Petrobras vai buscar sócio para refinaria em Suape

Estatal afirma que precisa de um parceiro para concluir a obra da Refinaria Abreu e Lima (Rnest)

Sem capacidade de investimentos, a Petrobras precisará de um só­cio para concluir a obra da Re­finaria Abreu e Lima (Rnest), em Suape. A empresa comunicou que está em busca de parceria para viabilizar a construção da segunda etapa do projeto, chamada de Trem 2. A companhia também adiou, mais uma vez, a data para a conclusão do empreendimento, desta vez para depois de 2021. O anúncio foi feito ontem, durante apresentação do Plano de Negócios 2017/2021, no qual a companhia apresentou uma previsão de investimentos mais comedida para os próximos anos.

De acordo com o presidente da companhia, Pedro Parente, até 2018 será concluída a obra da Unidade de Abatimento de Emissões (Snox), ainda na primeira linha de produção (Trem 1). Até então, o prazo de partida determinado pelo licenciamento operacional era outubro de 2017. “Estamos avaliando as propostas da licitação”, disse o presidente da companhia, Pedro Parente. O processo de licitação precisa ser concluído até o próximo dia 5 de outubro, também por determinação da licença, caso contrário a Petrobras poderá pagar multa.

A Petrobras não deu detalhes sobre como espera atrair um investidor, porém o consultor na área de petróleo e sócio fundador da Expetro, Jean Paul Prates, acredita que a procura pelo parceiro está em sintonia com o enxugamento de negócios da petrolífera. “Ficou claro que houve uma revisão do interesse da empresa em investir em projetos de refino”, pontuou. Apesar disso, ele continuou dizendo que a Rnest não deve sofrer riscos de ser descontinuada “por ser um projeto no qual já foram feitos muitos investimentos (superior a US$ 20 bilhões).”

Para o consultor, o refino se tornou pouco rentável para a Petrobras por uma série de fatores. Primeiro porque o preço internacional do petróleo, diferentemente do que era no começo dos anos 2000 – quando a Abreu e Lima começou a ser construída – está desfavorável. Outra questão é a desaceleração do próprio mercado interno de combustíveis, por reflexos da crise econômica, sem contar com a concorrência de combustíveis renováveis, entre eles o etanol e o biodiesel, além da própria situação difícil da estatal.

O professor especialista em petróleo e gás Wellington Santos avalia que a entrada do capital privado pode ajudar a tirar o projeto do papel. “Ter tudo dependente do investimento estatal não se mostrou uma escolha acertada nos últimos anos. A Petrobras precisa dos recursos gerados pelos negócios do grupo para se reerguer. A refinaria já era para estar pronta”, analisou.

Fonte: Mariama Correia | Folha de Pernambuco