Agência Nacional do Petróleo quer implantar calendário permanente de leilões no país

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddoni, manifestou nesta terça-feira, 24, otimismo com a realização da 3ª e 4ª Rodadas do pré-sal, que acontece na sexta-feira (27). “Todas as áreas do pré-sal terão interessados, porque é uma área de alta produtividade. Tem poços produzindo 40 mil barris por dia, o que acontece em pouco países. É um volume de produtividade muito grande”, disse.

A avaliação da ANP é de que haverá uma disputa acirrada entre as 16 petrolíferas que estão habilitadas para as duas rodadas com oferta de oito blocos, todos na região do pré-sal.

Oddoni anunciou que o governo pretende adotar um calendário fixo de leilões para os próximos cinco anos. “Nós vamos complementar com as áreas ofertadas para 2020 e 2021, cumprindo assim cinco anos de calendário. A ideia é ter um calendário fixo, uma oferta permanente. E isso será implementado a partir do ano que vem”, disse.

A intenção do governo, disse Oddoni, “é criar um banco de oferta que estará sempre a disposição das companhias, com condições mínimas, preços mínimos, programa exploratório mínimo. Se alguém se manifestar [interessado] vai haver o leilão”.

Oddoni disse que das oito áreas que serão leiloadas na próxima sexta-feira, em regime de partilha, o Estado deverá se apropriar de 75% de toda a renda gerada com a atividade de exploração e produção proveniente do pré-sal. Na avaliação do diretor da ANP, estão incluídos os recursos provenientes do bônus de assinatura, que pode chegar a R$ 7,75 bilhões; royalties, impostos e tributos decorrentes da atividade.

Fonte: Tribuna do Norte

Parque solar de Apodi terá capacidade de geração de 162 MW no Ceará

Com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O Banco do Nordeste aprovou ontem o projeto de financiamento do Complexo de Energia Solar de Apodi que está sendo construído em Quixeré, no Vale do Jaguaribe, a 218 quilômetros de Fortaleza (CE).

O contrato para liberação de R$ 477,4 milhões do foi assinado hoje (24.10.2017), na sede do banco, em Fortaleza. Esse montante representa aproximadamente 65% do custo total da planta. O restante será bancado pelos sócios na proporção da participação de cada um deles.Tem capacidade de geração de 162 MW, suficientes para para atender 160 mil residências. O projeto foi assegurado no processo de leilão licitado pela Aneel em novembro de 2015.

O projeto pertence e empresa Apodi Participações composta pela pernambucana Kroma Energia; pela paraibana Êxito Importadora e Exportadora S/A (do grupo Federal Petróleo); e pela goiana RP Participações, ligada ao grupo Total Energia. Juntas, as três empresas detêm 12,5% do negócio, enquanto as multinacionais as norueguesas Scatec Solar e Statoil respondem por 87,5%.

Rodrigo Mello, diretor da Apodi Participações, destaca a relevância do acordo com a Scatec Solar e com a Statoil. “São duas grandes corporações no mercado global de energia. O complexo, em Quixeré, é o primeiro negócio da Scatec no Brasil. Para nós, tê-los como sócios só mostra a solidez e a relevância do nosso projeto, além da possibilidade cada vez mais concreta de construirmos novas parcerias”, reforça.

Mello recorda que toda a concepção do complexo foi desenvolvida pela Kroma Energia, missão que foi delegada à empresa pelos demais sócios. “Vencemos o leilão licitado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2015”, recorda. “A partir daí, caímos em campo em busca de parceiros para desenvolver o negócio. Já tínhamos uma conversa bastante adiantada com a Êxito. Na sequência, a RP Participações se integrou ao grupo”, detalha.

– Primeiro negócio concreto da parceria firmada entre o consórcio Apodi Participações e as norueguesas Scatec Solar e Statoil, o Complexo de Energia Solar Apodi deverá abrir caminho para uma união de longo termo. Essa é a intenção dos sócios brasileiros, que já vislumbram, por exemplo, a ampliação da capacidade instalada da planta de Quixeré a partir de oportunidades num novo leilão de energia elétrica a ser realizado pelo governo brasileiro ainda este ano.

Concluída a fase de projeto, a estimativa de investimento total para deixar a Apodi operacional até novembro de 2018 – data limite estabelecida no leilão –, foi de R$ 700 milhões. “Naquele momento, entendemos que deveríamos procurar sócios no mercado”, observa. Vários players do setor, dentro e fora do Brasil, foram consultados, mas a conversa com os noruegueses se mostrou mais assertiva. Aconteceu em meados de 2016. No final daquele ano, um pré-acordo foi assinado. “Em maio último, batemos o martelo”, diz.

Em paralelo, Scatec Solar e Statoil também conversavam sobre uma possível parceria no Brasil. As duas empresas formalizaram, no começo de outubro, uma joint venture para atuar no mercado de energia solar no país, especificamente no Complexo de Apodi. A Statoil assinou um acordo para adquirir 40% da participação da Scatec Solar no negócio. A Statoil também terá 50% de participação na empresa de engenharia que irá executar o projeto, permitindo-a participar da elaboração e realização de novos projetos em energia solar no futuro.

A Scatec Solar, que investe em mercados emergentes, até então não operava no País. A empresa é um produtor independente de energia solar com sede em Oslo, na Noruega. Com usinas em operação produzindo 322 MW de energia, desenvolve, constrói, possui, opera e gerencia usinas. Já tem um histórico de instalação de cerca de 600 MW.

Atualmente produz 322 MW oriundos de usinas na República Tcheca, África do Sul, Ruanda, Honduras e Jordânia. Com uma presença global estabelecida, a empresa está crescendo rapidamente com uma carteira de projetos e um pipeline de mais de 1,8 GW em desenvolvimento nas Américas, África Ásia e Oriente Médio.

Já a Statoil tem uma forte presença na exploração de petróleo no litoral brasileiro.  É uma das principais produtoras, sendo operadora do campo de Peregrino e de blocos exploratórios na Bacia de Campos, na Bacia de Santos e na Bacia do Espírito Santo. Com capacidade de produção de 100 mil barris por dia, Peregrino é um dos maiores campos de óleo operado pela Statoil fora da Noruega. O complexo de Apodi é o primeiro projeto de energia solar da multinacional no mundo.

Foi firmado um Contrato de Reserva de Energia (CER) para 20 anos com a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), com preço de entrega da energia de R$ 302/MWh, corrigido pelo IPCA.

O investimento terá um impacto direto na economia de Quixeré, cidade com pouco mais de 20 mil habitantes. Durante a fase de obra, o Complexo Apodi vai gerar 1,1 mil empregos diretos. A proposta dos investidores é de que pelo menos 40% dessa força de trabalho seja oriunda da cidade.

A escolha do município aconteceu como consequência da parceria comercial desenvolvida por anos entre a Kroma e a Cimento Apodi, empresa do Grupo M. Dias Branco. O grupo é dono do terreno de 800 hectares onde está sendo instalado o complexo.  Além da preocupação na contratação da mão de obra local, outro cuidado importante foi com a questão ambiental. O projeto obedeceu a todas as regulamentações ambientais.

Fonte: Jornal do Commercio | Fernando Castilho

Brasil alcança o 7º lugar no ranking mundial de geração eólica

O Brasil subiu mais uma posição e assumiu o sétimo lugar entre os países com maior geração de energia eólica no mundo, ultrapassando o Canadá, que caiu para a oitava posição. Em termos de expansão de potência, o País mantém o quinto lugar, com 2,5 GW em 2016.  Os dados são do “Boletim de Energia Eólica Brasil e Mundo – Base 2016” produzido pelo Ministério e Minas e Energia (MME).

A situação favorável da fonte eólica brasileira também é destaque no fator de capacidade (FC). De 2000 para 2016 o Brasil passou de um FC médio de 20% para 41,6%.  No mundo, esses indicadores foram de 22% e 24,7%, respectivamente. Observa-se que de um FC abaixo do mundial em 2000, o Brasil evoluiu para um indicador 68% superior.

Dentre os estados brasileiros, o Rio Grande do Norte apresentou a maior proporção na geração eólica em 2016, com 34,7%, seguido do Ceará com 18,8%. No fator de capacidade, o Piauí teve o maior indicador (48,4%).

Para  2026, a previsão do Plano Decenal de Energia é que a capacidade instalada eólica brasileira chegue a 25,8 GW (inclusive geração distribuída), respondendo por 12,5% do total. A Região Nordeste (NE) deverá ficar com 90% da capacidade eólica total.

Considerando a geração  total de cada país,, a Dinamarca apresenta a maior participação de geração eólica, de 42,5%, seguida de Portugal (22,1%), e Espanha (18%).

Fonte: CERNE Press co informações do Ministério de Minas e Energia

Grupo TWA representa o Rio Grande do Norte no All About Energy 2017

A equipe da Trade Winds Alliance (TWA), grupo de empresas de serviços especializados para o atendimento do setor de energias renováveis, foi a única do Rio Grande do Norte a representar o Estado potiguar durante a 10ª Edição da Feira e Congresso All About Energy 2017, realizada de 04 a 06 de outubro no Terminal Marítimo de Passageiros em Fortaleza, Ceará.

O evento é considerado o maior da América Latina destinado a promover e debater o futuro das fontes de energia renováveis e seu consumo de forma sustentável. O grupo esteve presente com um estande montado na feira intersetorial do evento, que nesta edição contou com a participação de cerca de 3.000 visitantes e 400 congressistas circulando na área de exposições.

A Trade Winds Alliance (TWA) é uma aliança estratégica empresarial que integra os talentos, a estrutura e as tecnologias de seis empresas em uma única marca e metodologia de trabalho. Seus serviços são voltados em especial para os setores de energia eólicas e solar, abrangendo diversos segmentos desde a medição, coleta e armazenamento de dados anemométricos até serviços de análise econômica e financeira em projetos de energia.

 

Fonte: TWA

Ceará se prepara para redes inteligentes de energia

Presente em países europeus e nos Estados Unidos, as redes inteligentes de energia, também chamadas de “smart grids”, deverão se tornar, em breve, uma realidade no Ceará. Diferente do modelo convencional, que conecta usinas geradoras às unidades consumidoras de forma unidirecional, a rede inteligente integra todos os usuários, possibilitando que unidades consumidoras forneçam energia ao sistema público de distribuição conforme a demanda, que é monitorada em tempo real.

Em 2014, a Enel Distribuição Ceará iniciou estudos sobre esses sistemas e, no ano passado, instalou um projeto piloto de smart grid em um condomínio residencial no Eusébio que, até o final deste ano, deverá abrigar a primeira microrrede inteligente em escala real a entrar em operação no Brasil. Na primeira fase, o projeto irá incluir dez unidades residenciais, além de áreas comuns do empreendimento.

“Esse projeto é uma antecipação do que será o futuro das distribuidoras de energia e o futuro dos seus clientes”, diz José Nunes, diretor de relações institucionais da Enel. “No campo da inovação, nunca sabemos o que irá vingar e o que não vai. Mas nesse caso, nós temos certeza de que essa inovação vai ocorrer. Na Europa, em geral, isso já está bem avançado”. Com esse sistema, cria-se uma figura chamada de “prosumidor”, em referência àquele que consome, produz e fornece energia à rede pública.

Em linhas gerais, as redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração (fotovoltaicos ou eólicos) à rede pública, como nos sistemas de geração distribuída. A diferença é que os sistemas inteligentes são monitorados em tempo real por consumidores e distribuidores por meio de medidores digitais. Desse modo, as informações sobre o consumo contribuem, por exemplo, para redução de desperdícios ou roubo de energia, fazendo com que a distribuidora regule a oferta de energia conforme a demanda.

Funcionamento

“As redes inteligentes de energia são uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, mais segura, que integra e possibilita ações a todos os usuários a ela conectados”, resume o consultor em energia João Mamede Filho, diretor presidente da CPE – Estudos e Projetos Elétricos.

“Os medidores de energia inteligentes são os primeiros elementos de uma rede de distribuição que devem ser implantados num sistema smart grid”. O medidor digital permitem, além da aferição remota do consumo, a programação remota de acionamentos e desligamentos de aparelhos eletrodomésticos, aumentando a eficiência do consumo de energia nas residências.

Quando está ligada à distribuidora, a microrrede armazena, em baterias, a energia gerada nos sistemas fotovoltaicos, por exemplo, para que possa ser consumida em caso de interrupção do fornecimento ou mesmo para, eventualmente, diminuir a demanda sobre o sistema que abastece a cidade.

No caso de uma queda de energia pela rede da concessionária, a microrrede funciona no modo autônomo sendo capaz, por exemplo, de manter o fornecimento de energia para cargas prioritárias (geladeiras, equipamentos de segurança, iluminação etc) durante pelo menos uma hora.

Vantagens

Segundo Mamede, entre as principais vantagens das redes inteligentes está identificação instantânea de queda no fornecimento, o conhecimento mais profundo do comportamento do cliente, melhorando o planejamento e ajustes da oferta, e a possibilidade de estabelecer um controle mais apurado de fraudes comerciais ou de perdas operacionais de energia, que podem ser identificadas mediante mudanças no comportamento do consumo.

“As empresas poderão fazer uma melhor avaliação do consumo dos seus clientes e conhecer melhor a qualidade do serviço prestado, podendo antecipar-se nos investimentos em determinadas áreas”, ele diz.

Conforme os sistemas inteligentes forem se popularizando, proporcionando maior eficiência energética, a expectativa é de que diminua a necessidade de construção de grandes empreendimentos para produção de energia mesmo com o aumento da demanda.

“As redes inteligentes permitem a conexão de pequenos sistemas de geração fotovoltaicos e eólicos em consumidores de baixa tensão, sejam eles residenciais e comerciais, além de possibilitar um perfeito funcionamento desses sistemas em sintonia com todo a rede elétrica”, diz Mamede. “Dessa forma, será possível expandir a geração de energia de forma descentralizada, sem a necessidade de construção de grandes centrais de geração”, acrescenta.

Em âmbito internacional, as microrredes já podem ser encontradas em estágio de pesquisa e desenvolvimento experimental. Segundo a Enel, as primeiras aplicações pré-comerciais estão ocorrendo principalmente no Japão, Estados Unidos, Alemanha, Itália e outros países da Europa.

Fonte: Diário do Nordeste | Bruno Cabral

Voltalia e Copel inauguram novo complexo eólico no Rio Grande do Norte

A Voltalia, grupo internacional produtor de energia a partir de fontes renováveis, em parceria com a Copel – Companhia Paranaense de Energia – inaugurou nesta quinta-feira, 19, o Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso/ RN e a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN) dos quatro parques que o compõem. Ao todo, são 36 aerogeradores de 3 MW cada, totalizando 108 MW de capacidade instalada e que já se encontra em operação comercial.

O Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso tem potencial para produzir em torno de 520 GWh por ano, energia capaz de abastecer aproximadamente 270 mil famílias, além de preservar o meio ambiente à medida que reduz a emissão de gás carbônico em até 205.042 toneladas por ano.

São Miguel do Gostoso está apto a operar desde junho de 2015, época em que a construção do complexo foi finalizada. Deste então, o complexo recebe a receita total de remuneração, conforme previsto pelo leilão público, realizado em 2011. Agora, com a linha de conexão disponibilizada e o complexo ligado ao Sistema Interligado Nacional, a Voltalia atinge a marca de 429,30 MW em operação comercial no Brasil.

“A inauguração do Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso/RN representa um grande estímulo aos nossos negócios e contribui não somente com geração de energia limpa, mas também com o abastecimento de uma região que vive constante deficit de geração de energia elétrica. Atingir a marca de 429,30 MW em operação no país reforça ainda mais a nossa ambição em ser um grupo com atuação significativa no pais na produção de energia apartir de fontes renováveis e que enxerga no Nordeste do país, em especial o estado do Rio Grande do Norte, uma região com um potencial enorme de desenvolvimento”, declarou Robert Klein, Diretor Geral da Voltalia Energia do Brasil.

“Para a Copel, é motivo de grande orgulho fazer parte deste projeto. Este complexo representa mais um passo decisivo para consolidar a geração de energia com fontes renováveis de forma eficiente. A Copel está alinhada à demanda de toda a população por fontes mais sustentáveis e baratas. Por isso, participamos de projetos como do Complexo de São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, onde os ventos sopram com mais abundância, para diversificar a matriz energética e garantir retorno para os paranaenses”, disse o presidente da Copel, Antonio Guetter.

Números
520 GWh 
é a capacidade de geração de energia anual pelo novo parque eólico de São Miguel do Gostoso

O RN pode perder atratividade

Principal destino brasileiro dos investimentos da multinacional Voltalia, o Rio Grande do Norte ganhou, na semana passada, mais um complexo eólico administrado pela empresa. Os 36 aerogeradores instalados com capacidade de geração de energia em torno de 520 GWh por ano, estão fincados no entorno do município de São Miguel do Gostoso, no litoral Norte. Juntos, eles poderão  abastecer, aproximadamente, 270 mil famílias com energia elétrica.

A geração da energia está garantida. O escoamento, porém, poderá sofrer reveses caso o Governo Federal não amplie as linhas de transmissão existentes. Novos empreendimentos deverão chegar nos próximos anos, além dos que estão em construção, pois novos leilões ocorrerão ainda este ano. A expectativa, com o certame de energia renovável que será realizado em dezembro deste ano, é que a Voltalia amplie os investimentos no estado e passe a produzir energia fotovoltaica, a que aproveita o potencial da luz solar.

O country manager da companhia no Brasil, contudo, alerta para o risco do estado do Rio Grande do Norte perder atratividade em decorrência da limitação das linhas de transmissão de energia.

O que representa, para a Voltalia, a inauguração deste novo parque eólico?
A inauguração do Complexo Eólico de São Miguel do Gostoso, no norte do Rio Grande do Norte, representa um grande estímulo aos nossos negócios e contribui não somente com geração de energia limpa, mas também com o abastecimento de uma região que vive constante déficits de geração de energia elétrica. Atingir a marca de 429,30 MW em operação no país reforça ainda mais a nossa ambição em ser um grupo com atuação significativa no pais na produção de energia a partir de fontes renováveis e que enxerga no Nordeste do país, em especial o estado do Rio Grande do Norte, uma região com um potencial enorme de desenvolvimento.

Como a Voltalia atua na geração de energia no mundo?
A Voltalia é uma companhia internacional produtora de energia elétrica a partir de fontes renováveis (eólica, solar, hidroelétrica e biomassa) e que presta serviços a clientes terceirizados. A empresa está presente em 15 países espalhados pelos 4 continentes e é cotada na bolsa de valores Euronext Paris desde julho de 2014 (VLTSA).

Como se deu o processo de escolha do RN pela Voltalia? Quanto tempo essa prospecção demorou e quanto a empresa já investiu no estado?
O Brasil representa o maior mercado para a Voltalia em termos de investimentos e capacidade instalada. O Rio Grande do Norte é uma das melhores regiões para construir e operar um complexo eólico, devido à sua topografia e, claro, ao seu regime de vento extremamente favorável. Nossos investimentos no Brasil chegam à casa de R$ 2,5 bilhões e o Rio Grande do Norte é o principal destino desses investimentos, pois aqui estão localizados todos os nossos cinco complexos eólicos. Identificamos o potencial desta região já em 2007, quando ainda o setor eólico era incipiente no Brasil. Prospectamos áreas, firmamos contratos de arrendamento, medimos o vento. Desenvolvemos muitos projetos, sempre torcendo para que o governo desse a chance para esta fonte de energia limpa. Foi o que aconteceu com o primeiro leilão em 2009.

Quais foram as dificuldades (jurídicas, estruturais, ambientais) para instalação dos parques?
No geral, posso afirmar que a implementação do projeto foi um grande sucesso. Porém, tem que admitir que não faltaram dificuldades que apareceram ao longo do nosso caminho. Mas, com um trabalho sério, paciência, profissionalismo, perseverança e um pouco de sorte, conseguimos superá-las e chegar ao resultado que conhecemos.

A Voltalia pretende ampliar a participação na geração de energia via RN? De que forma? Quanto pretende investir no leilão programado para dezembro?
Sem dúvida. Trabalhamos e investimos há muitos anos para ampliar a nossa participação no RN, assim como em outros estados. Temos uma carteira importante de projetos que só espera ganhar um leilão para serem construídos. Temos diversos projetos eólicos e solares cadastrados no próximo leilão de dezembro, e como são extensões dos nossos parques já em operação, esperamos que sejam competitivos.

Além da energia eólica, a Voltalia tem planos de explorar energia solar no RN? A partir de quando e por qual município?
Sim, estamos construindo nosso primeiro parque solar no Brasil. Este parque integra o Projeto Híbrido que possuímos em Oiapoque (AP), onde ainda envolve geração de energia térmica e de uma PCH – Pequena Central Hidrelétrica -, cuja construção está prevista para se iniciar no segundo semestre de 2018. Um dos motivos de termos adquirido a Martifer Solar no ano passado foi diversificar nosso portfólio e sermos mais atuantes em energia solar no mercado brasileiro.

Em relação à transmissão da energia produzida localmente, como a Voltalia tem conseguido escoá-la? Qual o principal cliente da empresa?
Como apostamos em construção de parques de grandes portes (cluster), tivemos que construir uma linha de transmissão de grande capacidade capaz de escoar uma grande parte dos nossos parques. Quem compra a energia gerada por nossos parques são a maioria das distribuidoras do Brasil, de Norte a Sul, assim como preveem os leiloes de energia nova.

Qual o potencial do RN em relação aos demais estados brasileiros nos quais existem parques eólicos instalados? Esse potencial é pouco explorado? Por quais motivos, do ponto de vista da Voltalia?
Em termos de regime de vento e radiação solar, o Rio Grande do Norte é um dos estados com mais capacidade instalada hoje e potencial para o futuro. Porém, o estado pode perder muito rapidamente a sua atratividade devido às restrições de margem de escoamento, ou seja, a falta de investimento em linhas de transmissão que impede muitos projetos do Rio Grande do Norte participar de leilões. Os Estados do Rio Grande do Norte e Bahia são os mais afetados com essas restrições devidas, principalmente, ao atraso na construção de novas linhas.

Quais são os reflexos disso?
É uma pena, pois isto pode ajudar o estado a beneficiar-se de novos investimentos, sabendo quanto são importantes, na medida em que os projetos eólicos são acompanhados de projetos sociais que beneficiam as comunidades. A nossa contribuição neste aspecto foi muito grande ao longo dos últimos anos com o nosso envolvimento em numerosos projetos sociais, também com o apoio do BNDES.  Nossos empreendimentos não contribuem apenas com a geração de energia limpa, de empregos e melhora da economia, também implantamos projetos sociais que visam proporcionar melhores condições de vida aos habitantes da região.

Existem novos parques no portfólio da Voltalia para o RN? Onde serão instalados e quanto custarão?
Há bastante, mas o sucesso dos nossos empreendimentos depende diretamente da política nacional sobre as energias renováveis, assim como no reforço do sistema de transmissão no estado do Rio Grande do Norte, como falado anteriormente. Há praticamente dois anos não acontecem leilões de energias renováveis e o leilão de dezembro se torna ainda mais importante para quem continua apostando e investindo em projetos de energia limpa.

Faltam políticas públicas estaduais voltadas ao fomento do setor de energias renováveis? Como o tema é tratado entre empresários do setor e representantes do Estado?
A modernização do setor elétrico brasileiro precisa ser realizada de forma cautelosa pelo governo. A Voltalia procura sempre contribuir com a regulamentação para proporcionar segurança ao setor. Ao nosso ver, o papel da indústria de energia elétrica brasileira é contribuir com o desenvolvimento econômico da região do ponto de vista energético, mas também social e ambiental. O governo do Estado sempre ficou atento e proativo sobre a evolução do desenvolvimento do nosso setor no Rio Grande do Norte, e continuamos contando com o seu apoio.

Quem
Robert Klein é graduado em Matemática pela Aix-Marseille University, e em Engenharia pela Centrale Marseille. Possui MBA em Administração pela IAE FRANCE – Écoles Universitaires de Management. Iniciou sua carreira na exploração marítima de petróleo no Brasil, e participou da configuração e do desenvolvimento de companhias francesas, em particular nos Estados Unidos, Oriente Médio e Ásia, ligadas, predominantemente, ao setor de energia.

Fonte: Tribuna do Norte | Ricardo Araújo

Brasil acelera para arrecadar com petróleo antes de “era renovável”, diz secretário

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não deverá ter ajuda do Brasil em seus esforços para reduzir a oferta da commodity, uma vez que o país pretende impulsionar a produção e a exploração nos próximos anos para monetizar suas reservas, disse à Reuters o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa.

Na véspera, o secretário-geral da Opep, Mohammed Barkindo, pediu ajuda até mesmo dos Estados Unidos para reduzir a oferta global da commodity e disse que os produtores norte-americanos de petróleo de xisto deveriam se preocupar também com um eventual impacto de uma queda nos preços.

O ministro do Petróleo da Venezuela, Eulogio del Pino, disse no início de outubro que foram feitos convites para que entre mais 10 e 12 países se juntem aos esforços da Opep para cortar A produção. Segundo ele, os convidados são da América do Sul e da África.

“Houve um momento em que havia uma preocupação, no sentido de que essa é uma riqueza que deve ser explorada com cuidado, para que as próximas gerações se aproveitem dela. E cada vez mais é o contrário, a gente tem que acelerar o aproveitamento dessa riqueza”, disse Pedrosa.

Ele disse não ter conhecimento de um contato da Opep para que o Brasil se junte aos esforços de corte de oferta. Ainda assim, segundo Pedrosa, atender um chamado desses não faria sentido para o país, nem com uma redução na produção da Petrobras e nem com a desaceleração da oferta de novas áreas para exploração.

“A Petrobras é uma empresa que hoje é conduzida pela lógica empresarial, não vejo interesse do país em decidir levar a Petrobras a uma decisão que não seja a que faz mais sentido para ela. E nem faz sentido a gente reduzir a oferta de áreas para exploração futura”, disse Pedrosa.

Ele defendeu que o Brasil tem de aproveitar suas reservas antes que o mundo entre em uma “era renovável”, em que outras tecnologias ganharão importância, como a energia solar e os carros elétricos, com impacto sobre a demanda por petróleo.

“A idade da pedra não acabou por falta de pedra, e a idade do petróleo não acabará por falta de petróleo. Começou a haver uma corrida para aproveitar o recurso que se tem, porque lá na frente ele pode não ter valor”, adicionou o secretário.

A produção de petróleo do Brasil em agosto somou 2,576 milhões de barris por dia, com queda de 1,3% ante igual mês de 2016, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A título de comparação, a Rússia, líder global em produção, registrou a extração de 10,9 milhões de barris por dia em petróleo em agosto.

A Petrobras responde por 94% da produção brasileira, segundo a ANP, em um ranking com os maiores operadores do país, seguida pela norueguesa Statoil, com 3%, e a Shell, com 1,3%.

Do lado da oferta de áreas para exploração e produção, o Brasil já possui rodadas de licitação agendadas para 2017, 2018 e 2019, e há planos para outras.

O secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, disse nesta semana que o governo avalia sinalizar a realização de ao menos dois leilões de novas áreas por ano também para 2020 e 2021.

Além disso, está em avaliação a ideia de agendar leilões para vender os direitos da exploração dos excedentes da chamada Cessão Onerosa, em que a Petrobras fechou contrato para explorar 5 bilhões de barris de óleo equivalente sem licitação.

Segundo Félix, a área da cessão onerosa pode ter de 5 a 10 bilhões de barris além dos cedidos à Petrobras. O governo avalia vender essas reservas possivelmente em mais de um leilão, com o primeiro deles em 2018.

Fonte: Época Negócios

Futuro da energia em 2050 abre programação do All About Energy

A demanda mundial de energia vem crescendo a um ritmo acelerado desde o início do século 20. A demanda total por energia no Brasil, incluindo eletricidade, gasolina e etanol, entre outros, vai dobrar até 2050, segundo dados da Empresa de Pequisa Energética (EPE). Diante dessa perspectiva, os debates a respeito do futuro da geração e consumo de energia começam a se tornar cada vez mais presentes entre gestores, empresários e sociedade. Esse foi o enfoque da 10ª edição do All About Energy 2017, realizado entre os dias 04 a 06 de outubro em Fortaleza, Ceará.

O Ex-Ministro da fazenda e Integração Nacional, Ciro Gomes, destacou a relação entre meio ambiente e consumo como pilares para sobrevivência do setor energético. “O grande problema do meio ambiente hoje é um tipo de consumo absurdamente insustentável. A adoção de políticas públicas, em especial no campo da educação, é fundamental para preparar novos consumidores mais responsáveis com o meio ambiente”, afirmou.

aae_dia0_baixa (64)

Ciro participou do simpósio de abertura “O Brasil e o mundo em 2050 sob o enfoque energético e ambiental” que abriu a programação do All About Energy. O simpósio também contou com a presença da Presidente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, Suzana Kahn.

aae_dia0_baixa (62)

O mundo está mudando rapidamente e o Brasil está focado em questões a curtíssimo prazo. A questão da mudança climática vem sendo um importante fator para migração da indústria dos combustíveis fosseis para as energias renováveis”, destacou Kahn, ganhadora do Nobel da Paz em 2007.

aae_dia0_baixa (67)

Para o Coordenador do Grupo de Economia de Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmar Almeida, a população precisa estar mais atenta ao consumo de energia consciente. “Ao se entender os problemas do impacto do consumo de energia, as pessoas podem ser importantes vetores dessa transição, seja através do consumo consciente de energia ou na escolha de fontes renováveis a partir da micro e mini geração”, salienta o pesquisador.

Fonte: CERNE Press

CERNE discute ações para implantação de cidades inteligentes

O Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) recebeu nesta sexta-feira (13) a visita da diretora da Secretaria Municipal de Planejamento de Natal (SEMPLA), Irani Santos, e do professor da Universidade Aalto Helsinki (Finlândia), Álvaro de Oliveira.  A visita teve como objetivo apresentar os atuais projetos em andamento para implantação de cidades inteligentes e humanas, como já ocorre em Natal, através de uma parceria entre a Prefeitura e o Instituto Metrópole Digital (UFRN).

A reunião também teve como objetivo delinear ações conjuntas entre o CERNE, UFRN e Prefeitura de Natal para implantação desse modelo de plataforma sustentável em cidades no Rio Grande do Norte.

Irani dos Santos propôs ao CERNE a realização de um workshop voltado para o setor de energia dentro da Campus Party Natal, que será realizado em 2018.

Fonte: CERNE press

Painéis solares iluminam a Amazônia, última fronteira do Brasil sem energia

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Os rios Purus e Ituxi cortam o sul da Amazônia brasileira, onde a energia elétrica é um bem tão escasso quão precioso para as comunidades ribeirinhas.

Seguindo a lógica do rio, cujas margens servem de local de moradia para cerca de 600 habitantes da reserva Ituxi, a gasolina e o diesel literalmente movimentam a vida, e só podem ser comprados na cidade, a um preço superior a grandes centros urbanos como São Paulo.

“A última fronteira sem energia é a Amazônia. Ali você tem 2 milhões de brasileiros sem acesso à energia moderna, porque os geradores não são energia moderna, são apenas um paliativo”, diz Aurélio Souza, um engenheiro que trabalha em um projeto de fornecimento de energia para essa região de floresta, que tem como foco os painéis solares.

Em Ituxi, a maioria das construções são palafitas com latrinas externas. As mulheres lavam roupa e louça, ao mesmo tempo em que tomam banho em pequenas plataformas às margens do rio.

As casas mais estruturadas têm banheiros e instalações de água potável, extraída de poços artesianos. Nelas, o ruído dos geradores marca o cair prematuro da noite, que possibilita mais quatro horas de iluminação com lâmpadas e, em alguns casos, de televisão, para os ribeirinhos.

Fonte: Estado de Minas