.

Foto: Marilza Vieira

Foto: Marilza Vieira

Os dados foram utilizados como embasamento para uma feira científica realizada na escola em novembro do ano passado em que um dos temas apresentados foi sobre energia limpa.

Fonte: CERNE Press

Produção de petróleo em terra é incerta no RN, diz especialista

O Programa de Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (REATE) lançado ontem em Salvador (BA), pode ser um passo para se discutir a retomada dos investimentos no setor no Rio Grande do Norte, mas o programa não dá essa certeza, considera o diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates.

Na solenidade de abertura, o ministro das Minas e Energias,  Fernando Coelho Filho, disse que o Programa Reate que incentivar produtores, fornecedores e financiadores dessa atividade para aumentar a exploração e produção com objetivo de tornar a indústria de exploração e produção forte e competitiva.

Segundo o ministro Fernando Coelho Filho, as centenas de empresas que atuam na produção onshore devem ser valorizadas. Essas empresas geram milhares de empregos no interior do país, reiterou. “Um poço que produz 2, 3, 5 mil barris ao dia, no interior do Nordeste, é tão importante quanto um poço do pré-sal que gera 50 mil barris ao dia”, disse.

Jean-Paul Prates explica que a atividade em terra se ressente de atenção governamental, principalmente quanto a um norte definido. Isso desde 1998, quando se iniciou o novo regime regulatório de concessões no Brasil, frisa.

A retomada dos investimentos, avalia Prates, não é um tema simples. De acordo com ele, ela envolve muito mais do que técnicas de revitalização e viabilidade econômica. “Para mim, a solução não é imediata e requer um processo de pelo menos 10 anos para ser implementado com sucesso. Perdemos quase 20 anos na inércia total. Estamos muito atrasados quanto a esta questão”, assinala o especialista em energias, que ressalva: “Evidentemente nunca é tarde para se começar a tratar do assunto, de forma consistente.”

A questão preliminar do Reate, segundo Jean-Paul, é saber se o programa conseguirá ser implementado, apesar de essa ser outra questão. Segundo ele, o declínio das atividades do petróleo decorre da exaustão das reservas já exploradas. “Os volumes vão declinando e as novas campanhas exploratórias não encontram novas reservas”.

O problema da produção terrestre no RN, como em todos os campos terrestres, é que a bacia vai amadurecendo e sobrevivendo apenas da produção que resta. Nesta fase, comenta, a única saída são os investimentos na chamada revitalização, que podem envolver processos físicos como bombeio, injeção de água, vapor ou gás, ou ainda processos químicos mais complexos. “Tudo para retirar do subsolo o restante de petróleo que ficou lá após a aplicação dos métodos convencionais”, sentencia.

De acordo com o especialista, normalmente, os investimentos em revitalização são realizados por empresas de configuração mais local, regional do que global. Porém, o erro das tentativas anteriores em repassar estes ativos para empresas privadas, avalia Prates, foi justamente forçar fazer pressão para vendê-los diretamente a empresas cuja  estrutura e os interesses tampouco eram locais. No caso, as empresas estrangeiras ou nacionais mas de porte e interesse diversos.

O Reate, por outro lado, não teve qualquer cuidado em lembrar que, por trás das operações atuais, mesmo decadentes, há um corpo de técnicos e funcionários que sofrerá consequências de uma transição sem oportunidade para que continuem trabalhando, argumenta Prates. Por isso, se explica a reação contrária de  sindicatos de trabalhadores e associações de empregados.

Jean-Paul Prates lembra que programas de revitalização da produção e exploração como o Reate não são novidades. “Já houve outras iniciativas deste tipo em 2002, 2007 e até em 2015”, ressalta.

Segundo Prates, o secretário de Petróleo, Márcio Félix, lhe disse que o evento na  Bahia visa coletar sugestões e avaliar o que foi feito até agora, e por que não deu certo. “Creio que a iniciativa de tornar a discutir o assunto, com objetivo de criar um plano para estimular a atividade de petróleo em terra é não apenas válida como essencial para situações como a do RN”, assinala Prates que quando foi secretário de Desenvolvimento do RN no governo Wilma de Faria, Fortes também era secretário da mesma área no Espírito Santo. “Estabelecemos algumas parcerias inclusive quanto à análise desta questão dos campos terrestres”, complementa.

Jean-Paul Prates adverte que será um erro ignorar o papel proeminente que a Petrobras e seus técnicos podem ter quanto a isso, caso seja caracterizada,  mais uma vez, uma situação de antagonismo de pequenos produtores contra a estatal. Caso isso aconteça, o programa estava fadado a não progredir como os anteriores, afirma.

“É preciso conciliar os interesses antes de partir para simples vendas de ativos. Uma das possibilidades, que tenho sugerido há mais de dez anos, é utilizar o modelo de parceria evolutiva: ou seja, traçar planos técnicos e financeiros para o investimento em revitalização, escolher grupos técnicos competentes e iniciar cedendo parcelas minoritárias nos ativos, submetendo as cessões de mais percentual no negócio ao desempenho técnico e ao atingimento de metas”, analisa. Dessa forma, adianta, isso tornaria a transição mais suave, tanto para quem assume os campos marginais quanto para quem sai deles.

Outra questão levantada por Jean-Paul Prates e que dificulta o interesse de investidores é a questão dos custos de abandono. “São os custos que o operador tem que incorrer para finalizar as operações”, destaca. Segundo ele, o operador atual (Petrobras ou outro) deveria ter provisionado uma conta de abandono para isso, ao longo das operações de 20 ou 30 anos de produção. “Mas isso não parece ter ocorrido, o que impõe a quem compra ou sucede a operação o custo total de abandono no futuro. Também o passivo ambiental deve ser dimensionado de forma a que a responsabilidade caiba a cada um dos períodos de operação separadamente. Como se vê, há muito o que discutir e decidir, antes de simplesmente vender os campos”, encerra.

Produção terrestre no Brasil

O ministro das Minas e Energias, Fernando Coelho Filho, disse ontem na Bahia, no lançamento do Programa de Revitalização da Atividade de Exploração  e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (REATE) que a produção atual Onshore (em terra) no Brasil é de 143 mil barris diários de óleo e 26 milhões m3/dia, em 8 estados.

A proposta do REATE é que essa produção atual possa triplicar até 2030, chegando aos atuais patamares Onshore de Argentina e Equador, algo em torno de 500 mil barris diários. De acordo com ele, a iniciativa pode ainda ajudar a levar a exploração e produção no dobro de Estados, gerar mais de 10 mil novos empregos diretos e indiretos e movimentar a economia de centenas de municípios. Também é uma meta do programa aprimorar o ambiente de produção competitiva de gás natural, de modo a dar suporte a um desenvolvimento industrial regional, notadamente nas regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte do Brasil.

“Estamos juntando uma série de oportunidades, em todos os tipos de áreas de exploração e agora temos a ideia de lançar esse programa, ouvindo a indústria para poder aumentar sua participação, casando com a oportunidade de desmobilização de ativos da Petrobras. Estamos vendo de que forma podemos dinamizar essa produção”, afirmou Coelho Filho.

Demanda dita ritmo de leilões de energia em 2017

O calendário de leilões de energia do governo este ano depende basicamente de dois fatores: a necessidade de demanda futura das distribuidoras e o resultado do leilão de descontratação em estudo pelo Ministério de Minas e Energia (MME). A pasta também avalia a possibilidade de flexibilizar características dos certames, para ajustar o prazo de contratação de projetos à necessidade do mercado.

A demanda das empresas de distribuição de energia é fundamental para viabilizar leilões convencionais, principalmente os do tipo A-3 e A-5, com início de fornecimento em três e cinco anos à frente. Já o resultado do leilão de descontratação sinalizará a real necessidade de um leilão de energia de reserva, feito para aumentar a segurança do sistema.

O objetivo do leilão de descontratação é retirar do cenário de expansão da oferta de energia do país empreendimentos contratados em leilões de reserva anteriores que estejam atrasados ou que não terão viabilidade econômica. Segundo estimativas do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), há sobra estrutural de energia de 8,4 gigawatts médios em 2018, considerando esses projetos.

“A realização de um LER [leilão de energia de reserva] depende das contas feitas no leilão de descontratação e da mudança na garantia física [das usinas]”, disse o secretário-executivo do MME, Paulo Pedrosa.

Em 2016, influenciado pelo cenário de crise econômica e sobrecontratação das distribuidoras, o governo realizou apenas dois leilões de energia nova, um deles do tipo A-5, com 201,8 megawatts (MW) médios contratados, e um de reserva, que negociou 95,4 MW médios, totalizando a contratação de apenas 297,2 MW médios – um dos volumes mais baixos desde a implantação do atual modelo regulatório, em 2004. Também em 2016, o governo cancelou um leilão de reserva, às vésperas de realização do certame.

Segundo Luiz Augusto Barroso, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que auxilia o ministério na elaboração dos leilões, a realização de novas licitações depende da existência de demanda, assim como da avaliação da segurança no fornecimento de energia ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

“O MME, através da Secretaria de Planejamento [e Desenvolvimento Energético], lidera a organização desse calendário e estamos contribuindo. Nosso objetivo maior é definir um calendário anual de realização de leilões que seja respeitado de forma a dar previsibilidade aos investidores”, disse Barroso.

Além da definição de um calendário de leilões, outra meta do governo é dar flexibilidade ao planejamento do setor, por meio de leilões com prazos ajustados à real necessidade de contratação. A medida é possível com a Lei 13.360, de novembro de 2016, que permite alterar prazos de contratação. Até então os leilões eram engessados e só poderiam contratar energia nas janelas do A-3 e A-5. Agora, por exemplo, pode haver leilões A-4 ou A-6.

“A Lei 13.360 apresenta inovações em relação aos leilões, dando mais flexibilidade ao planejamento. É possível fazer um A-5 de energia existente ou um leilão de energia nova A-4, por exemplo. Temos instrumentos para ajustar a expansão do sistema à real necessidade”, disse o presidente da EPE.

Nessa linha da flexibilidade, a indústria de energia solar busca um leilão A-2, com início de entrega de energia para 2019. De acordo com o setor, não há contratações para 2019 e o próximo leilão tradicional, o A-3, só contrataria energia para 2020.

Devido ao cenário econômico ainda fraco, a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) trabalha com a possibilidade de haver apenas um leilão – de reserva – este ano. “Parece não haver espaço para leilões de geração [A-3 e A-5]. Talvez consigamos, na melhor das hipóteses, um leilão de reserva”, disse a presidente da entidade, Élbia Gannoum. O leilão de descontratação pode ajudar a liberar espaço para essa contratação, afirmou.

Além dos leilões de compra de energia, a Associação Brasileira de Geradoras Termelétricas (Abraget) propõe licitação para contratação de térmicas de partida rápida, em geral usinas a gás natural de ciclo aberto. A ideia é que os empreendimentos sejam acionados rapidamente para suprir a intermitência na geração via fontes renováveis.

Fonte: Valor Econômico

Primeira cidade inteligente para população de baixa renda está sendo construída no Ceará

Em Croatá, distrito do município de São Gonçalo do Amarante, no Ceará, está sendo construída a primeira smart city social do país, uma cidade inteligente que atenderá área com forte déficit habitacional e de outros serviços. Será o primeiro protótipo real de uma cidade inteligente para população de baixa renda. O empreendimento terá 330 hectares. As moradias possuem preços similares aos da faixa 2 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), entre R$ 99 mil e R$ 145 mil, e tamanhos entre 45 m² a 65 m², dependendo de um dos cinco modelos oferecidos. Os lotes estão à venda por R$ 23,4 mil e podem ser pagos em até 120 meses.

A nova cidade se chama Croatá Laguna Ecopark e é uma iniciativa conjunta de duas organizações italianas, Planeta Idea e SocialFare – Centro para Inovação Social, com a StarTAU, Centro de Empreendedorismo da Universidade de Tel Aviv.

O habitante estará imerso num sistema social integrado, com sinal wi-fi liberado, aplicativos específicos para serviços de transporte alternativo, compartilhamento de bicicletas e motos, pagamentos via smartphone, além de reaproveitamento das águas residuais, controle computadorizado da iluminação pública e praças dotadas de equipamentos esportivos que geram energia. A tecnologia também oferecerá ajuda para desenvolver programas sociais, como cursos de prevenção médica, nutrição, alfabetização digital e hortas compartilhadas. O projeto deve ficar pronto no final de 2017, segundo os idealizadores.

Smart City

A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços.

Veja vídeo sobre o projeto.

Fonte: CERNE Press com informações do jornal O Povo e Confereração Israelita do Brasil

Consumo de renováveis vai crescer 4,8% ao ano até 2035

O consumo de energias renováveis no Brasil vai mais que dobrar de 2015 até 2035, aumentando 4,8% ao ano, de acordo com o relatório BP Energy Outlook, divulgado nesta quarta-feira, 25 de janeiro. A projeção dele é que o país vai se tornar um exportador líquido de energia, com o crescimento das produções de petróleo, gás e energias hidroelétrica, nuclear e renováveis superando o crescimento da demanda por energia. A produção de energia no Brasil vai passar de 94% do consumo em 2015 para 112% em 2035.

O BP Outlook mostra que o único combustível que vai sofrer retração no seu consumo é o carvão, com queda de 16%. Os renováveis, incluindo biocombustíveis, vão crescer 157%; a hidrelétrica vai aumentar 37%; o petróleo cresce 16%, o gás natural, 43% e o nuclear, 149%. O relatório mostra ainda que o consumo de energia vai crescer 2,2% entre 2015 e 2035. O consumo de gás cresce 1,8% ao ano, mais que a média mundial, que vai ficar em 1,6%. Já a produção de gás natural sobe 1,7% ao ano no período, crescendo cerca de 1 Bcf/d até 2035.

O consumo de energia elétrica crescerá 2,2% a.a. entre 2015 e 2035. A fonte hidrelétrica continuará a ter posição de liderança, mas vai ter a participação reduzida de 63% para 56%, na medida em que as renováveis dobram no período. Outra revelação importante do relatório é que até o final da projeção, a fonte eólica vai ultrapassar o gás natural e vai ser a segunda maior fonte de geração de energia.

Vai ocorrer um aumento de 41% no consumo de energia no país e a intensidade energética, que é quantidade de energia necessária para gerar uma unidade do PIB, vai recuar 2% até 2035. O número é considerado baixo na comparação com a queda global, de 33%.

Fonte: Pedro Aurélio Teixeira, da Agência CanalEnergia, Planejamento e Expansão

Potência de energia instalada no Brasil é a maior em 19 anos

Foram adicionados ao sistema elétrico nacional aproximadamente 9,5 GW, o maior valor agregado desde 1998.

No ano passado foram adicionados ao sistema elétrico nacional 9.5 GW em potência instalada, o maior valor desde o início da série histórica, em 1998. Os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) também apontam que está previsto um incremento de 7.120 MW de capacidade instalada no Brasil em 2017.

Apesar da crise econômica que afeta o país e o cancelamento do leilão de energia renovável que estava previsto em dezembro passado, o setor elétrico brasileiro passou por um crescimento recorde em 2016, segundo análise do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE). Dos 9,5GW em potência instalada, quase 1GW pertence a um único estado, o Rio Grande do Norte..

Eólica

Quando se fala em energia eólica, os números são ainda mais animadores. Entre 2015 e 2016 foi registrado um crescimento de 82% em geração eólica, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) computados até novembro do ano passado. Nesse período, o Rio Grande do Norte foi destaque total, uma vez que dos 98 parques eólicos que entraram em operação no Brasil, 35 estão instalados em solo potiguar.

Fonte: CERNE Press

Aneel registra mais de 7,6 mil conexões de geração distribuída

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) registra 7.610 conexões de geração distribuída (geração de energia pelos próprios consumidores) até janeiro de 2017, totalizando potência instalada de 73.569 kW.

Entre as energias renováveis mais utilizadas, a fonte solar fotovoltaica é a que mais se destaca, com 7.528 conexões. Em termos de potência instalada, a energia gerada pelo sol também saí na frente com 57.606KW.

Na comparação por unidades da federação, Minas Gerais mantém o primeiro lugar (1.644) de número de conexões com geração distribuída, seguido de São Paulo (1.369) e Rio Grande do Sul (769).

A grande maioria das conexões de geração distribuída permanece nas residências. Segundo a Aneel, 5.997 das conexões de geração distribuída atendem essa classe de consumo. Já o comercio é responsável por 1.186 adesões.

ProGD

Em dezembro de 2015 foi lançado o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD). Com R$ 100 bilhões em investimentos, a previsão é que até 2030, 2,7 milhões de unidades consumidoras poderão ter energia gerada por elas mesmas, entre residência, comércios, indústrias e no setor agrícola, o que pode resultar em 23.500 MW (48 TWh produzidos) de energia limpa e renovável, o equivalente à metade da geração da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Com isso, o Brasil pode evitar que sejam emitidos 29 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

Fonte: Ministério de Minas e Energia (MME)

State Grid conclui aquisição do controle da CPFL Energia por R$ 14,19 bilhões

A State Grid concluiu nesta segunda-feira, 23 de janeiro, a compra do bloco de controle da CPFL Energia por R$ 14,19 bilhões. A empresa chinesa passa a deter 54,64% do capital votante e total da companhia brasileira. A State Grid também comprou as ações detidas pela CPFL Energia na subsidiária CPFL Renováveis por R$ 3,17 bilhões. Em comunicado, a State Grid lembra que lançará em breve uma Oferta Pública de Ações para aquisição, nas mesmas condições, da participação dos minoritários nas duas empresas.

O gigante chinês também adiantou que está estudando o fechamento do capital das empresas. “Embora nenhuma decisão definitiva tenha sido tomada, a State Grid Brazil está atualmente analisando a possibilidade de promover a deslistagem da CPFL Energia da New York Stock Exchange e/ou o cancelamento de registro da categoria A da CPFL Energia e/ou da CPFL Renováveis como companhia aberta no Brasil (e, no que se refere à CPFL Energia, o cancelamento de seu registro como companhia aberta nos Estados Unidos) no prazo de um ano a contar da presente data”, afirma o comunicado assinado pelo CEO da State Grid Brazil Power Participações, Yang Qu, distribuído pela CPFL Energia.

A CPFL Energia tem ações listadas no Novo Mercado da BM&FBovespa e ADR Nível III na NYSE, além participar do Índice Dow Jones Sustainability Index Emerging Markets e do Morgan Stanley Capital International Global Sustainability Index (MSCI). Pelo 12º. ano consecutivo, as ações da companhia integram a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa.

A State Grid comprou um total de 556.164.817 ações ordinárias da CPFL Energia detidas pelos controladores Camargo Corrêa e aos fundos de pensão Previ, Fundação Cesp, Sabesprev, Sistel e Petros. A chinesa pagou 25,21 por ação da companhia e, no caso da CPFL Renováveis, pagou R$ 12,20. As OPAs serão lançadas após o registro perante à Comissão de Valores Mobiliários. O valor a ser oferecido aos minoritários será o mesmo dos controladores, acrescido de juros à taxa Selic desde a data do fechamento do negócio até a data da liquidação financeira da OPA, a ser pago à vista e em moeda corrente nacional.

No comunicado, Yang Qu afirma que o objetivo da aquisição do grupo brasileiro “é a diversificação do portfólio de negócios da SGID [State Grid International Developmente Limited], e a utilização da sinergia existente entre a CPFL e seus ativos de transmissão para fortalecer a posição de liderança no setor elétrico brasileiro”. O antigo acordo de acionistas da CPFL Energia foi encerrado com a compra do grupo pela State Grid.

“Termos ao nosso lado um acionista do porte da State Grid nos traz a confiança de que a CPFL Energia continuará a sua trajetória de crescimento, reforçando a posição de liderança nos principais segmentos do setor elétrico brasileiro. Temos uma plataforma de negócios preparada para aproveitar as novas oportunidades do mercado, e o apoio da State Grid será fundamental”, afirmou o presidente da CPFL Energia, Andre Dorf, em nota à imprensa.

Fonte: Alexandre Canazio, da Agência CanalEnergia, Negócios e Empresas

Dez fatos sobre energia eólica brasileira que você talvez não saiba

  1. O Brasil tem um dos melhores ventos do mundo

Para entender essa afirmação, antes você precisa saber o que é fator de capacidade. Pois bem! Fator de capacidade é a medida de eficiência dos aerogeradores de um parque eólico com base na qualidade dos ventos de uma região, ou seja, quanto foi gerado por um aerogerador. Quando falamos, por exemplo, de um fator de capacidade de 30%, estamos falando, de maneira simplificada, que os ventos da região têm aproveitamento moderado e geram energia em 30% do tempo na média. O tipo do aerogerador também influencia. No que se refere à qualidade do vento, os melhores para energia eólica são os constantes, sem grandes alterações de velocidade ou direção. No caso do Brasil, temos ótimos ventos e de boa qualidade, principalmente na região Nordeste, fazendo com que nosso fator de capacidade seja superior a 50%, enquanto a média mundial varia de 20% a 25%.

  1. Há dias em que pelo menos a metade da energia do Nordeste vem das eólicas

O nordeste brasileiro tem batido recordes atrás de recordes, especialmente no que chamamos de “safra” do vento, que é o período do ano em que mais venta. Em 05 de Novembro de 2016, por exemplo, a energia eólica bateu seu recorde diário na região com 5.077 megawatts médios (MWmed). Isso significa que, naquele dia, 52% da energia consumida no Nordeste veio de eólicas. Lembra que falamos de fator de capacidade acima? Então, neste dia o fator de capacidade do Nordeste foi de 70%, que é algo surpreendente. Realmente temos ventos excepcionais no nordeste brasileiro!

  1. A geração de energia eólica não emite CO2.

Se fizermos uma conta do que a energia eólica evita de emissões de gases de efeito estufa, podemos dizer que, em um ano, evitou-se a emissão de CO2 equivalente à quantidade produzida por praticamente toda a frota da cidade de São Paulo (8 milhões de veículos). Isso porque a fonte eólica tem emissão de CO2 igual a zero em sua operação e ao gerar esse tipo de energia evita-se a geração de outra, que poderia ser poluente.

  1. Não é só no Nordeste que estão os parques eólicos

Quando a gente pensa em energia eólica no Brasil já lembra logo do Nordeste. E isso porque é realmente lá que está a maioria do que temos de energia eólica. Dos 430 parques eólicos atuais, 342 estão no Nordeste. Bom, mas é preciso saber também que o estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, é um produtor extremamente importante dos estados brasileiros, com 72 parques instalados. No ranking de capacidade instalada, o Rio Grande do Sul é o quarto colocado com 1,7 GW, os três primeiros são Rio Grande do Norte, Bahia e Ceará com 3,4 GW, 1,9 GW e 1,8 GW, respectivamente. No Brasil, tem vento bom de norte a sul!

  1. A eólica também faz bem para o bolso

Nos leilões recentes, a energia eólica se consagrou como a segunda fonte mais barata. A primeira é a energia das grandes hidrelétricas. Se considerarmos que não há mais condições para que o Brasil invista em grandes hidrelétricas, especialmente por questões ambientais, podemos considerar que a eólica é hoje no Brasil a opção mais barata de contratação. Bom para o meio ambiente e para o bolso do consumidor!

  1. As torres de geração de energia eólica convivem com outras atividades agrícolas e animais

É bem comum a cena: uma torre eólica em funcionamento e, logo ao lado, vacas pastando, cavalos ou então uma plantação. Isso é possível porque as torres, depois de instaladas, ocupam pouco espaço de solo e os donos da terra podem seguir adiante com seu cultivo ou criação de animais. Isso é, aliás, um dos grandes benefícios da energia eólica: um baixíssimo impacto ambiental.

  1. Torres eólicas têm grande complexidade tecnológica

Podemos considerar que construir um parque eólico é rápido, comparando, por exemplo, com o tempo que se leva para construir uma hidrelétrica. A rapidez, no entanto, não significa que é algo simples! Uma torre eólica tem grande complexidade tecnológica, centenas de componentes e grandes dificuldades de transporte pelo tamanho das pás e aerogeradores. A cadeia produtiva do setor inclui desde fornecedores de pequenos componentes até as empresas especializadas que fabricam os aerogeradores e as pás. No youtube é possível encontrar um monte de vídeos mostrando como as torres são por dentro, como é o processo de construção de um parque eólica, a engenharia envolvida para colocar as pás, etc… É um prato cheio para quem gosta de tecnologia e engenharia!

  1. O Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

De acordo com o GWEC – Global Wind Energy Council, o Brasil foi o quarto país em crescimento de energia eólica no mundo em 2015, considerando os números de capacidade instalada, atrás da China, Estados Unidos e Alemanha e representando 4,3% do total de nova capacidade instalada no ano no mundo todo. Em percentual, foi o País que mais cresceu no mundo. Se quiser mais informações, veja aqui o relatório “Global Wind Report 2015” do GWEC: http://bit.ly/23ZHypq. Ah, o de 2016 ainda não foi fechado, mas já se estima que a fonte eólica deve subir mais uma posição no ranking mundial de parques eólicos acumulados, onde o Brasil foi colocado em décimo, em 2015. Isso mesmo, estamos no TOP 10 mundial de energia eólica!

Um outro documento que atesta a boa colocação brasileira é o “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2015”, divulgado pelo MME – Ministério de Minas e Energia em agosto de 2016. O boletim mostra que o Brasil subiu sete posições, nos últimos dois anos, ocupando hoje o oitavo lugar em geração, representando cerca de 3% de toda produção eólica mundial.

Uma coisa importante: os dados do GWEC se referem ao que está instalado (potência), enquanto o boletim do MME mostra dados do que é gerado em relação ao que está instalado. Ou seja: não importa se estamos falando de capacidade instalada ou de energia gerada, o fato é que o Brasil tem se saído muito bem nas comparações mundiais

  1. A cadeia produtiva da energia eólica está no Brasil e gera empregos aqui

Se a energia eólica brasileira tem obtido tanto sucesso nos últimos anos não é só porque temos um dos melhores ventos do mundo. Afinal de contas, de que adiantaria isso se não soubessemos explorar esse potencial, não é mesmo? Houve, nos últimos anos, um forte investimento de empresas que construíram uma cadeia produtiva nacional de alta tecnologia e eficiência. Os grandes fabricantes de aerogeradores, pás, torres e grandes componentes estão instalados no Brasil, produzindo e contratando aqui. Além disso, dezenas de empresas brasileiras foram criadas ou passaram a se dedicar para oferecer componentes para a cadeia produtiva. Pelo menos 80% dos componentes de uma torre eólica são feitos no Brasil, incluindo aerogeradores, pás eólicas, naceles, torres. Só em 2016, foram gerados 30 mil postos de trabalho na cadeia eólica.

  1. A energia eólica vai ajudar o Brasil a cumprir o Acordo do Clima

O Brasil possui uma matriz elétrica bastante renovável, mas ainda pode aumentar o seu percentual em energia limpa. No passado, as grandes hidrelétricas sempre foram a opção número 1 para geração e até hoje são mais da metade da matriz. O que acontece é que, especialmente por questões ambientais, já não há mais espaço para o desenvolvimento de projetos de grandes hidrelétricas no Brasil. E, neste cenário, a eólica surge como a opção chave para expandir o papel das renováveis na matriz elétrica porque é uma opção barata, de baixíssimo impacto e de rápida implantação, com zero emissão de CO2 na geração e com uma cadeia produtiva nacionalizada e pronta para produzir os componentes com eficiência e competitividade. Hoje, a eólica representa 7% da matriz. Para 2020, deve chegar a 12% e até 2030 estima-se que ocupe de 20 a 25% da matriz. E isso vai ajudar muito o Brasil a cumprir com suas metas de redução da emissão de CO2, por exemplo.

Fonte: Abeeólica

Leilão de energia solar em PE vende toda a oferta colocada no certame

O leilão de energia solar realizado pela comercializadora da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), negociou 3.400 MWh ou 0,938 MW médios de energia dos parques Fontes Solar I e II, da Enel Green Power, em Tacaratu, para o período de 1º de janeiro a 31 de maio. A comercializadora é vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sdec). O restante da geração média de Tacaratu já é consumido pelo Centro de Convenções de Pernambuco desde 1º de junho de 2016.

A comercializadora Kroma Energia, de Recife, arrematou a oferta com um preço superior a R$ 200,00/MWh. Todas as propostas foram superiores ao PLD para a carga pesada da primeira semana de janeiro para o submercado do Nordeste, e metade das propostas apresentadas tiveram preços superiores a R$ 190,00/MWh. E ainda todas objetivaram a compra de todo o lote ofertado e em conformidade com a distribuição mensal objeto do Edital, o que caracteriza “a continuidade do processo de consolidação do mercado de energia de fonte solar no Brasil, totalizando 3,40 GWh de energia a ser consumida no período especificado”.

Segundo relatou o governo do estado de Pernambuco, o interesse por esta energia incentivada foi demonstrado pela participação de dezoito empresas que aderiram ao processo. Todas se habilitaram, sendo 17 dessas empresas comercializadoras e uma geradora. Desses, 14 agentes em São Paulo, duas de Pernambuco, uma de Goiás e uma do Paraná.

Fonte: Da Agência CanalEnergia, Mercado Livre