Leilão de Energia – RN e BA não contratam

Mesmo com o fraco desempenho, o RN segue como primeiro colocado no ranking estadual de capacidade de produção de energia eólica

21.08.2015, Fonte: CERNE / SEERN Press

Os resultados do 22º Leilão de Energia Nova (22 LEN), realizado nesta sexta-feira, trouxeram novidades somente para os Estados do Ceará, Maranhão e Piauí, no tocante à energia eólica. 19 parques eólicos foram contratados, totalizando 538,8 MW de capacidade de produção.
Rio Grande do Norte e Bahia não contrataram nenhum projeto, o que garante a manutenção do território potiguar como primeiro colocado no ranking estadual de capacidade de produção de energia eólica (considerando os números totais = parques em operação, em construção e contratados).

O Diretor Setorial de Energia Eólica do CERNE, Milton Pinto, explicou que o resultado é reflexo das reclamações das empresas do setor às vésperas do certame, sobre preços teto apertados frente aos custos crescentes. O valor registrado foi de R$184 por MWh, enquanto o esperado pelo setor era de R$210 por MWh. “O resultado do leilão traduz um pouco o sentimento que havia no setor, que diante dos custos envolvidos, julgou o preço teto um tanto baixo”, afirma Pinto. O diretor ressaltou também que outro fator bastante influente nesse resultado foi o prazo do leilão 22 LEN. “Sendo este um leilão A-3, que na prática é quase um A-2, e tendo pela frente o próximo leilão que será A-5 (em Novembro/2015), entende-se um pouco o recuo dos empreendedores”, disse.

Veja abaixo o quadro da projeção para os dados atuais após o resultado do Leilão:

Leilão 22 LEN em 21/08/2015
Ceará2×18.9 + 2×29,70 = 97,2 MW
Maranhão7 x 30 = 210 MW
Piauí22 + 3×30 + 4×29,9 = 231,6 MW
Total19 Parques eólicos e 538,8 MW

Ver matéria original em: http://cerne.org.br/pt-BR/noticias/leilao-de-energia-rn-e-ba-nao-contratam

Gás Natural – atividade tem de ser revitalizada

Reportagem especial publicada pela edição de domingo da Tribuna do Norte, mostra a trajetória descendente do gás natural no RN e as alternativas apontadas para a retomada na produção.

23.08.2015, Fonte: Tribuna do Norte – Fernando Domingo

A queda de 75% na produção de gás natural, entre os anos de 2000 e 2014, disponibilizado para refino, processamento e venda, assim como a diminuição do volume extraído dos reservatórios do Estado que, no mesmo período, registrou retração de 82,25%, são reflexos de anos de atividade exploratória e da volatilidade do produto. A solução, segundo entidades do setor, seria uma revitalização total da atividade na região potiguar.

As mudanças, inclusive, podem ser incentivadas pela 13ª Rodada de Licitações de Petróleo e Gás, que acontecerá no dia 07/10, no Rio de Janeiro, e ofertará 71 blocos de exploração na bacia potiguar – todos em terra. A opinião é do economista, mestre em Economia da Energia pelo Instituto Francês do Petróleo e presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates.

“O Rio Grande do Norte tem esse problema da produção de gás declinante. Na época da criação do Progás, por exemplo, a nossa produção era quatro vezes maior. E isso não tem relação com Governo do Estado, gestão local, nada disso. Uma bacia madura que está produzindo há mais de 30 anos, tem como tendência reduzir primeiro o gás”, explicou Jean-Paul Prates.

E acrescentou: “Além disso, a maior parte dos investimentos que são feitos na bacia potiguar para revitalização destes poços antigos, são feitos para produzir óleo, principalmente. O gás, então, acaba vindo acessoriamente. Exceto nos casos de campos exclusivamente de produção de gás natural, o não associado. Mas, no Brasil, em geral, a tendência é sempre de gás associado”. Em grandes bacias para exploração de petróleo e gás natural, como a de Campos, na costa Norte do Rio de Janeiro, por exemplo, parte do gás produzido é queimado ainda na plataforma, para auxiliar a alta produção petrolífera. No caso do Rio Grande do Norte, porém, isto acontece de forma reduzida, em virtude da produção ser voltada ao mercado e a venda do produto.

Para Jean-Paul Prates, a queda produtiva do Rio Grande do Norte, “que já é um fato”, foi um dos “fatores determinantes” para emperrar as negociações de renovação do Progás durante este ano, entre o Governo do Estado e a Petrobras. A petrolífera também cobrava uma dívida de R$ 190 milhões, causada por atrasos em abatimentos das taxas de licenças ambientais, que financiavam o programa.

“Não é outra razão pelo qual o Progás teve dificuldades para ser negociado. Não há mais gás suficiente no Rio Grande do Norte, como havia antes, para se fazer a farra do gás incentivado. É preciso acoplar outros elementos neste incentivo para que esse gás possa ser ofertado nas condições que tinha antes”, afirmou Jean-Paul Prates, que declarou ainda “não estar a par de como foi feita a reconfiguração do programa [migrando para o RN Gás], mas que ele precisava de uma reconfiguração completa”.

A opinião é compartilhada pelo presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiern), Amaro Sales, que reiterou a importância do incentivo de gás natural. “Se o Governo não tivesse tomado essa decisão, de bancar o RN Gás+, as empresas seriam fortemente afetadas. E, mesmo com o setor petrolífero passando por um momento não muito atrativo, existe esse novo cenário, com o repasse de áreas para a iniciativa privada, nos leilões”, pontuou.

Leia a matéria completa em: http://tribunadonorte.com.br/noticia/a-atividade-tem-de-ser-revitalizadaa/322452

CERNE e UnP lançam curso de Energia Eólica

Curso de Capacitação em Gestão de Energia Eólica terá disciplinas de tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parque, dentre outras.

Na data em que se comemora o Dia Mundial do Vento, O CERNE – Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia, em parceria com a Universidade Potiguar, através do seu Centro de Excelência em Pesquisa Aplicada, e-Labora, lança uma nova opção de capacitação para quem já atua ou tem interesse em ingressar no setor eólico: a Capacitação em Gestão de Energia Eólica terá carga horária de 64 horas e é destinada a alunos de graduação e profissionais interessados no setor.

No conteúdo, tecnologias para geração de energia eólica, licenciamento e gestão ambiental, construção, operação e manutenção de parques, além de disciplinas voltadas à administração dos empreendimentos, como estudos de viabilidade econômica, obtenção de financiamentos e tributação relativa à atividade.

O lançamento acontece no próximo dia 15 de junho (Dia Mundial do Vento), no auditório da UnP, Unidade Nascimento de Castro, às 18h. Na ocasião haverá palestra do Diretor-Presidente do CERNE, o economista Jean-Paul Prates, um dos mais renomados especialistas em energias da atualidade. Mais informações podem ser obtidas diretamente no e-Labora, pelo telefone (84) 4009-1438.

Fonte: CERNE / SEERN Press

RN tenta superar obstáculos para explorar potencial da energia eólica

Posicionado na chamada “esquina do continente”, o Rio Grande do Norte é responsável pela maior produção de energia eólica do Brasil, pouco mais de 30% do total, mas ainda patina nas tentativas de aproveitar todo o seu potencial e colocar a eletricidade gerada a partir dos ventos como alternativa real no país — uma oportunidade reforçada após o apagão da última semana.

Investidores do setor alegam que o atraso na construção de linhas de transmissão e uma estrutura melhor no porto de Natal para escoar equipamentos que compõem os parques eólicos são empecilhos para o desenvolvimento.

O RN possui 67 parques eólicos, que produzem comercialmente 1,79 gigawatts de energia, segundo levantamento do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energias Renováveis (Cerne). Dos mais de 130 gigawatts produzidos no país, a imensa maioria vem de hidrelétricas e termelétricas. Os parques eólicos no Brasil inteiro ainda respondem por uma parcela de 3,5%, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Na Dinamarca – país tido como referência no setor – esse índice chega a 43%. A meta do país, de acordo com a Agência de Energia Dinamarquesa, é chegar a 2050 produzindo somente energia e calor limpos, eliminando as emissões de dióxido de carbono. Lá, o problema das linhas de transmissão foi resolvido com a construção de cabos subterrâneos.

O Brasil planeja aumentar a produção de energia por fontes renováveis. Segundo o Plano Decenal de Expansão de Energia 2023, do Ministério de Minas e Energia, as energias eólica e solar devem registrar crescimento de 8% nos próximos anos.

Vantagens ambientais

Hugo Alexandre, diretor executivo da Bioconsultants, empresa que presta consultoria ambiental para empresas de energia eólica, diz que termelétricas e hidrelétricas de fato geram mais eletricidade. Mas o diferencial da energia gerada a partir dos ventos está atrelado aos impactos ambientais.

“Toda e qualquer atividade vai gerar impacto, principalmente se for na geração de energia. O importante é sempre tentar casar a geração de energia com a nova política mundial colocada, que é a política da sustentabilidade”, afirma Hugo Alexandre. Com base nessa ideia, ele compara a geração de energia eólica com as demais fontes da matriz energética.

Alexandre detalha que os parque eólicos ocupam uma média de 30% a 40% das terras em que são instalados, não geram resíduos e causam pouco desmatamento se comparado às demais fontes da matriz energética. “A eólica convive com outras atividades como pecuária, agricultura e preservação do meio ambiente. É comum você ter em cima as torres gerando em cima e as plantações embaixo. A comunidade e o proprietário da terra podem utilizar a área tranquilamente”, conta.

Bacia dos ventos

A vocação natural do RN se explica pela localização na “esquina do continente”. O diretor-presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, explica que o estado fica no caminho de uma bacia de ventos e é provavelmente um dos melhores lugares do mundo para a energia eólica. “É uma formação regular de ventos que vêm do Atlântico Sul, batem na costa africana e acabam na ponta do Brasil, onde o RN está”, observa.

Especializada em energias renováveis, a empresa francesa Voltalia foi uma das que aterrissou no Rio Grande do Norte para explorar os ventos. Com 15 projetos contratados por meio de leilões organizados pelo governo federal, o diretor geral da empresa, Robert Klein, afirma que os investimentos não devem parar por aí.

“Já investimos cerca de R$ 400 milhões e no conjunto de todos os projetos devemos chegar a um valor entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Queremos ampliar os parques e estamos estudando participar de novos leilões”, afirma.
Voltalia iniciou operação do parque eólico de Areia Branca no fim do ano passado (Foto: Divulgação/Voltalia)Voltalia iniciou operação do parque eólico de Areia Branca no fim do ano passado (Foto: Divulgação/Voltalia)

A Voltalia iniciou em novembro deste ano a operação comercial de um dos três projetos do complexo eólico de Areia Branca, no litoral Norte potiguar. A empresa já começou a construção de oito parques nos municípios de Serra do Mel e São Miguel do Gostoso, também no litoral Norte. Outras quatro usinas estão contratadas para serem implantadas em Serra do Mel.

Expansão

As empresas que atuam no Rio Grande do Norte planejam se expandir no estado. Levando em conta a operação de todos os projetos, está prevista para os próximos anos a geração de mais de 4 gigawatts, segundo previsão da Aneel.

Atualmente, o destaque fica por conta da região do Mato Grande, onde estão os municípios de João Câmara e Parazinho, cidades com a maior parte dos projetos funcionando comercialmente, além dos parques em construção e contratados.

Fora as regiões localizadas no litoral ou próximas dele, o estado também possui projetos em construção em regiões serranas, onde a força e constância dos ventos são influenciadas não pela proximidade do mar, mas sim pela altitude. A região chamada de Serra de Santana, onde estão as cidades de Lagoa Nova, Bodó, Santana do Matos, Florânia e Tenente Laurentino Cruz, também aparece no mapa eólico do estado.

O processo

Toda a energia produzida, independente da fonte, vai para as redes do Sistema Interligado Nacional. O diretor de Energia Eólica do Cerne, Milton Pinto, costuma fazer uma analogia para explicar a distribuição da energia no país (veja o vídeo).

“É semelhante a uma grande piscina em que as fontes jogam água. Cada uma joga um tipo de água. A água da piscina será um mistura de cores que representa energia elétrica consumida no final”, diz.

O processo de geração de energia eólica começa quando o vento atinge o aerogerador. De acordo com o professor Alexandro Vladno, coordenador do curso de energias renováveis do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), o fluxo de ar faz as pás girarem, gerando um movimento mecânico (veja o vídeo).

Rocha acrescenta que um gerador transforma a energia mecânica em elétrica. A eletricidade então segue para o transformador e é adequada para entrar na rede elétrica. Na subestação, o nível de tensão é adaptado para chegar ao consumidor.

Atrasos em linhas de transmissão

Dono da maior potência eólica instalada em todo o país, o Rio Grande do Norte tem como principais concorrentes para atrair projetos os estados da Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul. A presidente da Associação Brasileira Energia Eólica, Elbia Melo, explica que os leilões têm se tornado cada vez mais competitivos e que a questão da infraestrutura tem pesado.

No caso do RN, a perda de espaço em alguns leilões tem uma causa específica apontada por especialistas: o atraso na entrega das linhas de transmissão – responsáveis por levar a energia gerada nas usinas para as redes distribuidoras da eletricidade.

Embora acredite que a demora na entrega das linhas tenha sido um fator de desequilíbrio em leilões pontuais, a presidente da Abeeólica não acha que os dados sejam tão relevantes.

“Os leilões estão extremamente competitivos. Vencem os que possuem melhores condicões de infraesturura, onde entram as linhas de transmissão. Esse atraso colocou o Rio Grande do Sul um pouco a frente dos estados do Nordeste em alguns leilões porque lá as linhas de transmissão já estavam construídas”, analisa Elbia Melo.

Logística

A infraestrutura do Rio Grande do Norte para receber os projetos também é um dos alvos de questionamentos nas discussões sobre energia eólica. O material usado na construção dos parques chega em navios e é transportado em carretas, que acompanhadas pela escolta de batedores, chegam até os empreendimento para serem montados. Por serem equipamentos pesados, as torres e pás usadas nos aerogeradores precisam de espaço para serem escoados. É aí onde, segundo investidores, reside um dos problemas.

Por estar localizado em um bairro de ruas estreitas como a Ribeira, na Zona Leste da capital, o porto de Natal exige uma logística mais complexa para o transporte dos equipamentos.

“É um porto confinado por terra”, afirma o diretor geral do Cerne, Jean-Paul Prates. A falta de espaço também impede o desenvolvimento da cadeia produtiva no entorno, como acontece nos portos de Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco, constantemente escolhidos como pontos de transporte de carga dos parques eólicos instalados no RN.

Para a presidente da Abeeólica, Elbia Melo, a questão portuária é o que falta para um salto ainda maior do Rio Grande do Norte no setor. “Não é um porto adequado para este tipo de operação. São máquinas grandes, pesadas e que requerem um cuidado especial. A logística é um ponto muito importante. Tanto que os portos maiores atraem muitos fabricantes de equipamento. O porto de Natal não tem condições físicas para receber o tipo de carga que um empreendimento eólico movimenta”, opina.