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Produção eólica no RN avança 39% no primeiro quadrimestre de 2017

A produção de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo dos primeiros quatro meses deste ano foi 30% superior à geração no mesmo período do ano passado, no Brasil. No Rio Grande do Norte, que mantém a liderança entre os estados do país, o avanço foi de 39% no período. Os dados são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e foram divulgados ontem. Nacionalmente, as usinas movidas pela força dos ventos produziram 3.286 MW médios entre janeiro e abril, frente aos 2.532 MW médios gerados em 2016.

Com essa expansão, a representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do sistema alcançou 5,1%. Já a fonte hidráulica, incluindo grandes usinas e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) foi responsável por 79,4% do total, enquanto as usinas térmicas responderam por 15,4% da geração no País.

Ao final de abril deste ano, havia 414 usinas eólicas em operação comercial no Brasil, que somavam 10.517 MW de capacidade instalada, o que corresponde a uma expansão de 17,6% frente às 352 unidades geradoras existentes no mesmo mês do ano passado.

Na avaliação por estados, o Rio Grande do Norte permanece como maior produtor do País, com 1.087,6 MW médios em 2017, aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece a Bahia com 678 MW médios (+30%), o Rio Grande do Sul, que produziu 533 MW médios (+9%), e o Ceará, com 465 MW médios (+12%).

O Rio Grande do Norte também figura com a maior capacidade instalada, somando 3.209 MW, aumento de 19% em relação ao ano anterior. O Ceará – apenas quarto colocado em geração – aparece em segundo lugar, com 1.960 MW instalados (+21%). A Bahia se manteve com 1.750 MW e o Rio Grande do Sul registra 1.682 MW (+11%).

Expansão
Só no ano passado, 81 novos parques geradores de energia eólica adicionaram 2 gigawatts (GW) à matriz elétrica brasileira, divulgou em maio deste ano a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

De acordo com o Boletim Anual de Geração Eólica 2016, a adição destas capacidades fez com que o setor chegasse ao final de 2016 com 10,75 GW de capacidade instalada em 430 parques. Segundo a publicação, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho em 2016 e o investimento no período foi de US$ 5,4 bilhões. Citando dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a ABEEólica destaca que no ano passado a geração de energia eólica cresceu 55% em relação a 2015.

No ano passado, diz a entidade, a energia eólica gerou energia equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês, o que equivale a cerca de 52 milhões de habitantes. Isso significa um avanço de 58% em relação ao ano anterior, quando a energia eólica abasteceu 33 milhões de pessoas.

No relatório, a ABEEólica cita ainda dados do GWEC (Global Wind Energy Council), que mostram que o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no Ranking Mundial de capacidade instalada de energia eólica. Já no ranking de novas capacidades instaladas no ano, Brasil caiu uma posição e está em quinto lugar.

SETOR EÓLICO
O QUE
A energia eólica aproveita a energia do vento e a transforma em energia elétrica.

COMO
Seu aproveitamento ocorre por meio de turbinas eólicas, também chamadas aerogeradores. O parque ou usina eólica é um conjunto desses equipamentos.

ONDE
Normalmente essa energia é disponibilizada no Sistema Interligado Nacional (SIN), ao qual os estados estão conectados.

QUEM
Mais de 600 trabalhadores chegam a ser empregados na fase de obras em alguns parques eólicos.

CONSTRUÇÃO
Cerca de 90% da mão-de-obra ajuda a construir os caminhos de acesso e as fundações. São pedreiros, serventes, mestres de obras, encarregados e engenheiros, por exemplo. A equipe restante faz a montagem dos aerogeradores.

INDÚSTRIA
Há oportunidades fora da obra. As fábricas de turbinas, que lideram as contratações, absorvem 37% dos trabalhadores. Fábricas de componentes ficam com 22%, a área de desenvolvedores de parques com 16% e a instalação, operação e manutenção com 11%. (FONTES: ANEEL/EMPRESAS/ESTUDO WIND AT WORK: wind energy and jog creation in the EU.)

Fonte: Tribuna do Norte com informações da Agência Estado

Obras do Complexo Eólico Lagoa do Barro têm início no Piauí

Neste mês de junho está sendo dado o pontapé inicial das obras do Complexo Eólico Lagoa do Barro. O empreendimento tem previsão de investimento de 1,3 bilhão de reais e é um marco para o desenvolvimento de Lagoa do Barro do Piauí, município com pouco mais de 5 mil habitantes localizado no sertão do estado. As obras vão gerar cerca de 500 empregos diretos e indiretos nos períodos de pico onde todas as empresas estarão atuando e movimentar a economia local de uma maneira inédita.

“O Complexo Eólico Lagoa do Barro é hoje um empreendimento do estado do Piauí. Temos certeza que esse é o primeiro passo para o desenvolvimento da região.”, reforça Wellington Dias, Governador do Estado do Piauí.

Neste início das atividades, 108 colaboradores (entre topógrafos, operadores de máquinas, técnicos de segurança do trabalho e do meio ambiente, técnicos administrativos, engenheiros e outros) realizam a limpeza da área onde será instalada a fábrica de componentes eólicos da Acciona Windpower e fazem melhorias nas estradas de acesso ao canteiro de obras.

Quanto estiver pronto, em 2018, o Complexo Eólico Lagoa do Barro contará com oito parques eólicos e potência instalada de 195 MW (megawatts), gerados por 65 aerogeradores distribuídos em uma área de 2.854 hectares.

O Complexo Eólico Lagoa do Barro é o quinto empreendimento da Atlantic Energias Renováveis, que já conta com o Complexo Eólico Morrinhos, na Bahia, o Complexo Eólico Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, e os Parques Eólicos Renascença V e Eurus II, ambos no Rio Grande do Norte.

Fonte: CERNE Press

Governo admite leilão de reserva em outubro

O governo federal atualizou a perspectiva de realização do leilão de energia de reserva no segundo semestre deste ano. Antes confirmado pelo Ministério de Minas e Energia para setembro, o certame – o primeiro para contratação de novos projetos de geração desde 2015 – já tem outubro como data mais provável para acontecer, de acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo. “Não podendo ser em setembro, o deslocamento de prazo será de algumas semanas, para outubro”, disse, após participar nesta sexta-feira, 9 de junho, da cerimônia de inauguração do complexo eólico Ventos do Araripe III, em Araripina (PE).

Segundo o secretário, o processo de cadastramento e habilitação de empreendimentos junto à Empresa de Pesquisa Energética será bastante simplificado se comparado aos outros leilões. As regras serão divulgadas em portaria do MME nos próximos dias, com os detalhamento e os prazos para os proponentes empreendedores de projetos das fontes eólica, solar e biomassa – as três únicas que participarão da licitação. Mesmo com governo trabalhando com o mês de outubro, a data é considerada muito apertada pelos agentes envolvidos no negócio, entre investidores e fornecedores de equipamentos.

Na avaliação de Mário Araripe, presidente da Casa dos Ventos, a data considerada pelo governo é de difícil operacionalização, dada às necessidades de disponibilização do edital para consulta pública e de inscrição de projetos de interesse. Ele considera o último bimestre do ano, especialmente o mês de dezembro, como um cenário mais factível para a realização do leilão. O executivo, no entanto, não acredita na possibilidade de o processo licitatório deixar de ocorrer em 2017, em razão da decisão já tomada pelo governo de fazer este ano e também pela grande expectativa do mercado quanto à retomada do ciclo de leilões.

Fonte: Canal Energia

Potencial mapeado de geração eólica no interior da Paraíba chega a 2 GW

A cerca de 700 metros acima do nível do mar, em pleno sertão paraibano há uma mina de ouro quase inexplorada, mas que é encontrada na forma de ventos. Mapeamento feito pela Iberdrola aponta que ali naquela região há um enorme potencial no melhor estilo do polo de João Câmara (RN). Segundo estimativas da companhia são 2 GW que podem ser viabilizados nessa região, mas o investimento nessa área encontra duas barreiras, a primeira é a atual ausência de leilões, uma situação que deverá ser revertida com o tempo, a outra é estrutural, pois não há uma linha de transmissão para o escoamento desse potencial.

A primeira e única empresa a aportar na região é a Força Eólica do Brasil, joint venture que entre a Iberdrola e a Neoenergia. A companhia constrói três parques na região (Canoas, Lagoa 1 e 2) que juntos possuem 94,5 MW em capacidade instalada. Com esses empreendimentos a única forma de escoamento de energia existente, em duas subestações da distribuidora local, a Energisa, foram totalmente ocupadas. O escoamento será feito via duas linhas de transmissão de 69 kV com 57 km de extensão.

Com isso, novos aportes na região só devem ser feitos quando a transmissão estiver assegurada para a área que se encontra próximo à divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, em pleno sertão nordestino. “Em cinco anos acredito que essa região poderá se comparar com a de João Câmara, no Rio Grande do Norte, que é um polo de geração eólica, com muitos outros parques, não somente nossos por aqui”, comentou a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto.

Somente a companhia possui cerca de 500 MW em projetos desenvolvidos na região. Contudo, novos aportes só sairão do papel caso haja a capacidade de transmissão por meio de linhas da Rede Básica. “Temos 94 MW de capacidade, mas fizemos um estudo e temos desenvolvidos 500 MW em projetos que serão analisados para futuros leilões”, comentou a executiva. “Antes precisamos de capacidade de escoamento, pois o que tinha foi utilizado. A EPE já fez a previsão e o projeto para ter uma linha que passe por aqui está encaminhado”, destacou.

Dos investimentos em energia eólica feitos pela FEB, a maior parte está no interior do Nordeste nos estados da Bahia, em Caetité, que está localizado a 1.200 metros acima do nível do mar, bem como na região de Currais Novos (RN). Ainda há outros parques no litoral potiguar. No total a empresa possuirá 466,5 MW em capacidade instalada ao final de 2017 com os três projetos em construção na Paraíba. Em sua carteira de ativos ainda consta o desenvolvimento de 1.500 MW dos quais 117 MW solares fotovoltaicos, que, por conta de sua característica, não serão feitos na Paraíba, mas podem ser construído no Piauí, por exemplo.

A previsão da FEB é de que os três parques estejam em operação em outubro de 2017, uma antecipação de 15 meses em relação ao cronograma oficial. Os três parques foram negociados no Leilão de Energia Nova A-5 realizado em 28 de novembro de 2014, a um lance de R$ 136,24/MWh que atualizado está na casa de R$ 167/MWh. Essa energia antecipada, comentou Laura, será comercializada no mercado livre junto à comercializadora do grupo.

investimento total dos projetos está em R$ 604 milhões, sendo que R$ 331 milhões serão por meio de empréstimos de longo prazo junto ao BNDES, e R$ 46 milhões via debêntures e o resto é equity da companhia. Ao final da obra serão 45 aerogeradores Gamesa com 80 metros de altura e 2,1 MW de capacidade de geração. Até o momento Canoas está em fase mais adiantada de execução, Lagoa 1 e 2 estão em fase de concretagem. As obras deverão ser finalizadas em setembro para que a companhia cumpra os prazos indicados.

A região conhecida como Seridó está a cerca de 350 km de distância da capital João Pessoa em direção ao interior do estado. É composta por montanhas com solo rochoso e escassez de água. Outro ponto que ainda afeta pelo menos a área de duas máquinas no parque Lagoa 2 são questões arqueológicas, com isso a empresa precisa aguardar para iniciar a montagem dos aerogeradores. Mas conta que apesar de estarmos no início de junho é fatível o prazo para a finalização da obra.

Outro plano da empresa é de ter um centro de operações no país, o quarto da companhia. Atualmente os aerogeradores são operados pelo centro espanhol em Toledo, próximo a Madri e por operadores nos sítios onde estão instalados. Além de Toledo ainda há centros nos Estados Unidos e Reino Unido. Quanto ao local do centro não há decisão sobre onde será. “A decisão está tomada mas não sabemos onde instalaremos o centro”, acrescentou Laura Porto.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

Câmara debate incentivos para geração de energias renováveis no Brasil

Debatedores pediram mais incentivos para a produção de energia solar no Brasil, além da manutenção dos leilões previstos para a contratação de energia eólica (do vento), em audiência pública na Comissão de Minas e Energia. A comissão debateu as políticas de incentivos à geração de energias renováveis nesta quarta-feira (7).

O deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES), que propôs o debate, destacou que o Brasil é referência mundial em energias renováveis, mas observou que mais de 60% da matriz energética vêm de usinas hidrelétricas. Segundo ele, a geração de energia a partir de outras fontes limpas, como a solar, não tem crescido como desejado no País. “O impacto ambiental hoje de implantar novas hidrelétricas é muito grande”, disse.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, também ressaltou que o avanço da energia solar tem ficado aquém das expectativas do setor. Ele defendeu apoio do Congresso, do Ministério de Minas e Energia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que essa fonte de energia avance no Brasil. A projeção da entidade é que a energia solar, que hoje representa 0,02% da matriz energética brasileira, chegue a 10% da matriz em 2025. “Precisamos de arcabouço legal, regulatório e de incentivos para atingir esses objetivos”, afirmou.

Ele defendeu, por exemplo, a aprovação de projeto de lei que permite ao trabalhador investir recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em sistemas fotovoltaicos em suas residências; a inclusão de energia solar nos imóveis financiados pelo Programa Minha Casa, Minha vida; o uso desse tipo de energia em prédios públicos; e uma política industrial para acelerar a produção de equipamentos fotovoltaicos no País.

Energia eólica

Já o representante da Associação Brasileira de Energia Eólica, Francisco Silva, ressaltou o grande crescimento na geração desse tipo energia no Brasil desde 2009. Hoje o País ocupa a 9ª posição do mundo na capacidade instalada de energia gerada pelo vento. Segundo ele, o grande incentivo foram os leilões regulares do governo para a contratação desse tipo de energia. Ele criticou, porém, o cancelamento do único leilão previsto para o ano passado, gerando insegurança nos investidores.

“Muitas das empresas não sabem se ficam no Brasil ou se vão embora”, afirmou Silva. Na visão dele, o governo precisa emitir “sinais adequados para que os investimentos em eólica continuem sendo realizados”. Ele pediu que seja mantida a previsibilidade dos leilões.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) lamentou o cancelamento do leilão, no ano passado, às vésperas de sua realização, e pediu a retomada dos certames. “Foi no mínimo um desrespeito e vai trazer consequências gravíssimas”, disse. O deputado José Rocha (PR-BA) também pediu que o governo realize mais leilões para a contratação de energia eólica.

Iniciativas em curso

O representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Hélvio Guerra, salientou que a geração de energia eólica está tendo avanço extraordinário no Brasil, mas admitiu que o País caminha “a passos tímidos” na geração de energia solar.

Ele defendeu que haja mais incentivos para essa fonte de energia, e explicou as iniciativas da agência nesse sentido. “Uma delas é essa chamada geração distribuída, que pode ser colocada na casa das pessoas, nas indústrias. A energia é gerada para consumo próprio, e uma parte não consumida na unidade pode ser disponibilizada para a rede elétrica. A Aneel regulamentou isso e tem tido um avanço extraordinário, especialmente na fotovoltaica”, afirmou.

Já o representante do BNDES, Alexandre Esposito, anunciou que o financiamento do banco para a energia solar deve crescer a partir deste ano. Conforme ele, pessoas físicas também poderão ser beneficiadas pelos financiamentos do banco para esse tipo de energia.

Fonte: Agência Câmara Notícias

Eólicas vão corresponder a quase 40% da nova geração em 2017

A Aneel estima que entrem em operação neste ano 3.783 MW de novas usinas, dos quais 1.501 MW de usinas eólicas. A fonte terá a maior participação na nova capacidade de geração adicionada no país em 2017, o equivalente a 39,7%.

Conforme o último relatório de fiscalização da agência, de acompanhamento do progresso de usinas em implantação no Brasil, também terão importante participação na nova capacidade de geração as grandes hidrelétricas. De acordo com o previsto pela Aneel, serão 1.222 MW desta fonte, ou 32,3% do total previsto.

Mesmo que as PCHs também sejam incluídas, a fonte hídrica ainda ficaria atrás da eólica em termos de novas instalações: estão previstos para entram neste ano 92,8 MW de pequenas centrais hidrelétricas, ou 2,4% do total.

As fotovoltaicas também terão participação importante, no ano em que entram as primeiras usinas centralizadas contratadas em leilão. A fonte será responsável por entregar 12,7% da nova capacidade de geração no país neste ano, ou 483 MW.

Seguem, por fim, as térmicas a biomassa, que devem adicionar 423 MW neste ano, ou 11,2% do total, e as térmicas a combustíveis fósseis, com a instalação de 60,4 MW, ou 1,6% do total.

Fonte: Brasil Energia | Lívia Neves

Eólica Delta 3 VII é liberada para operação em teste no Maranhão

A usina eólica Delta 3 VII recebeu autorização para operação em teste das unidades UG1 a UG6 de 2,3 MW cada, totalizando 13,8 MW de capacidade instalada, a partir de 1º de junho, segundo despacho publicado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta quinta-feira, 1º. A usina fica localizada no município de Paulino Neves, Estado do Maranhão.

Fonte: Canal Energia

China inaugura maior usina solar flutuante do mundo

Enquanto os EUA sob o comando de Donald Trump parecem abdicar da liderança do combate às mudanças climáticas, a China, maior poluidora do mundo, continua avançando em projetos de energia limpa. Neste mês, a firma Sungrow anunciou a entrada em funcionamento da maior usina solar flutuante do mundo, instalada num lago de uma mina de carvão desativada em Huainan, na província de Anhui.

A usina tem capacidade instalada de 40 MW, energia suficiente para abastecer uma cidade com 15 mil residências. Em comunicado, a companhia explicou que a instalação num lago com água mineralizada reduz a demanda por terra e otimiza a produção de energia por causa da capacidade de resfriamento da superfície.

Este é apenas mais um projeto de energia limpa construído na China. No ano passado, a região de Anhui inaugurou uma outra usina solar flutuante. O país também abriga o Parque Solar Longyangxia Dam, numa área de 25 quilômetros quadrados, considerado o maior do mundo.

Essa transição para a energia solar é possível graças ao barateamento da tecnologia. Até 2020, a China pretende reduzir em mais de um terço os preços de equipamentos utilizados em projetos de usinas solares, o que tornará esse tipo de geração competitiva com o carvão.

Desde o pico em 2013, o consumo de carvão no país vem caindo ano a ano. Pelo Acordo de Paris, a China se comprometeu a desacelerar as emissões de carbono, alcançando o pico em 2030, e aumentar a participação das fontes renováveis de energia para 20% da matriz energética instalada.

Fonte: O Globo

País se tornará autossuficiente em gás até 2022

O gás natural pode ganhar papel de maior importância na matriz energética nos próximos anos. De olho no desenvolvimento das reservas do pré-sal, o governo pretende fazer mudanças importantes na política de gás. Isso é necessário ainda em razão da venda de ativos da Petrobras no setor. A estatal está deixando de ser a líder nos projetos em desenvolvimento, papel que será assumido pela iniciativa privada.

Até o fim do mês, o Ministério de Minas e Energia pretende lançar as resoluções finais do programa Gás para Crescer, que serve como um novo marco regulatório para o setor. O ministro Fernando Coelho Filho disse que o Brasil vai ser autossuficiente em gás entre os anos de 2021 e 2022.

Ele cita um exemplo do potencial de gás. O Campo de Pão de Açúcar, no pré-sal da Bacia de Campos, tem 15 milhões de metros cúbicos. Segundo ele, é metade da capacidade do Gasoduto Brasil-Bolívia.

— O gás vai ter uma entrada muito grande. Estamos às vésperas da renovação do contrato de importação de gás da Bolívia, que vence em 2019. Uma das iniciativas é o Gás para Crescer. Todo mundo participou. Haverá muitos players (empresas) para poder usar todo esse gás. E é preciso aproveitar as oportunidades. O gás sempre esbarrava no gás importado. Em 2021 e 2022, o país será autossuficiente em gás e a gente quer aproveitar esse gás para o desenvolvimento no país — disse o ministro de Minas e Energia.

LEILÃO DE TERMELÉTRICAS

Segundo ele, dentro das novas diretrizes do Gás para Crescer, o governo pretende fazer no fim do ano o primeiro leilão de usinas termelétricas a gás para operar na base do sistema. Ou seja, vão operar de forma contínua.

Hoje, as termelétricas, independentemente da fonte de energia, só são acionadas em casos de emergência, quando o nível dos reservatórios está baixo.

Ele cita um levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a reguladora do setor, que aponta que, se as termelétricas que operam hoje apenas em casos emergenciais atuassem de forma contínua, haveria ganho financeiro e o nível dos reservatórios seria maior.

— E isso está sendo projetado para os leilões que o governo quer fazer no fim do ano: a termelétrica inflexível a gás (que opera sem interrupção), que é a fonte térmica firme mais barata que temos. Um leilão que fazemos este ano só entra no sistema em cinco ou em seis anos. Ter geração na base vai dar estabilidade na base e vai trazer segurança, sobretudo no Nordeste — disse o ministro.

Fonte: O Globo

 

América Latina se destaca na liderança global em energia limpa

O incremento trazido pela energia renovável é uma grande vitória para a região.

A Costa Rica, que tem cinco milhões de habitantes e nenhum exército, não é exatamente uma potência. Nos últimos tempos, no entanto, este país da América Central, que tem as dimensões da Dinamarca, atrai a atenção para uma virtude menos óbvia: tem a matriz elétrica mais limpa do hemisfério. Em 2016, mais de 98% da eletricidade do país veio de fontes tais como hídrica, eólica, solar, biomassa e geotérmica (a partir de vulcões). Foi o segundo ano consecutivo em que a maior parte da energia do país veio de fontes renováveis.

Costa Rica não é exceção. Desde os ventos que varrem o deserto Atacama até o escaldante Nordeste do Brasil, a energia limpa está na agenda. Apesar do progresso lento das reformas do mercado de energia no México, a crise de crédito no Brasil e os gargalos de infraestrutura no Chile e outros países foram afetados pela falta de investimentos, que no ano passado diminuiu 30% em toda a região, comparado a 2015, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance (BNEF) – Países da América Latina e do Caribe tornaram-se pioneiros da energia de baixo carbono. Mais de um quarto da energia primária na região agora vem de fontes renováveis, mais do que o dobro da média global.

Aumentar a utilização de energias renováveis pode representar uma dupla vitória para a América Latina para levar a uma rede elétrica mais limpa e inteligente. A energia de baixo carbono, que os planejadores estaduais evitaram durante muito tempo, inclinando-se por poços de petróleo e grandes obras de hidrelétrica (que é renovável, mas não “verde”), receberam poucos incentivos e dispõe de estruturas regulatórias muitas vezes incompletas. Consequentemente, a energia limpa teve de competir para sobreviver a um modelo de negócio difícil, que também é uma vantagem em uma região onde o nacionalismo de recursos tornou-se vítima de nepotismo, desperdício e falta de transparência.

Basta refletir sobre a Petrobras, a companhia petrolífera brasileira que se tornou grande vítima da corrupção generalizada. A energia limpa não é imune à corrupção: basta pensar nos “senhores do vento” da Itália, que interviram em licitações públicas para grandes contratos. Mas o mercado renovável na América Latina é muito aberto: não há Solarbras ou Vientomex que dificultem a concorrência. Entre 2010 e 2016, mais de 40% do investimento aberto em iniciativas de energia limpa local vieram de fora da região.  O Brasil aderiu com apenas US $ 53.000 milhões em seu mercado. Isso faz com que a energia limpa na América Latina seja um dos mercados mais amigáveis do mundo para o capital internacional, segundo informou a BNEF em março.

È muito que se gera dessa amabilidade. O sol brilha desde os Andes até as costas do Atlântico, enquanto a Patagônia é um parque eólico natural. Parte desse potencial já tem sido aproveitado. Desde o início dos anos 70, os regimes ambiciosos com grandes visões de transformar seus países em potências mundiais ergueram grandes barragens hidrelétricas que juntos fornecem dois terços da eletricidade na região. O Brasil foi um dos primeiros a adotar o biocombustível. Desde a década de 1970, seu etanol de combustão limpa substituiu 2.400 milhões de barris de petróleo (cerca da produção anual do Brasil) e tem mantido a atmosfera livre de 1.000 milhões de toneladas de dióxido de carbono, me disse o especialista em energia José Goldemberg, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo.

Como em outras regiões, no entanto, o entusiasmo da América Latina para as energias renováveis diminuiu. Afinal, há décadas a plataforma de perfuração foi o monumento à soberania e o petróleo era o elixir de governos populistas que vão desde o mexicano Lázaro Cárdenas (1934-1940), que forçou seus compatriotas a penhorar jóias e gado para pagar a empresa de petróleo nacional, até o venezuelano Hugo Chávez, que transformou a empresa estatal de petróleo PDVSA  em uma caixa registradora do socialismo bolivariano. A descoberta do “pré-sal” brasileiro sob a plataforma continental – considerado um “bilhete de loteria premiado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva – estendeu o reinado do petróleo.

O Brasil nunca desistiu de energia hidrelétrica, mas a dependência do petróleo, especialmente quando os preços declinam, tem manchado a rede elétrica do país. Em 2012, apenas 6% da eletricidade gerada era térmica. Mas em 2014, o Brasil tem quase um quarto de sua eletricidade produzida a partir de usinas térmicas a gás, carvão ou diesel, que emite carbono. “A rede de eletricidade no Brasil é carbonização”, disse Goldemberg. Erros na política fiscal agravaram a situação. No início da década, ao impor um limite artificial no preço da gasolina para conter a inflação, o governo brasileiro prejudicou a competitividade do etanol combustível, forçando dezenas de destilarias a fechar suas portas.

Nos últimos tempos, no entanto, as autoridades estão à procura de alternativas. A queda do petróleo fez com que países como Equador, Venezuela e México permanecessem sem exportações de produtos. Além disso, cresce o consenso de que a menos que se ponha freio às emissões de carbono que aquecem o planeta, a América Latina vai pagar caro.

A adversidade e a resistência política também ajudaram a incentivar a inovação e investimento em energia limpa. Sob a pressão de protestos e reivindicações, os governos tem procurado reduzir a quantidade de energia gerada por hidrelétricas, cujas enormes barragens provocam o deslocamento de populações e o aumento das emissões de carbono, advindo da decomposição de florestas inundadas. Outras formas de energia a baixo de carbono a ganham força no país. Entre 2006 e 2015, a capacidade renovável não-hídrica mais que triplicou na América Latina, concluiu BNEF.

O desenvolvimento tecnológico também fez com que o uso do vento, das ondas e do sol, deixasse de ser um sonho exorbitante e passasse a se tornar uma opção viável e competitiva. Em um momento em que caem os preços para produzir eletricidade a partir de painéis fotovoltaicos, quatro países latino-americanos estavam entre os oito primeiros no índice de emissão de baixo carbono “Climate Scope” da Bloomberg, composto por 58 países.

Não que a energia renovável é livre de obstáculos. Para começar, há a inconstância inerente do vento e do sol, que servem para a alimentação de energia instável e maiores preocupações dos investidores sobre o risco de preparação. Outro grande obstáculo é a falta de linhas de transmissão, que não mantiveram o ritmo com o fornecimento de projetos eólicos e solares, deixando algumas novas plantas ociosas, segundo informou a Bloomberg News. Não é uma rua sem saída, mas são as dores do crescimento no que uma autoridade líder energia verde chamou de “alguns dos mercados de energia renovável mais dinâmica do mundo.”

Entre os players vencedores figura o bilionário Mario Araripe, que construiu sua fortuna com a energia eólica. E, no entanto, enquanto investidores e alguns visionários se destacaram, os governantes estão abrindo caminho. Uma década atrás, nenhuma eletricidade vinda dos fortes ventos que sopram no nordeste do país alimentava o Rio Grande do Norte, um pequeno estado brasileiro do tamanho da República Dominicana. Graças a uma política inovadora, novas tecnologias, e os empréstimos subsidiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), 85% da rede elétrica do Estado é agora alimentado por cerca de 1.000 turbinas eólicas, muitos deles fabricados no Brasil, disse o ex-secretário de energia do estado, Jean-Paul Prates.

Prates, que preside o think-tank de energia renovável CERNE, disse que atualmente a energia eólica brasileira compete em leilões de energia juntamente com a eletricidade gerada por carvão, energia nuclear, gás natural e até mesmo energia hidrelétrica em pequena escala.

“Os historiadores nos dizem que o Brasil foi descoberto graças ao navegadores portugueses que evitavam o marasmo as zonas equatoriais e desviaram a oeste, encontrando as correntes da América e chegado a esta parte do Novo Mundo”, disse Prates. Meio milênio depois, acaba de começar uma redescoberta no vento.

Fonte: Bloomberg View | Mac Margolis