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Distribuidoras preveem demanda para leilão de energia nova, mas não de reserva

As distribuidoras de energia calculam a necessidade de contratação de novos projetos de geração para 2022, indicando a realização de um leilão do tipo A-5 (com entrada em operação em até cinco anos) ainda neste ano, depois de dois anos sem grandes novas contratações. Antes disso, o governo deve fazer também um leilão de energia existente, a fim de esgotar o uso da garantia física já instalada, sem onerar os consumidores com novos projetos de geração.

A realização de um leilão de energia de reserva (LER), porém, continua sendo vista com receio pelas principais entidades do setor elétrico, além da resistência dentro do próprio governo quanto à necessidade do certame.

Recentemente, o secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Eduardo Azevedo, disse que haverá leilão de reserva ainda em 2017, possivelmente em setembro. A justificativa seria tanto o atendimento de uma “política industrial”, voltada para o fornecimento de máquinas e equipamentos para geração eólica e solar, quanto sinais que indicam a necessidade de novos projetos de geração, após cancelamento de muitos contratos.

“Nossa opinião é que a contratação de energia nova deve ser feita com base na necessidade de mercado. Ou seja, se não houver demanda, não faz sentido contratar e onerar os consumidores com isso”, afirmou Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee).

Segundo dados coletados pela Abradee, haverá demanda para um leilão A-5 neste ano, para entrega a partir de 2022. A associação estima que as distribuidoras têm 98% da demanda projetada para 2017 já atendida. Para chegar em 102%, que é considerado um índice mais seguro, as distribuidoras contratariam mais cerca de 1,8 gigawatts (GW) médios no leilão deste ano. A contratação de projetos, contudo, dependeria da declaração de demanda pelas distribuidoras, não de uma política de governo voltada para um segmento específico.

Em evento no início da semana, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Luiz Barroso, explicou que o ideal seria a realização de um leilão de energia existente antes de tudo, para que o excedente dos projetos em operação possa ser aproveitado pelas distribuidoras.

A possibilidade surgiu com a Lei 13.360, de conversão da MP 735, que flexibilizou as datas de leilões e permitiu que sejam feitos certames de energia existente com prazos variados. Decreto do Ministério de Minas e Energia deve ser publicado em breve regulamentando esses leilões.

No caso dos leilões de energia de reserva, Barroso lembrou que a necessidade é calculada de forma técnica, dependendo se é preciso comprar novos projetos para garantir a conciliação entre a garantia física do sistema.

O problema na contratação da energia de reserva sem necessidade é que isso vai onerar os consumidores, por meio do encargo de energia de reserva, explicou Edvaldo Santana, presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace). “Vai acabar sendo um subsídio, porque se contrataria uma energia desnecessária. Se há sobra de garantia física, não precisam de reserva”, disse Santana.

Outra questão que afeta o planejamento de leilões, principalmente de reserva, é a questão da margem de escoamento. Barroso lembrou que as restrições atuais de escoamento devem perdurar até 2022 ou 2023, devido ao atraso na construção de linhas de transmissão, como as da Abengoa, cujas obras estão paralisadas há quase dois anos.

Desde 2015, não há leilão de reserva ou certame que contrate um volume significativo de projetos novos de geração. Isso aconteceu por conta da redução brusca da demanda por energia, que fez com que as distribuidoras ficassem sobrecontratadas – ou seja, com sobras contratuais não remuneradas via tarifa.

Foram criados mecanismos para descontratar projetos, como o Mecanismo de Compensação de Sobras e Déficits (MCSD) de Energia Nova, que cancelou cerca de 1.300 MW médios em contratos permanentemente. Além disso, o governo cancelou o leilão de reserva programado para dezembro de 2016 e se prepara para implementar, até o fim de agosto, um mecanismo que vai permitir a descontratação de projetos de reserva, mediante o pagamento de uma contrapartida pelos geradores.

A revisão da garantia física dos projetos em operação também possibilitou uma redução de cerca de 1.300 MW médios no sistema.

Para grande parte dos agentes do setor elétrico, no entanto, isso não justificaria a realização de um leilão de reserva. “Isso me parece uma incoerência”, disse Santana, lembrando ainda que o mecanismo de descontratação de reserva vai cancelar projetos mais baratos do que os que provavelmente serão contratados em seguida.

Segundo Santana, a Abrace não é contra a contratação de projetos de eólica e solar, uma vez que a indústria se instalou no Brasil e não pode ser abandonada. “Mas não precisa ser energia de reserva”, disse. Uma possibilidade seria viabilizar projetos voltados para o mercado livre.

O presidente da Abrace sugeriu que o governo organize um leilão de renováveis voltado para o mercado livre, com contratos com duração entre 5 e 20 anos, e recursos do BNDES oferecidos na proporção inversa – mais recursos no prazo menor. Se o contrato no mercado livre vencer, essa energia passará para o mercado regulado, a um preço que será estabelecido também nesse leilão.

Fonte: Camila Maia | Valor Econômico

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Sistema elétrico mudará com expansão eólica e solar, diz ONS

A operação do sistema elétrico brasileiro precisará mudar para se adaptar à acelerada expansão da geração eólica no país e ao início da introdução da energia solar na matriz, incluindo o crescimento nas instalações solares em residências, com placas fotovoltaicas em telhados, disse nesta terça-feira o diretor geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Eduardo Barata.

Ele afirmou que essa preocupação já faz com que o ONS e as autoridades do setor preparem-se para rever o sistema computacional utilizado atualmente para programar a operação do sistema e para o cálculo dos preços spot da eletricidade, ou Preços de Liquidação das Diferenças (PLD).

“Estamos trabalhando de forma integrada para poder dispor a partir de 2020 de um novo modelo para o estabelecimento da política de operação e cálculo de preço, que tenha todos requisitos que entendemos como fundamentais”, disse Barata, ao participar de evento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Segundo ele, o novo sistema a ser desenvolvido possibilitará que o sistema elétrico enfrente melhor a variabilidade da geração das usinas eólicas e solares, que dependem de vento e da incidência do sol.

“Entendemos que hoje o estágio de evolução do segmento exige uma permanente inovação em tecnologia e temos colocado como palavra de ordem no ONS a inovação. Precisamos melhorar nossos procedimentos”, disse o diretor.

De acordo com Barata, o novo sistema teria uma representação das usinas de forma individual e em base horária, e uma “adequada representação das fontes intermitentes”.

Ele disse que participou recentemente de encontros com representantes de órgãos semelhantes ao ONS que operam em outros países do mundo e que diversos deles relataram grandes desafios para se adaptar à expansão das fontes renováveis, principalmente na Europa, onde a tecnologia avançou rapidamente.

“O depoimento deles é realmente impressionante. A Itália chega a ter hoje quase 30 por cento da carga suprida por fotovoltaicas nos tetos. Isso significa dizer que você tem que aparelhar o sistema para operar durante o dia… e quando o sol se põe a configuração é outra”, comentou.

“E isso tem acontecido na Itália e vários outros países, todos enfrentaram problemas grandes de adaptação a essa nova realidade do setor.”

O diretor do ONS apontou, no entanto, que o Brasil deverá ter tempo para se preparar para essas transformações, ajudado principalmente pela crise econômica, que deverá limitar em algum nível a velocidade dessas mudanças.

Fonte: EXAME

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Produção eólica no RN avança 39% no primeiro quadrimestre de 2017

A produção de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional (SIN) ao longo dos primeiros quatro meses deste ano foi 30% superior à geração no mesmo período do ano passado, no Brasil. No Rio Grande do Norte, que mantém a liderança entre os estados do país, o avanço foi de 39% no período. Os dados são da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e foram divulgados ontem. Nacionalmente, as usinas movidas pela força dos ventos produziram 3.286 MW médios entre janeiro e abril, frente aos 2.532 MW médios gerados em 2016.

Com essa expansão, a representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período pelas usinas do sistema alcançou 5,1%. Já a fonte hidráulica, incluindo grandes usinas e as Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) foi responsável por 79,4% do total, enquanto as usinas térmicas responderam por 15,4% da geração no País.

Ao final de abril deste ano, havia 414 usinas eólicas em operação comercial no Brasil, que somavam 10.517 MW de capacidade instalada, o que corresponde a uma expansão de 17,6% frente às 352 unidades geradoras existentes no mesmo mês do ano passado.

Na avaliação por estados, o Rio Grande do Norte permanece como maior produtor do País, com 1.087,6 MW médios em 2017, aumento de 39% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece a Bahia com 678 MW médios (+30%), o Rio Grande do Sul, que produziu 533 MW médios (+9%), e o Ceará, com 465 MW médios (+12%).

O Rio Grande do Norte também figura com a maior capacidade instalada, somando 3.209 MW, aumento de 19% em relação ao ano anterior. O Ceará – apenas quarto colocado em geração – aparece em segundo lugar, com 1.960 MW instalados (+21%). A Bahia se manteve com 1.750 MW e o Rio Grande do Sul registra 1.682 MW (+11%).

Expansão
Só no ano passado, 81 novos parques geradores de energia eólica adicionaram 2 gigawatts (GW) à matriz elétrica brasileira, divulgou em maio deste ano a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).

De acordo com o Boletim Anual de Geração Eólica 2016, a adição destas capacidades fez com que o setor chegasse ao final de 2016 com 10,75 GW de capacidade instalada em 430 parques. Segundo a publicação, foram gerados mais de 30 mil postos de trabalho em 2016 e o investimento no período foi de US$ 5,4 bilhões. Citando dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a ABEEólica destaca que no ano passado a geração de energia eólica cresceu 55% em relação a 2015.

No ano passado, diz a entidade, a energia eólica gerou energia equivalente ao abastecimento mensal de uma média de 17,27 milhões de residências por mês, o que equivale a cerca de 52 milhões de habitantes. Isso significa um avanço de 58% em relação ao ano anterior, quando a energia eólica abasteceu 33 milhões de pessoas.

No relatório, a ABEEólica cita ainda dados do GWEC (Global Wind Energy Council), que mostram que o Brasil ultrapassou a Itália e ocupa agora a nona posição no Ranking Mundial de capacidade instalada de energia eólica. Já no ranking de novas capacidades instaladas no ano, Brasil caiu uma posição e está em quinto lugar.

SETOR EÓLICO
O QUE
A energia eólica aproveita a energia do vento e a transforma em energia elétrica.

COMO
Seu aproveitamento ocorre por meio de turbinas eólicas, também chamadas aerogeradores. O parque ou usina eólica é um conjunto desses equipamentos.

ONDE
Normalmente essa energia é disponibilizada no Sistema Interligado Nacional (SIN), ao qual os estados estão conectados.

QUEM
Mais de 600 trabalhadores chegam a ser empregados na fase de obras em alguns parques eólicos.

CONSTRUÇÃO
Cerca de 90% da mão-de-obra ajuda a construir os caminhos de acesso e as fundações. São pedreiros, serventes, mestres de obras, encarregados e engenheiros, por exemplo. A equipe restante faz a montagem dos aerogeradores.

INDÚSTRIA
Há oportunidades fora da obra. As fábricas de turbinas, que lideram as contratações, absorvem 37% dos trabalhadores. Fábricas de componentes ficam com 22%, a área de desenvolvedores de parques com 16% e a instalação, operação e manutenção com 11%. (FONTES: ANEEL/EMPRESAS/ESTUDO WIND AT WORK: wind energy and jog creation in the EU.)

Fonte: Tribuna do Norte com informações da Agência Estado

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Obras do Complexo Eólico Lagoa do Barro têm início no Piauí

Neste mês de junho está sendo dado o pontapé inicial das obras do Complexo Eólico Lagoa do Barro. O empreendimento tem previsão de investimento de 1,3 bilhão de reais e é um marco para o desenvolvimento de Lagoa do Barro do Piauí, município com pouco mais de 5 mil habitantes localizado no sertão do estado. As obras vão gerar cerca de 500 empregos diretos e indiretos nos períodos de pico onde todas as empresas estarão atuando e movimentar a economia local de uma maneira inédita.

“O Complexo Eólico Lagoa do Barro é hoje um empreendimento do estado do Piauí. Temos certeza que esse é o primeiro passo para o desenvolvimento da região.”, reforça Wellington Dias, Governador do Estado do Piauí.

Neste início das atividades, 108 colaboradores (entre topógrafos, operadores de máquinas, técnicos de segurança do trabalho e do meio ambiente, técnicos administrativos, engenheiros e outros) realizam a limpeza da área onde será instalada a fábrica de componentes eólicos da Acciona Windpower e fazem melhorias nas estradas de acesso ao canteiro de obras.

Quanto estiver pronto, em 2018, o Complexo Eólico Lagoa do Barro contará com oito parques eólicos e potência instalada de 195 MW (megawatts), gerados por 65 aerogeradores distribuídos em uma área de 2.854 hectares.

O Complexo Eólico Lagoa do Barro é o quinto empreendimento da Atlantic Energias Renováveis, que já conta com o Complexo Eólico Morrinhos, na Bahia, o Complexo Eólico Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, e os Parques Eólicos Renascença V e Eurus II, ambos no Rio Grande do Norte.

Fonte: CERNE Press

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Geração eólica no Brasil cresce 28% no primeiro quadrimestre de 2017

A produção de energia das usinas eólicas em todo o Brasil aumentou 28% nos quatro primeiros meses deste ano, segundo levantamento do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE) com informações do último relatório divulgado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) em junho.

Entre os meses janeiro e abril, a geração de energia pela força dos ventos alcançou 13.179 megawatts (MW) médios,  um crescimento de 27,19%, comparado ao mesmo período do ano passado, que registrou 10.362 MW médios.

Somente em abril deste ano, as eólicas geraram 3.497 MW médios frente aos 3.169 MW produzidos no mesmo mês do ano passado, representando um acréscimo de 328MW.

Na análise da capacidade instalada (limite máximo de produção de energia) em operação por estado, o Rio Grande do Norte segue como líder no ranking nacional com 3,3GW gerados por 122 parques eólicos em todo o estado.

Fonte: CERNE Press

 

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Governo admite leilão de reserva em outubro

O governo federal atualizou a perspectiva de realização do leilão de energia de reserva no segundo semestre deste ano. Antes confirmado pelo Ministério de Minas e Energia para setembro, o certame – o primeiro para contratação de novos projetos de geração desde 2015 – já tem outubro como data mais provável para acontecer, de acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Eduardo Azevedo. “Não podendo ser em setembro, o deslocamento de prazo será de algumas semanas, para outubro”, disse, após participar nesta sexta-feira, 9 de junho, da cerimônia de inauguração do complexo eólico Ventos do Araripe III, em Araripina (PE).

Segundo o secretário, o processo de cadastramento e habilitação de empreendimentos junto à Empresa de Pesquisa Energética será bastante simplificado se comparado aos outros leilões. As regras serão divulgadas em portaria do MME nos próximos dias, com os detalhamento e os prazos para os proponentes empreendedores de projetos das fontes eólica, solar e biomassa – as três únicas que participarão da licitação. Mesmo com governo trabalhando com o mês de outubro, a data é considerada muito apertada pelos agentes envolvidos no negócio, entre investidores e fornecedores de equipamentos.

Na avaliação de Mário Araripe, presidente da Casa dos Ventos, a data considerada pelo governo é de difícil operacionalização, dada às necessidades de disponibilização do edital para consulta pública e de inscrição de projetos de interesse. Ele considera o último bimestre do ano, especialmente o mês de dezembro, como um cenário mais factível para a realização do leilão. O executivo, no entanto, não acredita na possibilidade de o processo licitatório deixar de ocorrer em 2017, em razão da decisão já tomada pelo governo de fazer este ano e também pela grande expectativa do mercado quanto à retomada do ciclo de leilões.

Fonte: Canal Energia

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Potencial mapeado de geração eólica no interior da Paraíba chega a 2 GW

A cerca de 700 metros acima do nível do mar, em pleno sertão paraibano há uma mina de ouro quase inexplorada, mas que é encontrada na forma de ventos. Mapeamento feito pela Iberdrola aponta que ali naquela região há um enorme potencial no melhor estilo do polo de João Câmara (RN). Segundo estimativas da companhia são 2 GW que podem ser viabilizados nessa região, mas o investimento nessa área encontra duas barreiras, a primeira é a atual ausência de leilões, uma situação que deverá ser revertida com o tempo, a outra é estrutural, pois não há uma linha de transmissão para o escoamento desse potencial.

A primeira e única empresa a aportar na região é a Força Eólica do Brasil, joint venture que entre a Iberdrola e a Neoenergia. A companhia constrói três parques na região (Canoas, Lagoa 1 e 2) que juntos possuem 94,5 MW em capacidade instalada. Com esses empreendimentos a única forma de escoamento de energia existente, em duas subestações da distribuidora local, a Energisa, foram totalmente ocupadas. O escoamento será feito via duas linhas de transmissão de 69 kV com 57 km de extensão.

Com isso, novos aportes na região só devem ser feitos quando a transmissão estiver assegurada para a área que se encontra próximo à divisa entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte, em pleno sertão nordestino. “Em cinco anos acredito que essa região poderá se comparar com a de João Câmara, no Rio Grande do Norte, que é um polo de geração eólica, com muitos outros parques, não somente nossos por aqui”, comentou a diretora da Força Eólica do Brasil, Laura Porto.

Somente a companhia possui cerca de 500 MW em projetos desenvolvidos na região. Contudo, novos aportes só sairão do papel caso haja a capacidade de transmissão por meio de linhas da Rede Básica. “Temos 94 MW de capacidade, mas fizemos um estudo e temos desenvolvidos 500 MW em projetos que serão analisados para futuros leilões”, comentou a executiva. “Antes precisamos de capacidade de escoamento, pois o que tinha foi utilizado. A EPE já fez a previsão e o projeto para ter uma linha que passe por aqui está encaminhado”, destacou.

Dos investimentos em energia eólica feitos pela FEB, a maior parte está no interior do Nordeste nos estados da Bahia, em Caetité, que está localizado a 1.200 metros acima do nível do mar, bem como na região de Currais Novos (RN). Ainda há outros parques no litoral potiguar. No total a empresa possuirá 466,5 MW em capacidade instalada ao final de 2017 com os três projetos em construção na Paraíba. Em sua carteira de ativos ainda consta o desenvolvimento de 1.500 MW dos quais 117 MW solares fotovoltaicos, que, por conta de sua característica, não serão feitos na Paraíba, mas podem ser construído no Piauí, por exemplo.

A previsão da FEB é de que os três parques estejam em operação em outubro de 2017, uma antecipação de 15 meses em relação ao cronograma oficial. Os três parques foram negociados no Leilão de Energia Nova A-5 realizado em 28 de novembro de 2014, a um lance de R$ 136,24/MWh que atualizado está na casa de R$ 167/MWh. Essa energia antecipada, comentou Laura, será comercializada no mercado livre junto à comercializadora do grupo.

investimento total dos projetos está em R$ 604 milhões, sendo que R$ 331 milhões serão por meio de empréstimos de longo prazo junto ao BNDES, e R$ 46 milhões via debêntures e o resto é equity da companhia. Ao final da obra serão 45 aerogeradores Gamesa com 80 metros de altura e 2,1 MW de capacidade de geração. Até o momento Canoas está em fase mais adiantada de execução, Lagoa 1 e 2 estão em fase de concretagem. As obras deverão ser finalizadas em setembro para que a companhia cumpra os prazos indicados.

A região conhecida como Seridó está a cerca de 350 km de distância da capital João Pessoa em direção ao interior do estado. É composta por montanhas com solo rochoso e escassez de água. Outro ponto que ainda afeta pelo menos a área de duas máquinas no parque Lagoa 2 são questões arqueológicas, com isso a empresa precisa aguardar para iniciar a montagem dos aerogeradores. Mas conta que apesar de estarmos no início de junho é fatível o prazo para a finalização da obra.

Outro plano da empresa é de ter um centro de operações no país, o quarto da companhia. Atualmente os aerogeradores são operados pelo centro espanhol em Toledo, próximo a Madri e por operadores nos sítios onde estão instalados. Além de Toledo ainda há centros nos Estados Unidos e Reino Unido. Quanto ao local do centro não há decisão sobre onde será. “A decisão está tomada mas não sabemos onde instalaremos o centro”, acrescentou Laura Porto.

Fonte: Canal Energia | Maurício Godoi

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Câmara debate incentivos para geração de energias renováveis no Brasil

Debatedores pediram mais incentivos para a produção de energia solar no Brasil, além da manutenção dos leilões previstos para a contratação de energia eólica (do vento), em audiência pública na Comissão de Minas e Energia. A comissão debateu as políticas de incentivos à geração de energias renováveis nesta quarta-feira (7).

O deputado Sérgio Vidigal (PDT-ES), que propôs o debate, destacou que o Brasil é referência mundial em energias renováveis, mas observou que mais de 60% da matriz energética vêm de usinas hidrelétricas. Segundo ele, a geração de energia a partir de outras fontes limpas, como a solar, não tem crescido como desejado no País. “O impacto ambiental hoje de implantar novas hidrelétricas é muito grande”, disse.

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica, Rodrigo Sauaia, também ressaltou que o avanço da energia solar tem ficado aquém das expectativas do setor. Ele defendeu apoio do Congresso, do Ministério de Minas e Energia e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para que essa fonte de energia avance no Brasil. A projeção da entidade é que a energia solar, que hoje representa 0,02% da matriz energética brasileira, chegue a 10% da matriz em 2025. “Precisamos de arcabouço legal, regulatório e de incentivos para atingir esses objetivos”, afirmou.

Ele defendeu, por exemplo, a aprovação de projeto de lei que permite ao trabalhador investir recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) em sistemas fotovoltaicos em suas residências; a inclusão de energia solar nos imóveis financiados pelo Programa Minha Casa, Minha vida; o uso desse tipo de energia em prédios públicos; e uma política industrial para acelerar a produção de equipamentos fotovoltaicos no País.

Energia eólica

Já o representante da Associação Brasileira de Energia Eólica, Francisco Silva, ressaltou o grande crescimento na geração desse tipo energia no Brasil desde 2009. Hoje o País ocupa a 9ª posição do mundo na capacidade instalada de energia gerada pelo vento. Segundo ele, o grande incentivo foram os leilões regulares do governo para a contratação desse tipo de energia. Ele criticou, porém, o cancelamento do único leilão previsto para o ano passado, gerando insegurança nos investidores.

“Muitas das empresas não sabem se ficam no Brasil ou se vão embora”, afirmou Silva. Na visão dele, o governo precisa emitir “sinais adequados para que os investimentos em eólica continuem sendo realizados”. Ele pediu que seja mantida a previsibilidade dos leilões.

O deputado Vitor Lippi (PSDB-SP) lamentou o cancelamento do leilão, no ano passado, às vésperas de sua realização, e pediu a retomada dos certames. “Foi no mínimo um desrespeito e vai trazer consequências gravíssimas”, disse. O deputado José Rocha (PR-BA) também pediu que o governo realize mais leilões para a contratação de energia eólica.

Iniciativas em curso

O representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Hélvio Guerra, salientou que a geração de energia eólica está tendo avanço extraordinário no Brasil, mas admitiu que o País caminha “a passos tímidos” na geração de energia solar.

Ele defendeu que haja mais incentivos para essa fonte de energia, e explicou as iniciativas da agência nesse sentido. “Uma delas é essa chamada geração distribuída, que pode ser colocada na casa das pessoas, nas indústrias. A energia é gerada para consumo próprio, e uma parte não consumida na unidade pode ser disponibilizada para a rede elétrica. A Aneel regulamentou isso e tem tido um avanço extraordinário, especialmente na fotovoltaica”, afirmou.

Já o representante do BNDES, Alexandre Esposito, anunciou que o financiamento do banco para a energia solar deve crescer a partir deste ano. Conforme ele, pessoas físicas também poderão ser beneficiadas pelos financiamentos do banco para esse tipo de energia.

Fonte: Agência Câmara Notícias

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Eólicas vão corresponder a quase 40% da nova geração em 2017

A Aneel estima que entrem em operação neste ano 3.783 MW de novas usinas, dos quais 1.501 MW de usinas eólicas. A fonte terá a maior participação na nova capacidade de geração adicionada no país em 2017, o equivalente a 39,7%.

Conforme o último relatório de fiscalização da agência, de acompanhamento do progresso de usinas em implantação no Brasil, também terão importante participação na nova capacidade de geração as grandes hidrelétricas. De acordo com o previsto pela Aneel, serão 1.222 MW desta fonte, ou 32,3% do total previsto.

Mesmo que as PCHs também sejam incluídas, a fonte hídrica ainda ficaria atrás da eólica em termos de novas instalações: estão previstos para entram neste ano 92,8 MW de pequenas centrais hidrelétricas, ou 2,4% do total.

As fotovoltaicas também terão participação importante, no ano em que entram as primeiras usinas centralizadas contratadas em leilão. A fonte será responsável por entregar 12,7% da nova capacidade de geração no país neste ano, ou 483 MW.

Seguem, por fim, as térmicas a biomassa, que devem adicionar 423 MW neste ano, ou 11,2% do total, e as térmicas a combustíveis fósseis, com a instalação de 60,4 MW, ou 1,6% do total.

Fonte: Brasil Energia | Lívia Neves

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“Capacidade de gerar emprego existe, mas é preciso qualificação”

O ano de 2016 não foi fácil para o setor energético brasileiro. Com a crise econômica, diminuiu também a demanda por energia elétrica como um todo. Ao mesmo tempo, com uma seca que há cinco anos atinge o Nordeste, os níveis dos reservatórios que enchem as usinas hidrelétricas, que constituem 61,2% da matriz energética brasileira de acordo com a Associação Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), também geraram sérias preocupações para o setor. Nas energias renováveis, não foi mais simples: ao invés dos esperados leilões de contratação de energia, o Governo Federal lançou um leilão de “descontratação”, que deverá ser realizado em agosto deste ano, a fim de cancelar projetos de usinas eólicas, solares e hídricas contratadas em anos anteriores.

Apesar do quadro adverso, apenas em 2016, foram instaladas 81 novas usinas eólicas, sendo 25 delas no Rio Grande do Norte, maior produtor da fonte de energia no Brasil. Com 10,75GW de potência instalada nacionalmente, a potência de energia eólica apresentou crescimento de 23,06% em relação a 2015. Mais do que gerar uma nova matriz de energia renovável no país, o setor de energia eólica, atualmente com 430 parques espalhados em território nacional, gerou mais de 30 mil postos de trabalho em 2016, com um investimento no setor que atingiu a casa dos R$ 5,4 bilhões, recolocando o país na lista dos 10 que mais investem em energias renováveis no mundo, na 7ª posição. Os números refletem um setor que, mesmo com a falta de leilões de energia em 2016, conseguiu conquistar 7% da matriz energética brasileira em pouco mais de 20 anos e que tem buscado atrair investidores e absorver experiências de países que já utilizam a eólica como uma de suas principais fontes de energia, como a Alemanha, que sozinha produz um terço da energia eólica no mundo.

Os desafios são muitos. As empresas têm, por exemplo, se deparado com dificuldades em relação a mão de obra especializada. Sobre esse e outros aspectos relacionados ao setor a TRIBUNA DO NORTE entrevistou nesta semana João Paulo Cavalcanti,  gerente de serviços e instalação da Wobben Windpower, empresa alemã que atua em território brasileiro há mais de 20 anos na fabricação de aerogeradores e que lida diretamente com a questão da produção, instalação e manutenção dos componentes das turbinas eólicas. João Paulo esteve em Natal para o “V German-Brazilian Renewable Energy Business Conference”, que aconteceu na última  terça-feira (30) no CTGAS-ER. Na entrevista, ele falou sobre os principais desafios dos parques eólicos em relação a cadeia de valor e mão de obra qualificada, tema que debateu no encontro. Confira:

Com a crise econômica, muitos especialistas têm apontado problemas em relação ao financiamento para novos projetos de parques. Mesmo assim o Brasil continua sendo um país atrativo para os investidores da energia eólica?

Com certeza. O vento no Brasil é um vento muito melhor para a produção de energia eólica do que no resto do mundo. Isso sozinho já é um bom motivo para gerar um bom investimento, mesmo com a crise econômica e a queda da demanda de energia como um todo. De qualquer forma, quando a gente fala em novos negócios, pensamos em dois momentos: o momento da venda dos equipamentos, para a parte da produção e instalação dos nossos projetos e, fora isso, tem o fato de que todo projeto que a gente monta temos que mantê-lo operando por 20 anos, então independente de novos negócios durante um ou dois anos, desses altos e baixos que nós vemos no mercado, a gente tem toda uma estrutura de manutenção de operação que permanece ativa e é muito importante, mantida independente do processo de venda. Uma das nossas estratégias foi criar fábricas exclusivamente para exportação, no mercado da América Latina. A partir do Brasil montamos uma estrutura que permite que nós façamos a produção para suprir os mercados do Uruguai, Chile, Argentina. Essa foi uma estratégia que encontramos para contornar essa situação da instabilidade econômica, por exemplo.

Uma das principais funções, como você mesmo disse, é realizar a manutenção e a instalação dos geradores. Isso exige qualificação da mão de obra. Vocês têm dificuldade em encontrar essa mão de obra qualificada no Brasil?

Sim, a gente vem sofrendo com isso há muitos anos. A Wobben já está instalada no Brasil há 25 anos. Ela começou apenas com a exportação. No início não tinha nada, nós tivemos que desenvolver toda a nossa estrutura de treinamento e formação do pessoal internamente. Hoje, como estamos mais próximos dos grandes centros como Natal, Fortaleza e Porto Alegre, nós já temos uma certa facilidade, porque houve um movimento nos últimos anos de buscar formar profissionais para essa área, mas ainda assim nós, enquanto fabricantes e responsáveis pela manutenção precisamos suprir uma grande parte da qualificação. Hoje, 50% já vem formado das escolas, dos cursos, mas outros 50% nós ainda temos que treinar e tentar suprir de alguma forma essa lacuna que é existente. A dificuldade, na verdade, está mais associada ao local.

Quando você fala que essa dificuldade está relacionada ao local, você se refere a esse distanciamento das capitais, onde normalmente os parques são instalados?
Dependendo do Estado, sim. Vou dar um exemplo: eu preciso agora para 2018 algo entorno de 200 pessoas para montar um projeto no sul da Bahia, e a cidade mais próxima, de 30 mil habitantes, não tem nem um caixa eletrônico, então dependendo do local, isso com certeza é um problema. Gera um problema de infraestrutura. Por mais que você consiga encontrar o local você tem a dificuldade de contratar a mão de obra especializada para este local. Mas como eu disse, isso varia de estado para estado. No Rio Grande do Norte isso já foi um problema maior, mas nos últimos anos deixou de ser um pouco mais, mas na Bahia essa dificuldade é maior, até porque a Bahia é bem maior em extensão, então a dificuldade e o tempo de distância de uma cidade para outra também é maior do que no RN, por exemplo, que é um estado menor e portanto mais fácil de circular por ele.

Como está a demanda de vocês para novos projetos em 2017? Há demandas já para 2018?
Nossa produção na Wobben está toda vendida até o final do ano que vem. Até o final de 2018, nós estamos em uma situação bem confortável, porque já estamos com todos os projetos vendidos e há novos projetos vindo. Nossa visão de longo prazo está voltada para desenvolver novos mercados justamente para não depender destas variações e instabilidades econômicas e políticas que estão ocorrendo no Brasil: muda uma administração e aí muda tudo. Hoje, até o fim de 2018, está confortável. A partir daí vamos buscar desenvolver novos negócios. A América Latina é um mercado muito rico para fontes renováveis de energia, como um todo. Gradativamente, vemos que elas vem ganhando espaço no mercado e na matriz energética dos países. O Brasil por exemplo tem um potencial gigantesco, tanto para a solar quanto para a eólica. Se houver de fato o compromisso em desenvolver a eólica, ela pode se tornar cada vez mais forte no mercado brasileiro.

Em termos de geração de empregos, quantas pessoas são necessárias para executar os serviços de produção e manutenção que vocês oferecem?

Bom, a Wobben hoje está com 1.700 funcionários, a maior parte deles nas fábricas, temos várias no Brasil. Na parte de instalação de novos projetos, nós temos cerca de 400 pessoas. Depois que você instala e que você mobiliza realmente uma grande quantidade  de pessoas para transporte, montagem e tudo isso, a parte da manutenção exige uma quantidade menor de mão de obra. Para a operação e manutenção, nós temos cerca de 150 pessoas, e mais ou menos 200 pessoas para a instalação em si, variando é claro de acordo com o tamanho da obra. É um setor que tem capacidade de gerar emprego mas que precisa de qualificação de mão de obra, se não de ensino superior, o que seria ideal, ao menos técnica, porque é um trabalho que exige certo conhecimento para ser executado da melhor forma possível.

Fonte: Tribuna do Norte | Mariana Ceci