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Biomassa supera usina Itaipu em capacidade instalada de energia

Energia gerada pelo bagaço da cana de açúcar representa quase 90% da produção de bioeletricidade do país

A contratação de fontes renováveis de energia complementares à geração hídrica e que contribuam para a manutenção de uma matriz elétrica limpa é cada vez mais estratégica para o futuro energético no Brasil.

Dentre estas fontes, destaca-se a eletricidade gerada a partir da biomassa da cana-de-açúcar, restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outros materiais derivados.

No Brasil, quase 90% da produção de bioeletricidade vem dos resíduos da cana-de-açúcar. Com alto teor de fibras, o bagaço de cana, desde a revolução industrial, tem sido empregado na produção de vapor e energia elétrica para a fabricação de açúcar e etanol, garantindo a autossuficiência energética das usinas durante o período da safra.

Mas além de atender as necessidades de energia das usinas, desde a década de 1980 o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia elétrica que são fornecidos para o sistema elétrico brasileiro. Em 2017, o setor sucroenergético está fazendo 30 anos de exportação de bioeletricidade para a rede elétrica nacional.

“A capacidade instalada atualmente pela biomassa é de 14.302 megawatts (MW) superando a capacidade da usina Itaipu. Em geral, a biomassa ocupa a segunda posição em capacidade instalada, perdendo apenas para as hidrelétricas”, afirmou o  Gerente de Bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (ÚNICA), Zilmar de Souza, durante a plenária sobre cenários do setores energéticos no All About Energy 2017, em Fortaleza, Ceará.

As regiões com maiores índices de geração estão localizadas nos Estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná que concentram mais de 90% da bioeletricidade gerada para a rede. “O Nordeste tem grande potencial de desenvolvimento graças ao parque sucroenergético secular instalado na região”, completa Souza, que apresentou o panorama dos biocombustíveis e bioeletricidade no Brasil.

“Estamos em um momento propício para elaborarmos uma política setorial de longo prazo em especial para a bioeletricidade e biogás advindo do setor sucroenergético. O All About Energy será um espaço importante para discutirmos e delinearmos esta política setorial”, salienta.

Fonte: CERNE/All About Energy

Mais de 870 mil paraibanos terão “energia dos ventos” em 2018

A capacidade de geração de energia eólica na Paraíba vai chegar a 157,2 megawatts (MW) até o próximo ano, podendo gerar uma energia limpa suficiente para abastecer mais de 290 mil residências, o que equivale a aproximadamente 870 mil habitantes.

A média corresponde à população total de João Pessoa mais um pouco da metade de Bayeux juntas, de acordo com estimativa deste ano divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O cálculo considera uma média de três moradores por domicílio e é utilizado por órgãos do setor elétrico, a exemplo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).

A estimativa populacional deste ano em João Pessoa é de 811.598 habitantes e a de Bayeux é de 97.010 habitantes, conforme documento publicado no Diário Oficial da União e produzido pelo IBGE.

De acordo com a Abeeólica, a Paraíba possui atualmente 62,7 MW de capacidade instalada de geração de energia eólica em 12 usinas que operam comercialmente, todas concentradas no município de Mataraca, Zona da Mata paraibana. Mais três usinas (Lagoa I e II e Canoas) estão em construção na região do Seridó do estado, que vão acrescer 94,5 MW de potência de geração.

Os três parques eólicos estão sendo construídos pela Força Eólica do Brasil (FEB). São 45 aerogeradores (os postes que se assemelham a grandes ventiladores) instalados nas cidades de Santa Luzia, São José do Sabugi e Junco do Seridó e que vão formar o Complexo Santa Luzia.

A previsão do início da operação comercial do complexo era para este mês, de acordo com material divulgado pela FEB. No entanto, documento publicado em setembro deste ano pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que fiscaliza os serviços de geração em todo o país – incluindo as centrais geradoras eólicas – informa que somente parte de uma das três usinas já vai poder começar a operar comercialmente a partir deste mês.

Estudos realizados pelo grupo Iberdrola, que compõe a Força Eólica Brasileira (FEB), apontam que o potencial de geração de energia eólica na Paraíba pode chegar a 2 gigawatts (GW).

Cidades como Patos e Picuí, por exemplo, seriam verdadeiras “minas de ouro” em geração de vento. O que falta? Explorar o potencial. Apuração da reportagem verificou que já existe a intenção de investidores em explorar a produção de energia eólica em Picuí. Além disso, estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) analisou novas formas de escoamento da produção de energia alternativa – solar e eólica – na região do seridó paraibano e do Rio Grande do Norte.

Na Paraíba, de acordo com a EPE, os municípios de Areia de Baraúnas, Junco do Seridó, Patos, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede e Teixeira foram identificados como localidades com potenciais eólico e fotovoltaico. Por sua vez, o mapeamento da Iberdrola, de acordo com divulgação do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a região do Seridó e sertão do estado, por ficarem a cerca de 700 metros acima do nível do mar, geram bastante vento.

“A velocidade média do vento fica acima dos 5 metros por segundo, o que gera uma constante boa para a produção de energia”, explicou o professor Giovanni Maciel.

Para Múcio Flávio, analista da Sudema, é comum crer que o potencial de geração eólica da Paraíba esteja no litoral. “Mas os estudos apontam a Borborema e o Seridó como maiores potenciais. Trata-se de região ondulada e escassa de chuvas. Como é pouco habitada por causa da dificuldade de plantio e criação de gado, a energia eólica traria benefícios para os moradores da região, porque as terras são arrendadas para a instalação de aerogeradores e os proprietários recebem entre 1% e 1,5% do faturamento da empresa, dependendo do contrato”, afirmou.

O analista também citou Araruna e São João do Tigre como cidades com potencial eólico no estado. O professor Márcio Souza, da UFPB, afirmou que a Paraíba ainda tem bastante potencial eólico a ser desenvolvido.

Fonte: Celina Modesto | Jornal Correio da Paraíba

Ceará debate o futuro das energias renováveis e consumo sustentável

Nesta quarta-feira (04) teve início a 10ª Edição da Feira e Congresso All About Energy 2017 no Terminal Marítimo de Passageiros de Fortaleza. Até a sexta-feira (06) a capital do Ceará será palco de grandes debates com especialistas, políticos, empresários, pesquisadores e sociedade sobre o futuro das energias renováveis e o consumo responsável.

Na cerimônia de abertura, Jean-Paul Prates, diretor presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), entidade que realiza o evento, ressaltou que o All About Energy abre um leque de oportunidades. “A integração dos setores num mesmo local, com a presença do governo, de empresas e de entidades é muito importante para os nossos estados”. Prates também destacou as potencialidades do Ceará na produção de energia eólica: “É um estado pioneiro em eólicas, com turbinas instaladas desde a década de 90”, afirmou.

Já o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Ceará (SEMA), Arthur Bruno, enfatizou que o governo cearense quer que o estado retome a liderança na produção energética. “Estamos entre os cinco maiores estados produtores de energia eólica do Brasil. Queremos ampliar ainda mais os investimentos nesse tipo de empreendimento começando com a modernização do processo de licenciamento ambiental”, explica o secretário.

O governador do Piauí, Wellington Dias, proferiu palestra sobre o potencial eólico do Piauí e os planos para o desenvolvimento do país por meio das energias renováveis. Ele destacou a importância do All About Energy como ferramenta para atração de novos investimentos. “O encontro é importante para divulgar o potencial do Piauí, na véspera de um leilão que acontecerá em dezembro. O Piauí tem investidores do mundo todo e este é um momento de se aproveitar todas essas oportunidades”, destacou Wellington.

Dentre as novidades desta edição do All About Energy estão a exposição de veículos elétricos, construções inteligentes como os condomínios solares e aplicações tecnológicas para eficiência energética, além do congresso científico com trabalhos técnicos selecionados por especialistas e doutores. Participaram do evento as principais lideranças das indústrias eólica, solar, bioenergética e ambiental para debater e experimentar, em conjunto, o futuro de seus setores e da humanidade ante os recursos naturais do planeta.

Fonte: Imprensa All About Energy

 

All About Energy chega à 10ª edição com intensa programação

Fortaleza sedia de 4 a 6 de outubro, no Terminal Marítimo de Passageiros, a décima edição da Feira Intersetorial e do Congresso Internacional de Energia Renovável e Sustentabilidade – All About Energy. É um evento focado no futuro das fontes energéticas renováveis e no seu uso e consumo sustentável. Reúne num mesmo ambiente, interativo e dinâmico, um congresso e uma exposição industrial que congregam as mais importantes marcas, tecnologias, pesquisas, atrações e novidades sobre energia renovável e sustentabilidade.

Neste ano, o All About Energy vem com uma concepção inovadora, que induz à interação entre as cadeias produtivas relacionadas com a geração elétrica a partir de fontes renováveis e o consumo responsável de energia. Participam do evento as principais lideranças das indústrias eólica, solar, bioenergética e ambiental para debater e experimentar, em conjunto, o futuro de seus setores e da humanidade ante os recursos naturais do planeta.

O evento é uma realização do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e a All About Eventos. Conta com o apoio da FIEC e o patrocínio do Sindienergia, entre outros.

Mais informações AQUI

Jean-Paul Prates, diretor presidente do Centro de Energias em Recursos Naturais e Energia, convida para o evento:

Governo arrecada R$ 12,13 bilhões com leilão de 4 usinas hidrelétricas

Todas as usinas foram vendidas e o ágio foi de 9,73%; grupo chinês levou usina de São Simão, o maior negócio, por R$ 7,18 bilhões.

O governo federal arrecadou R$ 12,13 bilhões com o leilão de quatro usinas hidrelétricas realizado nesta quarta-feira (27), em São Paulo. Todas as usinas foram vendidas e o valor arrecadado foi 9,73% acima do valor esperado pelo governo, de R$ 11 bilhões.

Foram vendidas quatro usinas hidrelétricas que hoje são operadas pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), mas que estão com as concessões vencidas: Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande. Juntas, elas têm capacidade de gerar 2.922 MegaWatts (MW) de energia.

O dinheiro pago pelas empresas vai ajudar o governo federal a bater a meta fiscal, que prevê um déficit de R$ 159 bilhões em 2017. O valor da outorga entra como uma receita extraordinária para o governo. Outorga é um montante pago pela empresa ao governo pelo direito de explorar um bem público.

Resultado

O maior negócio ficou com investidores chineses, que levaram a concessão da usina de São Simão, por R$ 7,18 bilhões, um ágio de 6,51% sobre o lance inicial. O grupo foi o único a fazer proposta pela usina.

A Engie, que é a antiga GDF Suez, arrematou a usina de Jaguara por R$ 2,171 bilhões, um ágio de 13,59%, e a de Miranda por R$ 1,36 bilhão, ágio de 22,42%.

Já a Enel ficou com a usina de Volta Grande, por R$ 1,42 bilhão, ágio de 9,84%.

Para o secretário de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, o ágio do leilão “permite comemorar o sucesso do processo”. “Se o ágio for muito alto significa que erramos na mão ao definir um preço muito baixo”.

Até a noite de terça-feira (27), a empresa mineira tentou evitar que suas usinas fossem relicitadas. As quatro usinas vendidas pertence atualmente à Cemig, mas as concessões estão vencidas.

Segurança jurídica

Para o diretor-geral da Aneel, Romeo Rufino, o leilão tem segurança jurídica, apesar da possibilidade de a Cemig ainda recorrer das decisões judiciais que negaram o cancelamento do leilão.

Pedrosa, do ministério de Energia, disse que o ágio em todos os processos demonstra que a percepção de risco jurídico do leilão “não é significativa”.

“A resposta está dada pela presença dos investidores que fizeram propostas de valores significativos”, afirmou Pedrosa.

O diretor de negócios do grupo Engie, Gustavo Labanca, disse acreditar que o resultado do leilão foi um “sucesso” e “irreversível”.

No Twitter, o presidente Michel Temer disse que o Brasil resgatou a confiança do mundo. “Nós resgatamos definitivamente a confiança do mundo no Brasil. Leilão das usinas da Cemig rendeu R$ 12,13 bi, acima da expectativa”, disse.

Impacto nas tarifas

Segundo Rufino, da Aneel, haverá um impacto tarifário no custo da energia com o leilão, mas ele não será “muito significativo”. Ele estima que o efeito tarifário não passará de 1% na energia final, porque será diluído para todo o mercado nacional.

Impasse sobre leilão até a véspera

O processo para o leilão das usinas de Jaguara, São Simão, Miranda e Volta Grande foi marcado por impasses e liminares judiciais. A Cemig, que opera essas usinas essas usinas atualmente, vinha tentando manter o controle sobre elas, inclusive com ações na Justiça.

Uma liminar do final de agosto havia atendido a um pedido da empresa e suspendido o leilão das quatro hidrelétricas, mas o governo conseguiu reverter a decisão.

As quatro usinas envolvem contratos de concessão que venceram entre agosto de 2013 e fevereiro de 2017. As usinas respondem por aproximadamente 37% de toda a geração de energia da Cemig.

 Por Taís Laporta e Luísa Melo | Portal G1

“Casa inteligente” será realidade cada vez mais comum no Brasil nos próximos anos

Governo federal planeja construir política nacional para o desenvolvimento de tecnologias para a chamada Internet das Coisas no Brasil até 2022.

Objetos utilizados no dia a dia conectados em rede e controlados à​ distância por computadores​ ou smartphones. O que parece cenário de filme futurista já é realidade e, em pouco tempo, deve passar a fazer parte da rotina de milhões de pessoas, ávidas por uma vida mais prática e dinâmica. No Brasil, a Internet das Coisas (IoT, em inglês) ainda aparece timidamente e é pouco conhecida, mas ​vem ganhando cada vez mais ​espaço junto à revolução tecnológica.​ ​

As smartTVs são, atualmente, um exemplo mais próximo de como funciona essa tecnologia. Com acesso à internet, elas podem ser diretamente conectadas a serviços que fornecem música ou filmes. Mas a​ Internet das Coisas pode se estender de forma adaptada a outros objetos, eletrônicos ou não: tênis com conexão GPS para auxiliar em trilhas, geladeiras que mudam a potência em horários programados ou fogões que funcionam sozinhos por ativação remota, além dos já conhecidos sistemas de iluminação automatizada.

Em uma escala mais ampla, já começam a surgir no Brasil iniciativas públicas para o desenvolvimento d​a internet das coisas. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o ​Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) preparam um estudo técnico para subsidiar o Plano Nacional de Internet das Coisas, que deve ser estabelecido até 2022. As aplicações são diversas e incluem desde monitoramento de saúde, controle de automação industrial e uso de dispositivos pessoais conectados. Terão também prioridade no plano os segmentos de petróleo, gás e mineração, dentro das indústrias de base; e têxtil e automotivo, na indústria manufatureira.

O avanço dessa nova era tecnológica será um dos destaques do Congresso e Feira All About Energy 2017. O evento acontece de 4 a 6 de outubro no Terminal Marítimo de Passageiros em Fortaleza/CE e vai tratar do futuro da energia no Brasil e no mundo.

​Totalmente reconcebido, o All About Energy traz a proposta de ser um ambiente propício para novos debates que contribuam para o avanço tecnológico do setor energético. A novidade desta edição é a divisão em quatro quadrantes temáticos.  Em consumo sustentável, destaque para a exposição de veículos elétricos, projetos de construções inteligentes e​ aplicações tecnológicas para eficiência energética.

Além disso, o All About Energy vai tratar de energia renovável em outras três vertentes: energia eólica, energia solar e bioenergéticos (biocombustíveis, biomassa e biogás). Estão previstas conferências com investidores globais e a presença de autoridades do setor energético.

All About Energy 2017 te​m como realizadores o CERNE e a empresa All About Eventos e já ​conta com o patrocínio da Eletrobras, Wobben WindPower, Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Banco do Nordeste, Toyota,  Sindienergia e Sindicato das Empresas do Setor Energético do Rio Grande do Norte (SEERN).

O evento também conta com o apoio confirmado da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia Elétrica (ABRACEEL), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores Industriais de Energia (ABRACE), Associação Brasileiras de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), União das Indústrias da Cana de Açúcar (Única), dentre outros.

As inscrições e o programa completo do evento estão disponíveis no site do All About Energy: www.allaboutenergy.com.br

CERNE debate cidades inteligentes

As capitais brasileiras estão aderindo ao movimento global de desenvolvimento sustentável que oferece um caminho para o surgimento de cidades mais democráticas, participativas e sustentáveis, através do investimento em tecnologia. Tema será discutido dia 27 em Natal.

A questão do desenvolvimento urbano é um desafio global.  Nesse cenário, cresce a necessidade de aplicação de inovações para melhor gestão das cidades, bem como os serviços públicos e bens coletivos com o objetivo de favorecer os moradores locais e visitantes.

É nesse ambiente que surge o conceito de Human Smart Cities ou Cidades Inteligentes e Humanas.  Nessa plataforma de desenvolvimento sustentável, todos os atores sociais e a população trabalham em conjunto no processo de co-design e co-criação de soluções que favoreçam a implantação de serviços inteligentes para mobilidade urbana,  saúde, educação, energia e até mesmo casas inteligentes. Todos esses setores estão essencialmente integrados com a tecnologia.

Natal vem criando um ambiente propício ao estudo e a pesquisa para tornar-se, no futuro, um modelo de smart city. A cidade já integra a Rede Brasileira de Cidades Inteligentes e Humanas, numa parceria entre a Prefeitura Municipal e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Com a adesão, a capital potiguar agora engloba o grupo de cidades que podem tentar captar recursos para projetos  investimento na área de tecnologia e inovação.

Com intuito de debater os pilares desse conceito e apresentar a iniciativa de Natal como cidade inteligente e humana, o Conselho Técnico-Científico do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CTC-CERNE) realiza a quarta rodada do Ciclo de Debates no dia 27 de setembro, às 14 horas, no auditório principal do Instituto Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do Norte (IFRN) – Campus Central.

O Ciclo de Debates tem como proposta debater questões que envolvem do setor de recursos naturais e energia em suas diversas vertentes. “Nossa proposta é analisar e encontrar soluções que possam ser encaminhadas aos órgãos reguladores e executivos do setor, além de identificar potenciais parcerias entre as instituições participantes do evento”, afirmou o coordenador do CTC e Diretor de Tecnologia, Pesquisa e Inovação do CERNE, Olavo Oliveira.

Participam do debate o coordenador de mobilidade urbana do Greenpeace, Davi Martins, a diretora da Secretaria Municipal de Planejamento de Natal (SEMPLA), Irani Santos, o coordenador do Smart Metropolis (UFRN), professor Frederico Lopes e representando o IFRN, o professor Plácido Neto. Os assuntos em pauta envolvem mobilidade urbana, construções sustentáveis e redes elétricas inteligentes, também conhecidas como smart grids.

O Ciclo é uma realização do CERNE e conta com apoio do IFRN e SEBRAE. A inscrição é gratuita e a programação completa está disponível no sitewww.cerne.org.br. Mais informações pelo telefone (84) 2010-0340. A entrada é gratuita.

Foto: CERNE Press

CERNE debate privatização da Eletrobrás em audiência no Senado

O diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), Jean-Paul Prates, foi Brasília a convite do Senado Federal para participar de debate na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) sobre a privatização do Sistema Eletrobrás e suas consequências para o desenvolvimento regional.

Também participaram o conselheiro de Administração da Cemig, ex-Presidente da ANEEL, Nelson Hubner, a Secretária de Energia da Confederação Nacional dos Urbanitários, Fabíola Latino Antezana, e o Dr. Luiz Pinguelli Rosa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Eletrobras.

Todos os representantes do setor elétrico nacional se declararam contrários à decisão do governo federal de privatizar o Sistema Eletrobrás, especialmente da forma e no momento propostos.

Prates destacou que a holding elétrica estatal tem papel estratégico nos rumos da eletricidade do país e salientou a importância da empresa e de suas subsidiárias (Eletronorte, CHESF, Furnas, Eletrosul, entre outras) para a gestão energética, segurança nacional e para o desenvolvimento regional: “é totalmente fora de propósito propor um processo tão complexo e demorado como este agora”, afirmou.

Segundo Prates, a privatização aventada pelo Ministério de Minas e Energia encontrará muitos entraves, não sem razão.
“Não estamos falando de uma geradora qualquer, mas de um complexo de geradoras que também administra os principais corpos de água doce de cada região brasileira. E também não estamos falando de uma rede de linhas de transmissão pura e simples, mas de quase a metade do gigantesco e sensível sistema de transmissão nacional. Em outras palavras, estamos falando do principal operador, implantador e mantenedor do sistema elétrico brasileiro que, além disso, tem em seu estatuto outras funções essenciais à gestão governamental da política energética nacional”, explicou.

A audiência pública da CDR do Senado Federal foi presidida pela Senadora Fatima Bezerra e pelo Senador Hélio José. Haverá continuidade de debates sobre este assunto em outras comissões do Senado e da Câmara.

Fonte: CERNE Brasil

Distribuidoras preveem demanda para leilão de energia nova, mas não de reserva

As distribuidoras de energia calculam a necessidade de contratação de novos projetos de geração para 2022, indicando a realização de um leilão do tipo A-5 (com entrada em operação em até cinco anos) ainda neste ano, depois de dois anos sem grandes novas contratações. Antes disso, o governo deve fazer também um leilão de energia existente, a fim de esgotar o uso da garantia física já instalada, sem onerar os consumidores com novos projetos de geração.

A realização de um leilão de energia de reserva (LER), porém, continua sendo vista com receio pelas principais entidades do setor elétrico, além da resistência dentro do próprio governo quanto à necessidade do certame.

Recentemente, o secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Azevedo, disse que haverá leilão de reserva ainda em 2017, possivelmente em setembro. A justificativa seria tanto o atendimento de uma “política industrial”, voltada para o fornecimento de máquinas e equipamentos para geração eólica e solar, quanto sinais que indicam a necessidade de novos projetos de geração, após cancelamento de muitos contratos.

“Nossa opinião é que a contratação de energia nova deve ser feita com base na necessidade de mercado. Ou seja, se não houver demanda, não faz sentido contratar e onerar os consumidores com isso”, afirmou Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Segundo dados coletados pela Abradee, haverá demanda para um leilão A-5 neste ano, para entrega a partir de 2022. A associação estima que as distribuidoras têm 98% da demanda projetada para 2017 já atendida. Para chegar em 102%, que é considerado um índice mais seguro, as distribuidoras contratariam mais cerca de 1,8 gigawatts (GW) médios no leilão deste ano. A contratação de projetos, contudo, dependeria da declaração de demanda pelas distribuidoras, não de uma política de governo voltada para um segmento específico.

Em evento no início da semana, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, explicou que o ideal seria a realização de um leilão de energia existente antes de tudo, para que o excedente dos projetos em operação possa ser aproveitado pelas distribuidoras.

A possibilidade surgiu com a Lei 13.360, de conversão da MP 735, que flexibilizou as datas de leilões e permitiu que sejam feitos certames de energia existente com prazos variados. Decreto do Ministério de Minas e Energia deve ser publicado em breve regulamentando esses leilões.

No caso dos leilões de energia de reserva, Barroso lembrou que a necessidade é calculada de forma técnica, dependendo se é preciso comprar novos projetos para garantir a conciliação entre a garantia física do sistema.

O problema na contratação da energia de reserva sem necessidade é que isso vai onerar os consumidores, por meio do encargo de energia de reserva, explicou Edvaldo Santana, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). “Vai acabar sendo um subsídio, porque se contrataria uma energia desnecessária. Se há sobra de garantia física, não precisam de reserva”, disse Santana.

Outra questão que afeta o planejamento de leilões, principalmente de reserva, é a questão da margem de escoamento. Barroso lembrou que as restrições atuais de escoamento devem perdurar até 2022 ou 2023, devido ao atraso na construção de linhas de transmissão, como as da Abengoa, cujas obras estão paralisadas há quase dois anos.

Desde 2015, não há leilão de reserva ou certame que contrate um volume significativo de projetos novos de geração. Isso aconteceu por conta da redução brusca da demanda por energia, que fez com que as distribuidoras ficassem sobrecontratadas – ou seja, com sobras contratuais não remuneradas via tarifa.

Foram criados mecanismos para descontratar projetos, como o Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD) de Energia Nova, que cancelou cerca de 1.300 MW médios em contratos permanentemente. Além disso, o governo cancelou o leilão de reserva programado para dezembro de 2016 e se prepara para implementar, até o fim de agosto, um mecanismo que vai permitir a descontratação de projetos de reserva, mediante o pagamento de uma contrapartida pelos geradores.

A revisão da garantia física dos projetos em operação também possibilitou uma redução de cerca de 1.300 MW médios no sistema.

Para grande parte dos agentes do setor elétrico, no entanto, isso não justificaria a realização de um leilão de reserva. “Isso me parece uma incoerência”, disse Santana, lembrando ainda que o mecanismo de descontratação de reserva vai cancelar projetos mais baratos do que os que provavelmente serão contratados em seguida.

Segundo Santana, a Abrace não é contra a contratação de projetos de eólica e solar, uma vez que a indústria se instalou no Brasil e não pode ser abandonada. “Mas não precisa ser energia de reserva”, disse. Uma possibilidade seria viabilizar projetos voltados para o mercado livre.

O presidente da Abrace sugeriu que o governo organize um leilão de renováveis voltado para o mercado livre, com contratos com duração entre 5 e 20 anos, e recursos do BNDES oferecidos na proporção inversa – mais recursos no prazo menor. Se o contrato no mercado livre vencer, essa energia passará para o mercado regulado, a um preço que será estabelecido também nesse leilão.

Fonte: Camila Maia | Valor Econômico

Sistema elétrico mudará com expansão eólica e solar, diz ONS

A operação do sistema elétrico brasileiro precisará mudar para se adaptar à acelerada expansão da geração eólica no país e ao início da introdução da energia solar na matriz, incluindo o crescimento nas instalações solares em residências, com placas fotovoltaicas em telhados, disse nesta terça-feira o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata.

Ele afirmou que essa preocupação já faz com que o ONS e as autoridades do setor preparem-se para rever o sistema computacional utilizado atualmente para programar a operação do sistema e para o cálculo dos preços spot da eletricidade, ou Preços de Liquidação das Diferenças (PLD).

“Estamos trabalhando de forma integrada para poder dispor a partir de 2020 de um novo modelo para o estabelecimento da política de operação e cálculo de preço, que tenha todos requisitos que entendemos como fundamentais”, disse Barata, ao participar de evento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo ele, o novo sistema a ser desenvolvido possibilitará que o sistema elétrico enfrente melhor a variabilidade da geração das usinas eólicas e solares, que dependem de vento e da incidência do sol.

“Entendemos que hoje o estágio de evolução do segmento exige uma permanente inovação em tecnologia e temos colocado como palavra de ordem no ONS a inovação. Precisamos melhorar nossos procedimentos”, disse o diretor.

De acordo com Barata, o novo sistema teria uma representação das usinas de forma individual e em base horária, e uma “adequada representação das fontes intermitentes”.

Ele disse que participou recentemente de encontros com representantes de órgãos semelhantes ao ONS que operam em outros países do mundo e que diversos deles relataram grandes desafios para se adaptar à expansão das fontes renováveis, principalmente na Europa, onde a tecnologia avançou rapidamente.

“O depoimento deles é realmente impressionante. A Itália chega a ter hoje quase 30 por cento da carga suprida por fotovoltaicas nos tetos. Isso significa dizer que você tem que aparelhar o sistema para operar durante o dia… e quando o sol se põe a configuração é outra”, comentou.

“E isso tem acontecido na Itália e vários outros países, todos enfrentaram problemas grandes de adaptação a essa nova realidade do setor.”

O diretor do ONS apontou, no entanto, que o Brasil deverá ter tempo para se preparar para essas transformações, ajudado principalmente pela crise econômica, que deverá limitar em algum nível a velocidade dessas mudanças.

Fonte: EXAME